Enquanto o povo canta: "Coelho, coelhinho se eu fosse tu mandava o FMI levar no... Cuuelhinho, se eu fosse tu, mandava o FMI apanhar no ...Cuuelhinho ..." e a jornalista da TVE consulta a cábula do directo, o heli suspenso sobre a rua Augusta filma os rios de gente que rumam à praça do povo.
Parecer encomendado da CNECV
Labels: E-PáMais uma vez o carro à frente dos bois... Este é mais um lamentável episódio de como se ‘constroem’ pareceres à medida dos interesses políticos de quem os encomenda. Uma recorrente técnica desta governação - não só do Ministério da Saúde - para suporte regras (essencialmente de cortes), adaptar conceitos (a orçamentos esmagados pela troika), deformar a realidade (passando ao lado da inovação) e prostituir o conceito de eficiência (com laivos ‘utilitaristas’).
O parecer do Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV) link passa ao lado da questão essencial: quanto vale a vida humana?
Este ‘parecer’ enfronha-se em análises circulares e argumentos redondos sobre o custo/benefício, sempre polémicas num sistema universal e, acaba por afogar-se em especulações sobre níveis de custos, à sombra de duvidosas (manhosas?) equidades.
As sugestões de restrição na cobertura (racionamento) enlearam a sua fundamentação técnica e científica com análises quantitativas (que não acabam por explicitar).
Deste ‘mix’ não podem, os portugueses, esperar grandes orientações, nem qualquer equidade. Falta definir – a partir de princípios éticos – qual a prioridade (para as doenças em causa) dos critérios utilizados para estabelecer e administrar terapêuticas e cuidados. E só após esta prévia definição se poderá colocar o candente problema do orçamento (limitado e em permanente ‘contracção’) do SNS.
Estes condicionalismos acrescidos de um outro vector - a qualidade de vida – deverão integrar os critérios de elaboração dos guide-lines para todo o tipo de patologias e cuidados médicos de âmbito público.
De resto, a posição do CNECV ao aceitar emitir um parecer sobre determinado (e não aleatório) leque de patologias - as que suscitam um maior esforço financeiro e têm reflexos nos custos operacionais – aparece, à luz do dia, por motivos ‘pouco’ éticos e nada explícitos, inquinada ‘ab initio’.
Ao aceitar pronunciar-se sobre um leque restrito de situações referente à vida feriu irremediavelmente uma das mais nobres características éticas: a universalidade.
A saúde não se conforma facilmente com pragmatismos (económicos e ideológicos) que frequentemente conflituam com o sensível terreno da justiça social. Mas, neste momento, defender uma racionalidade na gestão dos recursos (disponíveis) para a Saúde passa por esperar encontrar sólidos conceitos doutrinários sobre o Estado Social e a sua sustentabilidade, reflectindo essas convicções na estruturação e definição orçamental.
O que o Ministério da Saúde está a tentar fazer é uma grosseira inversão desta hierarquia de valores.
E-Pá!
Racionamento de cuidados
Labels: Paulo Macedo, XIX govA pedido do Ministério da Saúde, o Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer onde sugere que o actual “racionamento implícito” passe a “racionamento explícito e transparente, em diálogo com os cidadãos”. link
«Dotar o racionamento de um carácter explícito, transparente e legítimo é, um objectivo ambicioso, controverso e complexo para o qual não parecem haver soluções certas ou sequer únicas. As soluções dependem da vontade política e do contexto cultural e real de cada país.» link
Trazer este tema à discussão nesta altura do campeonato parece-nos um perfeito disparate (mais um).
Para o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, o parecer da comissão de ética é “desumano e redutor” ; “Vamos regressar ao princípio Ceausescu de que o mais barato é o doente morto? Quem vai perguntar aos doentes se prescindem de viver mais dois meses porque é caro?”. link
O secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa é o grande promotor desta campanha de racionamento dos cuidados de saúde, link abrilhantada pelo grupo Pingo Doce. link
Vamos à manif. (29.09.12) antes que este bando de liberais de pacotilha acabe de vez com o SNS.
Agosto 2012
Labels: s.n.sA execução financeira do SNS (Jan-Ago 2012), apresentou um saldo de 1.298,4 milhões de euros, influenciado pelo reforço de 1.500 milhões de euros destinado à regularização de dívidas de anos anteriores.
A receita do SNS (sem o reforço do rectificativo) apresenta uma redução de 7,4% face ao período homólogo devido ao menor volume de transferências regulares do OE.
A despesa registou um decréscimo de 7,0%: Subcontratos (-6,0%); Medicamentos vendidos por farmácias de ambulatório (-9,0%); Pessoal (-13,5%) suspensão do subsídio de férias dos trabalhadores do sector público e redução de suplementos remuneratórios; Outros Subcontratos (+11,3%): início de atividade do Hospital de Loures e Vila Franca de Xira (PPP).
Execução orçamental consolidada, Ago 2012 link
Teófilo ameaça
Labels: Público e privado, SigicPrivados ameaçam deixar de fazer cirurgias do SNS.
É um aviso: o presidente da associação que representa os hospitais privados em Portugal diz que estes podem deixar de fazer algumas cirurgias ao abrigo do programa de combate às listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), devido à diminuição de preços decretada no início deste mês. Se esta ameaça se concretizar, as listas e o tempo de espera para cirurgia no SNS - que em 2011 já tinham aumentado - poderão crescer mais.
"Algumas cirurgias deixam de ter qualquer viabilidade para serem prestadas no privado" face à nova tabela de preços das operações efectuadas ao abrigo do SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), o programa de combate às listas de espera, afirmou ontem o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Teófilo Leite, em entrevista à agência Lusa.
A nova tabela prevê uma diminuição média da ordem dos 10%, que, nalguns casos, pode ir até aos 20%. "Determinadas cirurgias" não poderão, "mercê do seu custo (superior ao preço), ser feitas nos hospitais privados", disse Teófilo Leite, sem especificar quais. Por exemplo, o preço de uma cirurgia às cataratas (uma das intervenções mais frequentes) baixa cerca de 100 euros.
Pelo contrário, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, antecipou uma reacção diferente dos hospitais das instituições de solidariedade social: "A nossa forma de reagir [à descida de preços] é operar, operar, operar [...]. Se o Estado pede a nossa colaboração através de um programa para ajudar as pessoas, cá estamos para ajudar".
