VIH/sida, programa em risco ?

 O Bloco de Esquerda entregou num requerimento para a audição do director do programa para a infecção VIH/sida, António Diniz. Em causa estão as recentes notícias que avançam a existência de rupturas no fornecimento de preservativos, bem como a eventual interrupção do programa de troca de seringas.
Há dias, o Fórum Nacional da Sociedade Civil avançou que o stock de preservativos femininos e masculinos se encontra em ruptura iminente, tendo havido, inclusivamente, respostas negativas quanto a pedidos de fornecimento por parte de membros deste fórum.
Em risco está também o programa de troca de seringas nas farmácias, ao abrigo de um protocolo assinado entre a ANF e o Ministério da Saúde e que terminava no dia 27 de Novembro. Apesar da difícil monitorização do programa, é sabido que permite a troca de pelo menos dois milhões de seringas por ano.
Ontem, porém, António Diniz deu garantias de que este programa teria continuidade e que até podia ser reforçado, avançando que "já, estão ma ser feitas várias reuniões com o Ministério da Saúde".
Recentemente, o mesmo responsável admitiu que a crise social pode condicionar a evolução da infecção  " as condições sociais e a escassez de recursos financeiros podem levar a que a infecção sofra agravamento", acrescentando que "na Grécia há relatos de que a taxa de infecção dos utilizadores de droga disparou".
Razões que levam o BE, num requerimento assinado por João Semedo, a pedir uma audição para discutir a situação do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, dos seus programas, financiamento e planificação da actividade.
DN 30.11.12link

Infeção VIH/SIDA: a situação em Portugal a 31 de d ezembro de 2011link

Desemprego 16,3%


A taxa de desemprego em Portugal voltou a subir em Outubro para os 16,3% de acordo com os dados divulgados hoje pelo Eurostat. link
Isto depois de Vítor Gaspar ter subido no “ranking” do “Financial Times” de 18º para a 10ª posição. link
Ainda acabamos todos aos tiros.

Proibido fumar

Nos Hospitais
«Nas instalações do Hospital é proibido fumar. Se é fumador e está interessado em reduzir ou terminar com o hábito de fumar, aproveite o seu internamento e peça um conselho ao seu médico assistente. Ele poderá, eventualmente, orientá-lo pela melhor abordagem para deixar de fumar, de acordo com o seu grau de dependência.» (SAMS)
«Deveres dos visitantes:  … Não fumar. Num hospital não se deve fumar. Por favor, cumpra as regras básicas de saúde.»  (Hospital da Luz) link
«Com o objectivo de melhorar a qualidade do ar ambiente, contribuindo para uma melhor saúde dos utentes e profissionais, bem como para dar cumprimento aos normativos legais vigentes,  é proibido fumar nas instalações do HNSR.   Mais se informa que o não cumprimento desta determinação, significa a aplicação de sanções disciplinares e legais previstas a todos os profissionais e colaboradores do HNSR, visitantes e utentes.» (Hospital do  Barreiro)
«A entrega do «Nível de Prata» aos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), decorreu na última sexta-feira, no âmbito do projecto «HUC sem Tabaco», um projecto de luta contra o tabagismo.» (HUC)
«A direcção do Hospital Amadora/Sintra aderiu à Rede Europeia dos Serviços de Saúde Sem Tabaco (RESSST) a partir de 2004, adoptando  a proibição de fumar dentro das suas instalações, tornando-se na primeira unidade hospitalar do país com a designação Hospital sem Tabaco. A designação de Hospital sem Tabaco é atribuída por um organismo europeu e sujeita a constantes fiscalizações para verificar se as normas anti-tabágicas são cumpridas, admitindo a possibilidade de sanções a quem as violar,»
……
Apesar do esforço notável de algumas administrações e profissionais de saúde, nos nossos hospitais, com melhor ou pior organização,  toda a gente fuma. Profissionais, doentes (internados e das consultas), acompanhantes, visitantes, trabalhadores externos.  No átrio e imediações das portarias. À socapa  nas cafetarias, elevadores, corredores, escadas de serviço e portarias secundárias.
Acontece que no meu hospital, como é proibido fumar, não existem cinzeiros nas instalações.  Facto que não preocupa os fumadores que  preferem deitar as beatas para o chão.
O  desinteresse dos não fumadores e  das entidades responsáveis em combater o comportamento dos consumidores de tabaco explica a partilha degradante de todos os dias do átrio de um hospital novo e moderno transformado num mar de beatas.

