Assisti hoje à intervenção do ministro da saúde, Paulo Macedo, nas jornadas parlamentares conjuntas (de propaganda), PSD e do CDS-PP, na AR sob o lema "Portugal".
Para além da demonstração de razoável domínio do denominado calão técnico, ao ponto de referir “novas moléculas" no lugar de “novos medicamentos” (registe-se o empenho do ministro na sofisticação da comunicação), Paulo Macedo, limitou-se a repetir o rol de medidas que considera feitos da sua governação: Prescrição por DCI; libertação de barreiras à introdução de medicamentos genéricos; critérios rigorosos de avaliação das novas tecnologias (medicamento); acordo com a classe médica que irá permitir a atribuição de médicos de família a todos os portugueses (veremos), abertura de concursos de acesso a novos profissionais, melhor aproveitamento dos horários de trabalho e redução do trabalho extraordinário; os orçamentos rectificativos cíclicos, determinados pela acumulação de dividas, resultantes do subfinanciamento da saúde, a imporem reajustamentos estruturais necessários ao reequilíbrio do sistema (a velha questão da sustentabilidade); redução de preços envolvendo todos as áreas e parceiros da saúde (convencionados, farmácias, laboratórios); medidas de combate à fraude (tão do seu agrado) e..., na linguagem do ministro, a, “por vezes esquecida”, plataforma da saúde em fase de arranque.
Enfim, a resenha da actuação governativa “entre o administrativo-financeiro - centralizador e controlador como na DG de Impostos - e o político hábil na gestão de lobis e na arte de «encanar a perna à rã» para evitar despesas e investimentos.” Sem novidades.
Curioso não ter referido um dos seus mais recentes projectos, o arranque das USF modelo C . link Para o qual nomeou um grupo de trabalho encarregado de estudar a extensão das unidades de saúde familiar (USF) aos sectores social e cooperativo. A extensão ao sector privado ficou, por precaução, por enquanto, para segundas núpcias. Aliás, Paulo Macedo assegurou, recentemente em audição parlamentar, que este projecto não constituía prioridade para o Executivo. Imaginamos o desconforto do Dr Pisco. A não ser que o ministro diga em público umas coisas (para sossegar espíritos) e no seio do grupo de especialistas nomeados seja pródigo na distribuição de palmadinhas de incentivo.
Pois a privatização dos CSP já se faz tarde.
Outro tema que nos escapou na intervenção de Paulo Macedo foi a referência à reforma da rede hospitalar prestes a arrancar. Com excepção do entusiasmo manifestado em relação à construção do Hospital de Todos os Santos já autorizada pela troika.
Aguarda-se com expectativa o programa detalhado da mãe de todas as reformas com data de arranque prevista para Nov 2012 e conclusão em Dez 2013. Cujo objectivo consta do relatório da 5.ª avaliação da troika: reduzir a despesa de exploração da rede do SNS em 15% relativamente aos valores de 2010. linkCoisa fácil!
Nada que os cortes a eito, a vontade de ir além das recomendações da troika, e dose eficaz de propaganda, não resolvam.





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