Respondendo à ameaça do representante dos hospitais privados, o secretário de Estado adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, assegurou também que "ninguém deixará de ser operado se precisar" e frisou que o Governo está a definir "um conjunto de regras que criam condições para que a capacidade de resposta nos hospitais públicos seja maior e ainda mais aproveitada".
175 mil em lista de espera
A portaria que baixou a tabela de preços das cirurgias link estipula que os hospitais públicos passam a ser financeiramente responsáveis "pela realização atempada" de toda a sua actividade cirúrgica. O que significa que pagarão a factura sempre que for necessário mandar doentes para o sector convencionado. Resta saber como é que isto vai funcionar na prática. O número de pessoas a aguardar por uma cirurgia nos hospitais públicos aumentou no ano passado em mais de 16 mil pessoas, indicam os últimos dados sobre listas de espera. Em Dezembro de 2011, aguardavam por uma operação no SNS mais de 175 mil pessoas, o que colocou as listas de espera ao mesmo nível de 2008, numa inversão da tendência de descida que se sentia desde esse ano.
Teófilo Leite adiantou ainda que a procura dos hospitais privados tem estado a crescer a um ritmo médio de 10% ao ano, um movimento explicado em parte devido ao aumento das taxas moderadoras no SNS. Quem tiver seguro de saúde ou beneficiar de um subsistema de saúde (como a ADSE) e não estiver isento de taxas moderadoras no SNS acaba por pagar menos num hospital privado do que num público (a taxa moderadora cobrada desde Janeiro numa urgência polivalente ascende a 20 euros), justifica. Alguns dos cerca de 50 hospitais privados até "já estão saturados e a precisar de fazer obras de expansão", ilustra Teófilo Leite. Os clientes dos hospitais privados têm sobretudo seguros de saúde (40%) ou pertencem a subsistemas (outros 40%). JP 24.09.12 link
No meu entender o presidente da Associação Portuguesa dos Hospitais Privados (APHP) está a fazer bluff. As coisas não são bem como o eng.º Teófilo as pinta.
Esteve bem o Ministro da Saúde em responsabilizar financeiramente as administrações dos hospitais "pela realização atempada" de toda a actividade cirúrgica. O que significa que pagarão a factura sempre que for necessário mandar doentes para o sector convencionado.
Tentar a rentabilização plena de recursos, redução do envio de doentes para os privados, parece-me um objectivo de ouro dos hospitais públicos.
Por outro lado, o número de episódios para os quais foram emitidos vales cirurgia no âmbito do SIGIC tem decrescido todos os anos desde 2008. (110 / 70 mil) link
O dramático deste desafio é que a Lista de Inscritos em Cirurgia (LIC) 2012/2013 não pode aumentar mais (cresceu 2% em 2011).
Aumento das taxas moderadoras fez crescer procura dos hospitais privados
Labels: Crise e politica de saúde, Público e privado, Tá visto O presidente da Associação Portuguesa dos Hospitais Privados (APHP) revelou que a procura nestes hospitais tem crescido a um ritmo de 10% ao ano, subida que justifica, em parte, com o aumento das taxas moderadoras no setor público. Alguns dos cerca de 50 hospitais privados "já estão saturados e a precisar de fazer obras de expansão e que alguns já realizaram estas obras", segundo Teófilo Leite, presidente da APHP. Uma das razões para este aumento foi a subida das taxas moderadoras no setor público. "Este aumento aproximou os preços [praticados nos privados e nos públicos] e hoje, em determinadas circunstancias, já é mais favorável o recurso aos hospitais privados", disse. Para Teófilo Leite, este aumento da procura "significa o reconhecimento importantíssimo do papel dos hospitais privados na prestação de cuidados de saúde em Portugal". "É impensável o sistema de saúde em Portugal sem a prestação dos hospitais privados", disse. Teófilo Leite esclareceu que, atualmente, os clientes dos hospitais privados têm seguros de saúde (40%), pertencem a sub-sistemas (40%) ou são privados (20%). Enquanto nos seguros de saúde - que abrangem já 20% dos portugueses - existe uma grande variedade de seguradoras, no caso dos subsistemas é a ADSE (funcionários públicos) o maior cliente. A este propósito, o presidente da APHP disse que há dívidas de alguns sub-sistemas superiores a um ano e que as situações mais complicadas nem sequer são da Saúde, mas sim da Defesa e da Justiça.
JN 23/09/2012 link
Será verdade ou tratar-se-á de publicidade enganosa? A ser verdade é de abrir a boca. Se assim for, o sector privado da saúde deve ser a única área do mercado interno em expansão sendo de toda a justiça que o Dr. Teófilo Leite mande erigir uma estátua a Paulo Macedo.
OE 2013: Saúde, 350 milhões de cortes a eito
Labels: Crise e politica de saúde, XIX govO Diário Económico avançou no dia 20 de Agosto que o ministério de Paulo Macedo sofreria uma redução de 200 milhões de euros em 2013, link um valor que foi considerado insuficiente pelo ministro das Finanças. Vítor Gaspar quis ir mais além no corte da despesa e o valor neste momento inscrito nas versões preliminares do Orçamento do Estado para 2013 (OE/13) rondam os 350 milhões de euros, apurou o Diário Económico. link
Tendo o Ministro da Saúde informado recentemente que 'mais cortes significativos na despesa da Saúde só seriam possíveis com alteração do modelo existente' torna-se legítima a perspetiva de extinção do Serviço Nacional de Saúde (SNS) link
Neste sentido, são legitimas todas as acções do povo português para impedir mais este golpe perpetrado pela camarilha liberal pacotilha “Passos & Gaspar” que visa a extinção do SNS.
Resgatar Portugal
Labels: bater no fundo, XIX gov
Em Portugal há povo, senhor ministroPara quem não o sabia, está dito. Foi a 15 de setembro. Num país, numa democracia, não é possível designar uma vítima, puni-la injustamente e de forma violenta e considerá-la uma massa que não sente nem reage. Foi isso que o Governo julgou que o povo era. Castigou o trabalho, ignorou e desafiou grosseiramente as instituições que sabem que há povo, mostrou que não sabe como funcionam as economias e a vida social porque está ferido por uma ideologia cega, transferiu violentamente e sem nexo riqueza do bolso dos que trabalham para o das empresas, tendo sempre protegido os que especulam e vivem de direitos protegidos e do poder da riqueza, demitiu-se de pensar como Governo de um país e ignorou o futuro. O governo tornou-se uma sede de violência, depois de ter sido o lugar da insensatez, da incapacidade de compreender o elementar, da mais simples capacidade para construir algo. Foi campeão da destruição, da cegueira e da iniquidade. Mas sabe agora que pode fazer mal e errado, que pode fechar-se num reduto de poder ilegítimo. Mas não pode contar com a inexistência dos outros. Há povo e há alternativas.
Perante um primeiro-ministro tão incapaz, sem prova de saber ou de fazer, falho da mais elementar capacidade para governar, reina o cônsul designado pelos mais soturnos centros de ideologia e de poder fáctico, o ministro das Finanças. É a ele que, adicionalmente, há que dizer coisas básicas: que destruirá a economia e condenará as empresas por não haver repartição digna de rendimento através do trabalho e que a linha vermelha do erro foi pisada em Portugal; que os custos salariais não são a fonte da competitividade, como o prova o facto de as empresas exportadoras terem níveis salariais mais elevados; que com benefícios errados às empresas gera apenas um pequeno núcleo de ganhadores ricos que se desprenderão ainda mais da economia portuguesa (é isso que já fazem os que colocaram as suas holdings lá fora, sob outra bandeira).
É preciso ainda dizer que há ideias responsáveis que servem para fazer regressar a vida a uma economia ferida de morte e a uma sociedade ameaçada por uma longa e sombria “nova Idade Média”. É possível dizer que os que se comprazem com o empobrecimento, porque julgam que só assim podemos existir, estão profundamente errados, para além de estarem perdidos no mundo fictício que criaram e nos querem impor. É preciso dizer que cada decisão tomada por estes ideólogos é uma fonte cruel de problemas, uma nulidade como solução. Eis seis sugestões realistas e alternativas, sabendo que outros podem acrescentar dezenas muito melhores: 1. Reposição imediata das mais grosseiras reduções dos rendimentos do trabalho; a economia pagá-las-á com crescimento. 2. Compromisso com a manutenção dessa base remuneratória por cinco anos (sim, em economia pode pensarse a um pequeno prazo, não pode resumir-se a dizer que só se conhece o dia de hoje!). 3. Incentivo poderoso, através de Certificados do Tesouro garantidos, à poupança dos que podem poupar, em vez da submissão patética do financiamento do Estado aos “mercados”, a que a cabeça ideológica dos que mandam reduzem o mundo. 4. Aposta deliberada em soluções de consumo, de mobilidade, de produção e trabalho, de qualificação das pessoas e de crédito sustentáveis, equilibradas e frugais feita através de uma política urbana e de pequenos centros no espaço rural, o que implica um contrato radicalmente novo com as autarquias (esta é a única “austeridade” que faz sentido). 5. Intensa renovação da capacidade exportadora através de acordos positivos, baseados na facilitação da acção empresarial e num compromisso com o emprego e os trabalhadores, com empresas, sectores, sistemas industriais locais. 6. Negociação no plano europeu de um programa de investimentos públicos politicamente assumido como um compromisso com a Europa baseado na coesão social e na inclusão do povo e na salvaguarda do seu direito a uma vida digna.
É preciso ainda dizer que há ideias responsáveis que servem para fazer regressar a vida a uma economia ferida de morte e a uma sociedade ameaçada por uma longa e sombria “nova Idade Média”. É possível dizer que os que se comprazem com o empobrecimento, porque julgam que só assim podemos existir, estão profundamente errados, para além de estarem perdidos no mundo fictício que criaram e nos querem impor. É preciso dizer que cada decisão tomada por estes ideólogos é uma fonte cruel de problemas, uma nulidade como solução. Eis seis sugestões realistas e alternativas, sabendo que outros podem acrescentar dezenas muito melhores: 1. Reposição imediata das mais grosseiras reduções dos rendimentos do trabalho; a economia pagá-las-á com crescimento. 2. Compromisso com a manutenção dessa base remuneratória por cinco anos (sim, em economia pode pensarse a um pequeno prazo, não pode resumir-se a dizer que só se conhece o dia de hoje!). 3. Incentivo poderoso, através de Certificados do Tesouro garantidos, à poupança dos que podem poupar, em vez da submissão patética do financiamento do Estado aos “mercados”, a que a cabeça ideológica dos que mandam reduzem o mundo. 4. Aposta deliberada em soluções de consumo, de mobilidade, de produção e trabalho, de qualificação das pessoas e de crédito sustentáveis, equilibradas e frugais feita através de uma política urbana e de pequenos centros no espaço rural, o que implica um contrato radicalmente novo com as autarquias (esta é a única “austeridade” que faz sentido). 5. Intensa renovação da capacidade exportadora através de acordos positivos, baseados na facilitação da acção empresarial e num compromisso com o emprego e os trabalhadores, com empresas, sectores, sistemas industriais locais. 6. Negociação no plano europeu de um programa de investimentos públicos politicamente assumido como um compromisso com a Europa baseado na coesão social e na inclusão do povo e na salvaguarda do seu direito a uma vida digna.
Sou subscritor do Congresso Democrático das Alternativas, que se reunirá em Lisboa, no dia 5 de outubro. Sou-o porque acho que o erro e o mal não se combatem sem alternativas e que o que há, à esquerda, na política portuguesa não chega. Há um pequeno acréscimo que precisa de ser somado ao que existe: a vontade de ousar encontrar soluções, e não apenas denúncias ou remoques, e a afirmação coerente de que é necessário governo justo, e não apenas afirmações da grandeza de cada umbigo político. É uma agenda política de alternativas, afirmadas coletivamente, que constitui essa parcela a somar. E isso pode ser feito pelos cidadãos inquietos e inconformados, reunidos numa Assembleia de Cidadãos que estejam dispostos a manter, para manter a discussão que já promoveram, as soluções que já encontraram e a exigência de que, entre os que estimam a justiça social, não fique tudo como está. É isto o Congresso Democrático das Alternativas. E é para isto que faz sentido um apelo veemente, público, individual mas também colectivo. Faço esse apelo pessoal à participação e ao empenho, com o conforto de quem já se sente, humildemente, parte de um sentimento colectivo poderoso.
José Reis, JP 19.09.12
Mexidas na ADSE
Labels: ADSE, Crise e politica de saúdePodem afectar negócio dos hospitais privados
O memorando da ‘troika’estabelece que o Governo deve reduzir os custos orçamentais com a ADSE e outros subsistemas de saúde em 30% em 2012. O objectivo final é tornar a ADSE autossustentável até 2016. Esta intenção já estava definida na primeira versão do memorando de entendimento, assinada em Maio do ano passado. No entanto, ano e meio depois, não foram, até agora, apresentadas pelo Governo medidas nesse sentido. O atraso não tem passado ao lado da troika que, nas suas várias revisões ao programa de ajustamento tem sublinhado este ponto como um dos que não está a ser cumprido. Espera-se agora como provável que nos documentos referentes à quinta avaliação, que serão publicados no início de Outubro, e no Orçamento do Estado para 2013 sejam conhecidas medidas para colmatar o tempo perdido.
Este arrastar da situação faz crer que o ajustamento pedido para a ADSE possa ser agora mais violento, cortando benefícios aos funcionários públicos. Se assim for, os operadores de saúde privados correm o risco de vir a perder uma fatia grande do negócio, se se processar uma transferência de utentes dos privados para o Serviço Nacional de Saúde. C.D. DE 19.09.12
Mas alguém acredita que o governo do Passos & Gaspar decida executar mexidas na ADSE que possam afectar os negócios dos privados da saúde?
Aguardemos o relatório da 5.ª avaliação da troika para confirmarmos.
Escândalo na ARS-Norte (9)
Labels: XIX govHá mais casos de falsos currículos nas nomeações para a saúde a Norte.
Alguns dos novos directores executivos nomeados pelo ministro da Saúde apresentaram currículos que referem graus académicos que não possuem. ARS fala em lapsos e desvaloriza polémica . O caso da directora de um agrupamento de centros de saúde (ACES) do Porto que acabou por ser afastada de funções por ter apresentado um currículo com alegadas falsas habilitações não será o único no conjunto de nomeações feitas nos últimos meses para estas estruturas sob jurisdição da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. O PÚBLICO detectou algumas imprecisões em outros currículos de alguns directores executivos também nomeados pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, e que exibem títulos académicos que ainda não possuem.
A directora executiva do ACES Porto Oriental, a enfermeira Maria Dulce da Silva Pinto, por exemplo, foi nomeada pelo ministro da Saúde com a designação de mestre, mas na súmula curricular que apresentou apenas refere ter completado a primeira parte do mestrado (curricular) do curso. Dulce Pinto refere também um doutoramento sobre cuja conclusão a ARS-Norte foi questionada e não respondeu. Já sobre a designação de mestre que consta do despacho de nomeação publicado em Diário da República, a ARS afirma tratar-se de um lapso.
Alguns dos novos directores executivos nomeados pelo ministro da Saúde apresentaram currículos que referem graus académicos que não possuem. ARS fala em lapsos e desvaloriza polémica . O caso da directora de um agrupamento de centros de saúde (ACES) do Porto que acabou por ser afastada de funções por ter apresentado um currículo com alegadas falsas habilitações não será o único no conjunto de nomeações feitas nos últimos meses para estas estruturas sob jurisdição da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. O PÚBLICO detectou algumas imprecisões em outros currículos de alguns directores executivos também nomeados pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, e que exibem títulos académicos que ainda não possuem.
A directora executiva do ACES Porto Oriental, a enfermeira Maria Dulce da Silva Pinto, por exemplo, foi nomeada pelo ministro da Saúde com a designação de mestre, mas na súmula curricular que apresentou apenas refere ter completado a primeira parte do mestrado (curricular) do curso. Dulce Pinto refere também um doutoramento sobre cuja conclusão a ARS-Norte foi questionada e não respondeu. Já sobre a designação de mestre que consta do despacho de nomeação publicado em Diário da República, a ARS afirma tratar-se de um lapso.
Por seu lado, Francisco Félix Pereira, director executivo do ACES Barcelos/Esposende, também refere na súmula curricular reservada à formação académica e profissional um mestrado em Gestão das Organizações - Ramo de Gestão de Empresa, verificando-se, no entanto, nunca ter feito a dissertação da tese e sendo, inclusive, omissa a conclusão ou não da respectiva componente curricular. Ao PÚBLICO, Francisco Félix Pereira confirma que ainda não entregou a tese de dissertação e diz que foi "sem qualquer pretensão" que referiu a posse de um título que, na verdade, ainda não tem. Segundo revelou, há uma empresa que ficou interessada no tema da sua tese, tendo-lhe pedido para não a entregar porque queria desenvolver um produto em função do modelo apresentado. "Na sequência disto, falei com a instituição e foi-me permitido apresentar a tese até ao final deste ano ou início do próximo, porque a empresa ficou de fazer o projecto até ao final de Março do próximo ano", declarou ao PÚBLICO o director executivo do ACES Barcelos/Esposende.
Também o director do ACES do Vale de Sousa Norte, Camilo Alves da Mota, alude no currículo que apresentou ao internato de especialidade de Cirurgia Geral, realizado no Hospital Distrital de S. Pedro, Vila Real, entre 1985 e 1986. Sucede que o internato de cirurgia geral tem uma duração obrigatória de seis anos, que neste caso aparece reduzido a apenas um. A ARS-Norte não esclareceu se a razão desta situação decorre de uma desistência ou de uma exclusão.
Já Miguel Ângelo Portela, técnico especialista de análises clínicas e saúde pública, nomeado para director do ACES de Aveiro Norte, apresenta-se como professor regente de três cadeiras na Escola Superior de Saúde Jean Piaget. Sucede que no meio académico a designação de professor é reservada exclusivamente a docentes detentores de doutoramento. A ARS foi também confrontada sobre este ponto, não tendo neste caso confirmado a existência do grau... link
Também o director do ACES do Vale de Sousa Norte, Camilo Alves da Mota, alude no currículo que apresentou ao internato de especialidade de Cirurgia Geral, realizado no Hospital Distrital de S. Pedro, Vila Real, entre 1985 e 1986. Sucede que o internato de cirurgia geral tem uma duração obrigatória de seis anos, que neste caso aparece reduzido a apenas um. A ARS-Norte não esclareceu se a razão desta situação decorre de uma desistência ou de uma exclusão.
Já Miguel Ângelo Portela, técnico especialista de análises clínicas e saúde pública, nomeado para director do ACES de Aveiro Norte, apresenta-se como professor regente de três cadeiras na Escola Superior de Saúde Jean Piaget. Sucede que no meio académico a designação de professor é reservada exclusivamente a docentes detentores de doutoramento. A ARS foi também confrontada sobre este ponto, não tendo neste caso confirmado a existência do grau... link
Paulo Macedo parece não ter poder para intervir nestas nomeações dos boys do partido e aos portugueses é dado assistir ao arrastar de mais este triste episódio digno de uma qualquer república das bananas.
O balancete e a pilotagem do sistema de saúde
Labels: s.n.sQuem ama o SNS deseja o seu desenvolvimento, isto é, manter a equidade, melhorar a qualidade e aumentar os benefícios para a saúde dos doentes sem aumentar os recursos, assim se garante a sustentabilidade da «jóia» da Administração Pública. Nesta linha são bem-vindas as críticas que visam a melhoria do SNS, como esta.
Passado um ano e meio é tempo de fazer um primeiro balanço, começando pelos pontos positivos de Paulo Macedo (PM) e terminando nas questões por resolver (a haver).
Já lançado a crédito de PM, temos:
1º Obtenção de 1.500 milhões de euros para regularização das dívidas acumuladas do SNS.
2º As poupanças conseguidas, por redução de preços e melhoria de controlo, em medicamentos e meios de diagnósticos.
3º Relançamento da informatização das prescrições médicas e da centralização de compras.
4º Controlo de diversas rubricas de despesa, por exemplo em fornecimentos e pessoal, em parte induzido pelas Finanças e pela Troika.
O desenvolvimento de protocolos clínicos, em associação com a Ordem dos Médicos, é também um ponto a sublinhar, embora o seu impacto seja diminuto até agora.
Na gestão da saúde verificou-se um hiato, visto que só há pouco terminou a elaboração dos programas de saúde (você disse «prioritários»?), o que comprometeu o lançamento atempado de acções e impediu maiores benefícios na saúde das pessoas.
No mais a actuação de PMoscilou entre o administrativo-financeiro - centralizador e controlador como na DG Impostos - e o político hábil na gestão de lóbis e na arte de «encanar a perna à rã» para evitar despesas e investimentos.
Como tem sido a regra nos restantes ministérios proliferam os estudos e as intervenções de consultores, protelam-se as definições de rumo (políticas) e as decisões, vide por exemplo o que tem acontecido à carta hospitalar.
Sendo um independente esperava-se que não cedesse às pressões de boys&girls tão fácil e abertamente, como no escândalo das nomeações para os ACES na região norte. Também não se viu ainda PM em verdadeira prestação de contas pública dando conta dos objetivos traçados e dos resultados conseguidos.
Como à frente iremos ver falta acrescentar ao controlador férreo:
- O visionário do sistema de saúde;
- O estratega do SNS;
- O campeão das melhorias da gestão;
- O defensor da excelência dos cuidados e da motivação dos profissionais.
Esquecidas para já as eleitorais promessas (devo dizer ameaças?), de liberdade de escolha e concorrência aberta entre instituições públicas e privadas, verifica-se uma quase ausência na regulamentação e regulação do sistema de saúde. Não houve alterações visíveis em instrumentos comuns de pilotagem (por ex no modelo de financiamento, nos requisitos de qualidade) ou na forma de articulação entre instituições, restando quanto ao sistema de saúde:
-Indefinição quanto ao papel no SNS das misericórdias e dos seus hospitais.
-Inexistência de planeamento e controlo de entrada de equipamentos pesados, proliferando como cogumelos novos hospitais privados. Existe pouca informação e acompanhamento da atividade privada em saúde.
-Manutenção da duplicação de actos entre o privado e o SNS, especialmente com a ADSE.
-Continuidade do regime das convenções, agora com menor preço e maior controlo, com impacto reduzido da prioridade legislada de utilização da capacidade existente no SNS.
-Atuação correta a moderar o acesso à urgência bem como na prescrição de medicamentos e na sua comparticipação, mas «redução à bruta» da margem das farmácias, aqui com benefícios questionáveis para a população.
Não é conhecida a estratégia do SNS no que respeita à oferta, isto é, quais os objectivos, as prioridades, os planos e as linhas de orientação para as diversas redes de cuidados e para os serviços que o integram. Cinco pontos deviam merecer atenção particular:
-Os cuidados continuados estão «congelados» e algo esquecidos, mantiveram-se algumas das suas pechas iniciais – burocracia, deficiente integração com hospitais, controlo difícil da despesa – e criou-se, em sobreposição, uma nova rede de cuidados paliativos.
-Os cuidados primários deixaram de ser acarinhados, como área-chave que são, e, apesar das muitas promessas, passaram às «velocidades baixas» (devagar, devagarinho, estar parado).
-Os estudos sobre a reformulação da rede de hospitais continuam sem aplicação, arquivados ou debaixo de qualquer pisa papéis de PM. Por exemplo existem várias unidades com gasto anual inferior a 7 milhões de euros e outros com gastos acima de 400 milhões.
-Idem anterior quanto à rede de urgências hospitalares, elemento fundamental de qualquer reformulação da oferta do SNS. Por exemplo existem várias urgências numa área de poucos kms em Lisboa e Porto.
-Nada se fez para garantir efectiva integração de cuidados aos doentes crónicos (ex diabetes).
A gestão dos hospitais foi perdendo autonomia e capacidade de actuação, entre a monitorização super-detalhada exigida pela tutela (Saúde, Finanças), a burocracia, a extrema dificuldade de contratar pessoal e de investir e a gravidade da situação financeira de muitas unidades. Lembramos as principais omissões e atrasos:
-Previa-se inicialmente a reformulação da lei de gestão mas nada aconteceu até agora.
-No memorando com a Troika 31/12/2011 era a data para garantir que a nomeação e avaliação dos gestores hospitalares se fazia dentro de regras objectivas e de mérito. Nada até agora.
-Aguardava-se um sistema racional e integrado de monitorização e controlo da gestão do hospitais - há sobreposição de pedidos, essencialmente financeiros e contabilísticos.
-Já que o SNS tem hospitais com regime diferente (EPE, SPA, PPP) esperava-se trabalho técnico apurado comparando o desempenho de hospitais e serviços para aprendizagem e desenvolvimento da gestão. Nada.
Quanto à qualidade e a sistemas de melhoria de processos nada se acrescentou.
Relativamente aos profissionais a desorientação é total pois não há política de recursos humanos, estão proibidos os incentivos, coexistem estatutos e remunerações substancialmente diferentes, continua a não haver política de formação independente dos laboratórios, mantém-se a dicotomia entre equipas de médicos e contratos à hora de desqualificados, continua a debandada de bons clínicos para o estrangeiro, etc.
Deixei aqui alguns caminhos que deviam ser percorridos por quem quiser orientar o SNS com vista à melhoria dos seus resultados e à sua sustentabilidade futura. Espero que estas notas possam estimular a discussão no blogue. O SNS merece.
Tito Byant
Dia do SNS
Labels: s.n.sO SNS comemorou no dia da grande manif. nacional “Que se lixe a Troika”, trinta e três anos de existência. link
Em tempo de austeridade, o MS limitou-se, este ano, a colocar no Portal a 17.09.12 link breve texto alusivo ao dia festivo, onde não podia faltar o alerta para a «necessidade do SNS se modernizar e adaptar aos tempos de hoje e aos constrangimentos de uma economia global.» Mais adiante, novo alerta para a situação de risco financeiro, com instituições à beira da falência.
Felizmente, temos o MS que «iniciou uma trajetória de consolidação orçamental do SNS. Uma parte substancial da dívida acumulada a fornecedores, decorridos largos meses de governação, finalmente, foi paga, minimizando assim um dos muitos fatores de captura do SNS.»
Valha-nos isso!
Segue-se a enumeração das medidas salvadoras levadas a cabo por este governo exemplar:
1. Diminuição da despesa dos cidadãos com medicamentos superior a 100 milhões de euros em 2012.
2. Combate à fraude com medicamentos com poupanças de milhões de euros aos cidadãos.
3. Aposta em dar a todos os cidadãos médico de família e, por isso, a cobertura nacional de cuidados de saúde primários em expansão (quem diria!): abertos 10 centros de saúde e 16 unidades de saúde familiar (USF) e até ao fim do ano podemos ter mais 53 USF (aceitam-se apostas).
4. Lançamento das bases para uma reforma profunda e ampla dos hospitais do SNS cujo enfoque será essencialmente sobre o acesso, a governação e a eficiência, a qualidade e a segurança (eufemismo de centralizações e encerramentos a eito de HH).
5. Prescrição electrónica em vias de conclusão. (?)
6. «Generaliza-se a lógica de compras centralizadas de medicamentos , de acordo com as melhores orientações técnicas, salvaguardando o princípio da adequação do tratamento à situação clínica individual e respeitando as capacidades financeiras tanto do SNS como dos cidadãos.»
7. Definidos 8 (oito) Programas Prioritários, no âmbito do Plano Nacional de Saúde (2012-2016), que cobrem o combate ao tabagismo, a melhoria da nutrição e dos estilos de vida, as doenças cardíacas e vasculares, o cancro, a saúde mental, a diabetes, as doenças respiratórias e a SIDA.
8. Sistema de vigilância em saúde pública, que identifica situações de risco, recolhe, atualiza, analisa e divulga os dados relativos a doenças transmissíveis e teremos o reforço das capacidades das Autoridades de Saúde.
9. No campo da prevenção, vamos criar mecanismos de promoção do abandono do hábito de fumar e prevenção de novos fumadores e vamos atualizar as normas de proteção dos jovens ao consumo excessivo de álcool.
10. Pela primeira vez, este ano, o SNS vai disponibilizar gratuitamente a vacina contra a gripe sazonal a pessoas com idade igual ou superior a 65 anos.
11. Desmaterialização do boletim de saúde infantil e lançar um novo programa de saúde infantil.
Concluindo: Governação perfeita do ministro Paulo Macedo, repleta de medidas redentoras. Não fora os cortes a eito desferidos em todas as direcções que ameaçam liquidar de vez o SNS.
Até ao próximo ano, comemoração do 34.º aniversário do SNS, talvez o milagre aconteça.
História do Serviço Nacional de Saúde link
Nomeações da Saúde dominadas por interesses ilegítimos
Labels: Tá visto, XIX govNomeações chumbadas por unanimidade
Por que há tanta polémica sobre nomeações para cargos intermédios na Saúde? Antes de mais a mecânica do processo: o ministro escolhe os presidentes das administrações regionais de Saúde (ARS). Quem? Com que currículo? Com que grau de confiança? Abre-se a primeira porta para o cartão partidário entrar em ação (ou não). Depois as ARS nomeiam diretores-executivos, que por sua vez têm de nomear presidentes de conselhos clínicos de cada Agrupamento de Centros de Saúde (ACES). E em cada um deles é necessário indicar três vogais para acompanhar o presidente na gestão quotidiana destes serviços: um médico de saúde pública, um enfermeiro especialista e um técnico de saúde. Está visto que a margem de subjetividade e politização local deste processo é imensa. Alguma vez será possível gerir o setor público como se gere o privado?
…………………
Painel:1. Há uma politização excessiva na nomeação para cargos da Saúde em Portugal? 2. A ter de escolher um corte no Orçamento (público) da Saúde, qual faria? 3. A regularização das listas de espera para consultas e intervenções cirúrgicas do Serviço Nacional de Saúde está a MELHORAR MUITO/MELHORAR/ESTÁVEL/PIORAR/UM CAOS
António Ferreira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João :
1. Em Portugal não se vive em democracia, mas em demagogia. Este sistema político demagógico, agravado pelas paroquialidade e endogamia quase familiar que nos dominam, constitui um caldeirão onde fermentam o clientelismo e a corrupção. O que tem acontecido nos últimos decénios tem mais a ver com nomeações dominadas por interesses ilegítimos do que com a politização das mesmas nomeações.
2. Não necessita de cortes, mas de um independente e corajoso combate ao desperdício, a começar pela área do medicamento e dispositivos médicos (onde se gastam milhões sem qualquer benefício que não seja o do lucro imoral da indústria farmacêutica internacional), passando pelos recursos humanos (onde algumas castas beneficiam de um favorecimento inaceitável) e chegando aos subsistemas de Saúde (que apenas existem para desviar fundos públicos para o financiamento da iniciativa privada, sem os quais ela é insustentável).
3. Estável
JN 15/09/2012
Estas foram as questões colocadas a sete personalidades ligadas à Saúde (Isabel Vaz, Manuel Antunes, Maurício Barbosa, António Ferreira, Nuno Sousa, Paulo Mendo e Purificação Tavares). linkCom naturais divergências de opinião, foram unânimes quanto ao ponto 1, concordando que nas nomeações para cargos dirigentes do SNS a competência é subalternizada. Pela clarividência, destaca-se a posição do Presidente do CA do Hospital S. João. Se é certo que o SNS é vítima de uma politização ilegítima na selecção de cargos, no que respeita a interesses económicos ilegítimos o sector privado, quase sempre parasitando o público, pede meças.
Tavisto
Coelho & Portas prá rua!
Labels: Tá visto, XIX govImparável! O Povo já despediu este governo. Não perceber esta evidência é não entender nada de política.
De nada vale o Presidente da República levar Vítor Gaspar pela orelha ao Conselho de Estado ou Paulo Portas refugiar-se em “disse que não disse” procurando, num oportunismo que lhe é próprio, isolar o PSD no odioso das medidas.
O Povo, essa entidade difusa mas concreta, ontem, num voto espontâneo de rua, disse: Coelho& Portas “Go out”.
Tavisto
Escândalo na ARS-Norte (8)
No lugar de tentar por termo à pouca vergonha da nomeação dos directores executivos dos ACES da ARS-Norte, o Ministério da Saúde investiga nomeações de directores feitas pelo PS.
«Após as críticas dos socialistas às polémicas nomeações da ARS do Norte, agora é a vez do Governo contra-atacar O Ministério da Saúde (MS) pediu informações detalhadas sobre o processo das nomeações dos directores executivos dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) feitas pelo Governo do PS, em 2009. O ex-secretário de Estado adjunto da Saúde, Manuel Pizarro, nomeou 66 directores executivos em todo o país e as escolhas foram pacíficas, bem longe da controvérsia que tem marcado as escolhas dos 19 directores executivos feitas pela Administração Regional de Saúde (ARS) Norte. Do conjunto dos 66 nomeados, apenas três não eram oriundos do sistema de saúde, mas todos cumpriam os requisitos legais. A este propósito, refira-se que dois dos três ex-directores executivos dos ACES tinham sido nomeados pelo antigo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, para serviços de centros de saúde e pelo menos um deles foi agora reconduzido no cargo. O PÚBLICO contactou o MS para perceber as razões desta diligência, mas fonte do gabinete recusou fazer comentários, afirmando que o Ministério pode pedir as informações que entender à ARS. Já Pizarro considerou estranho o MS questionar as suas nomeações, acusando a maioria de se recusar a prestar esclarecimentos sobre as feitas por este Governo, numa alusão ao chumbo desta semana às duas propostas, do PS e do BE, para que o ministro da Saúde e o presidente da ARS-Norte fossem ao Parlamento dizer quais os critérios que o Executivo está a usar para nomear os directores executivos dos centros de saúde. “Há qualquer coisa de estranho no facto de se virem questionar nomeações quando os nomeados já nem sequer estão em funções. Em todo o caso, tenho a consciência tranquila que essas nomeações respeitaram a lei e foram na altura, em 2009, ano de eleições, insistentemente escrutinadas pelas organizações profissionais e pelo Parlamento sem que tenham sido postas em causa.” Para Pizarro, “discutir o passado não isenta o Governo de explicar a trapalhada que foram as recentes nomeações. Ora, o que se tem verificado é que o Governo e a maioria que o sustenta fogem desesperadamente de prestar esclarecimentos”.»
JP 14.09.12
«Um-dó-li-tá / Cara de amendoá / Um soleto coloreto / Quem está livre livre está»... Atingiu-se o grau zero da política. Temos o governo, primeiro ministro e ministro da saúde que merecemos.
É a economia, estúpido !
Labels: XIX govPor favor, deixem-nos respirar!
Chegamos, enfim, ao patamar inevitável: toda a gente volta a falar da economia. Mesmo os que fizeram carreira pública vistosa e sonante a declarar que se cortasse, cortasse, se embaratecesse o Estado, se depenasse o trabalho, se condenasse o consumo, se punisse o bem-estar, se erradicasse o investimento público, se castigasse a “vida acima das nossas possibilidades”, se endeusassem as finanças públicas, nos submetêssemos a pobres credores afrontados pela nossa irresponsabilidade – mesmo estes, começam a chegar ao essencial. Começam a ter conhecimento que uma economia ferida de morte é um quadro cruel e sem solução: não apenas para os perseguidos, os que vivem do trabalho e estão na esfera pública, mas para todos. Podemos, enfim, substituir os culpados. E encontrar os culpados reais: o Governo, as medidas insensatas, carentes do mínimo de sensatez. Os obcecados criaram o seu circo. E ele está a arder. Eis os resultados: desemprego massivo, empobrecimento devastador, desconsideração dos serviços públicos, empresas desorientadas pelo sufoco, receita fiscal a cair a pique. Perturbador é o que os insensatos continuam a fazer: impostos injustos que minam gravemente a progressividade de qualquer sistema fiscal digno (é isso o que a nova taxa única sobre o trabalho significa); transferência directa de dinheiro dos bolsos do trabalho para as empresas, com consequências obviamente inúteis na criação de emprego; desafio ostensivo ao Tribunal Constitucional; aprofundamento do estado comatoso do sistema económico; afronta às bases mínimas da coesão social. Já terão entendido, com este desenho, o que é a economia?
José Reis, JP 12.09.12
Escândalo na ARS-Norte (7)
Labels: Crise e politica de saúdeSucedem-se os episódios da nomeação escandalosa dos Directores Executivos dos ACES da ARS-Norte. Atentem no nível desta gente, segundo o Jornal Público:
A directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Grande Porto 1 (ACES), de Santo Tirso/Trofa, Custódia Manuela de Magalhães link, não entende a perseguição que lhe estão a fazer para a demitir do cargo que ocupa há dois meses e acusa a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte de estar a actuar de má-fé, por esta não lhe ter enviado a carta que o presidente da Câmara de Esposende escreveu à ARS e que desmente algumas das informações que constam do seu currículo. “A ARS tomou uma decisão com base numa denúncia caluniosa contra mim feita pelo presidente da Câmara de Esposende [ João Cepa, eleito pelo PSD], que diz que eu falto muito e que sou incompetente, sem ter a preocupação de me enviar a carta para eu me poder defender”, afirma. A carta revela que Custódia de Magalhães não exerceu as funções de coordenadora da Divisão de Assuntos Jurídicos (DAJ) do município de Esposende entre 2004 e 2012, mas sim entre 2004 e 2008. É com base nesta denúncia que a ARS a notificou da intenção de fazer cessar as suas funções no ACES Grande Porto 1 “por entender violados os deveres de boa-fé e de confiança que devem pautar a actuação dos directores executivos (...)”. Custódia de Magalhães revelou ao PÚBLICO que quando João Cepa a convidou para a DAJ foi para ser chefe daquela divisão, função para a qual nunca chegou a ser nomeada. Em 2008, adiantou, o presidente nomeou a sua cunhada, Telma Santos, para coordenadora da DAJ. A directora fala de “perseguição” com origem naquele município. “Quando fui nomeada, o senhor presidente da Câmara de Esposende enviou-me uma mensagem, dando nota de algum desagrado perante um processo político que lhe passou ao lado. E numa intervenção pública, no dia 20 de Agosto, criticou o Governo, que diz que é preciso rigor e competência mas depois nomeia directores executivos de ACES que faltam não sei quantos dias e que são incompetentes”, declarou, numa alusão às 600 faltas que terá dado enquanto coordenadora da DAJ e os 50 atestados que terá apresentado, segundo o presidente da câmara. Jurista de formação, Custódia de Magalhães vê nas críticas do autarca um certo despeito pelo facto de a ARS a ter convidado e não a ele. “O presidente está no último ano de mandato na câmara e deduzo que entendia que devia ser nomeado para algum cargo no Governo. O senhor presidente estará preocupado com o seu futuro, é o que eu deduzo”, comenta. Ao PÚBLICO, João Cepa diz não reconhecer “importância suficiente” à directora executiva para lhe responder aos ataques lhe tem vindo a fazer, mas mostrou toda a disponibilidade para prestar esclarecimentos ao ministro da Saúde ou à ARS-Norte. E esclarece: “Na carta que escrevi à ARS não ataquei ninguém, limitei-me a dizer a verdade sobre o tempo em que [a agora directora do ACES] esteve como coordenadora da Divisão de Assuntos Jurídicos”, precisa. “Se o senhor ministro entender que há matéria para a exonerar, isso não é nada comigo. Estou disponível para todos os esclarecimentos”, afirma. JP 12.09.12
Entretanto…O Governo chumbou hoje dois requerimentos do PS e do Bloco de Esquerda, que visavam saber quais os critérios que o Governo está a usar para nomear diretores de centros de saúde, por suspeitarem de que a lei está a ser violada. link
Manuel Pizarro afirma que a nomeação dos diretores dos ACES está "envolvida em dúvidas" e cita o caso da diretora do ACES do Grande Porto, que foi nomeada em agosto e que já foi demitida por alegadamente apresentar inexatidões no currículo, acusando agora a ARS Norte de má fé. O BE considera estar estabelecida "uma intensa controvérsia sobre aquelas nomeações" e assinala que as informações disponíveis revelam que o perfil e o currículo de vários dos nomeados "não respeitam os critérios exigidos pela legislação relativamente à formação e experiência em gestão de unidades de saúde e governação clínica". I, 12.09.12
A peixeirada continua perante a passividade do senhor ministro da saúde mais preocupado com o pacote de encerramentos (hospitais) encomendado pela Troika.
HH SNS, resultados 1.º semestre 2012
Labels: HH1º A comparação que fez dos HH em PP com Barreiro e Setúbal faz pouco sentido visto que estes são hospitais pouco eficientes, daí a vantagem enorme que os PP têm em alguns indicadores.
2º Relativamente aos Resultados operacionais por hospital e por região. Mais que o RO o que é importante é o seu valor relativo face á receita operacional, isto ainda é mais verdade porque os HH têm diferentes dimensões. Envio-lhe em anexo uma análise simples nestes termos - como havia metas para a redução da despesa operacional juntei uma coluna. Vê-se que continua a haver melhores resultados a norte e centro e que no sul há muitos HH "desastre", repare que os prejuízos da ARS LVT representam 79% do total!!!
Abraço,
A Dias Alves
Abraço,
A Dias Alves
0) Comparar PPP com HH Barreiro e Setúbal??? Como são muito ineficientes não faz sentido
1) Os HH das regiões do Norte e do Centro têm equilibrio financeiro, por regra, ao contrário dos HH das restantes regiões. ARSLVT representa 79% do prejuízo global.
2) Há 8 HH seriamente desequilibrados (> 10% neg), representam 30% dos HH mas os seus RO negativos (77 milhões) são 62% do total de prejuízos operacionais (124 milhões).
3) Há 17 HH em 41 (41,5%) com RO que podem considerar-se positivos.
A.Dias Alves
Direito à indignação, direito à revolta
Labels: Passos CoelhoMedidas anunciadas por Passos Coelho para 2013 agravam ainda mais as desigualdades e a recessão económica em Portugal: Trabalhadores e pensionistas sofrem um corte de 5.540 milhões euros nos seus rendimentos, patrões recebem um bónus de 2.200 milhões € link
Passos Coelho no discurso que fez perante a TV, em 7.9.2013, sobre as novas medidas de austeridade para 2013 afirmou o seguinte: “O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum, como exige o Tribunal Constitucional … Foi com este propósito que o governo decidiu aumentar a contribuição (dos trabalhadores) para a Segurança Social (de 11%) para 18%, o que nos permitirá, em contrapartida descer a contribuição exigida às empresas (ou seja, aos patrões) também (de 23,75%) para 18%” Isto significa que os trabalhadores do setor privado terão de contribuir para a Segurança Social com mais 2.700 milhões € (+63,6%), e os patrões de contribuir com menos 2.200 milhões € (-24,2%). E é precisamente a isto que Passos Coelho chama descaradamente “um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum”.
Eugénio Rosa
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