- Steps to implement a smoke-free environment.link
- Implementing inpatient and outpatient program  link
- Keeping Your Hospital Property Smoke-Free: Successful Strategies for Effective Policy  Enforcement and Maintenance link

Clara

ACeS, caminho aberto ao clientelismo

Sem qualquer audição (e muito menos negociação) prévia com os Sindicatos Médicos nem com a Ordem dos Médicos, em 4 de Outubro (andava até o MS em rondas negociais com os Sindicatos Médicos) o Governo aprova um Decreto Lei que altera o DL 28/2008, diploma este que regulamenta os agrupamentos de centros de saúde (ACeS).
As alterações mais notórias têm a ver com o Conselho Clínico, órgão que supervisiona os aspectos técnicos da prestação assistencial. Este passa a ser pomposamente designado por Conselho Clínico e de Saúde.
E o seu presidente, ao arrepio da essência da Carreira Médica e das orientações da Ordem dos Médicos, deixa de ter que ter o grau de Consultor (podendo em situação excepcional, devidamente fundamentada, estar apenas habilitado com o grau de Especialista), deixa de ter que ter experiência efectiva na especialidade de MGF e pode passar a ser exterior ao ACeS.
O DL 253/2012 pretende também ser uma resposta às nomeações escandalosas para Directores Executivos ocorridas na ARS Norte, através do manto diáfano de uma tal CReSAP ou Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública...
Tremenda sensação de déjà vu...
Simédico 27.11.12

Faz sentido com a intenção deste governo em privatizar os CSP.

Salvam bancos, encerram hospitais

Assim vai a Saúde


1. Segundo dados do INE, no ano de 2011, morreram em Portugal 302 crianças antes de completarem um ano de idade, um aumento de 46 casos em relação ao ano 2010. link link
2. O BE recomenda ao Governo a realização de uma auditoria urgente sobre a redução do número de órgãos recolhidos e de transplantes efectuados bem como a implementação de um plano de acção que permita inverter esta situação. link Os transplantes diminuíram 22% face ao mesmo período de 2011 (menos cem). link
3. Enquanto a administração do Centro Hospitalar Lisboa Central se desdobra em manobras para encolher o hospital. link

PÔR AS BARBAS DE MOLHO…

Na edição digital de‘El País’ um extenso artigo à volta das ‘mudanças’ do sector público da Saúde em Espanha constitui um precioso alerta para uma possível evolução da situação portuguesa.
Como se adianta no referido artigo a saúde em Espanha ‘está em chamas’ com massivas e determinadas rejeições pública do ‘plano de assalto’ vindas das chefias médicas hospitalares e dos centros de saúde, do Colégio (Ordem) dos Médicos, das sociedades científicas e acabando numa greve. Nada disso demove o Governo PP na Comunidade de Madrid no sentido de aplicar um ambicioso 'programa de resgate’: Privatização da gestão de 6 Hospitais, ‘externalização’ da gestão de 27 centros de saúde, ‘transformação’ do Hospital de La Princesa (um Hospital escolar) em asilo, ‘reconversão’ do Hospital Carlos III (um centro de referência em doenças tropicais, doentes infectados com VIH, hepatites, esclerose lateral amiotrófica, medicina do viajante, vacinação, etc.) num ‘hospital de retaguarda’.
Bem, o ‘remate final’ passa por uma proposta de venda de acções dos hospitais públicos.
Quando olhamos para este apocalíptico cenário começamos a compreender a extinção da Maternidade Alfredo da Costa e tudo o que poderá vir a acontecer com a ‘reforma hospitalar’ desenhada por Mendes Ribeiro e a 'nova missão' em que merece o empenho Dr. Pisco.
A trajectória profissional e política de Antonio Burgueño (mentor do projecto madrileno) e de Mendes Ribeiro, a par de aparentes e ténues diferenças, parece ‘esmagar’ pelas semelhanças...
LA CRISIS DE LA SANIDAD MADRILEÑA linklinklink

E-Pá!

Paul De Grauwe


 "Diria ao meu amigo [Vítor] Gaspar para não exagerar" na austeridade
O economista belga Paul De Grauwe aconselhou hoje o ministro das Finanças português a "não exagerar" na austeridade, para evitar um "ciclo vicioso" de recessão e endividamento.
 Diria ao meu amigo [Vítor]Gaspar para não exagerar" na austeridade, disse De Grauwe, antigo deputado no parlamento da Bélgica e professor na London School of Economics, durante a conferência Portugal em Mudança, que assinala o 50.º aniversário do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa. 
Ricardo Costa, moderador da conferência, fazia uma pergunta a De Grauwe sobre o ministro das Finanças português quando o economista o interrompeu.
"É um bom amigo meu", disse De Grauwe.
"Também nosso", respondeu Costa.
"Mas olhe que não sou conselheiro dele!", ajuntou o investigador belga.
De Grauwe acabou, contudo, por efectivamente dar conselhos ao ministro das Finanças. 
"O que temo é que o Governo português, no seu zelo de austeridade, vá longe demais, e crie o risco de a economia portuguesa ser empurrada para um ciclo vicioso onde não consegue reduzir a dívida", afirmou. 
"Há uma definição de inteligência que é: quando se vê que uma coisa não funciona, não se insiste nela", acrescentou ainda De Grauwe.

JN 26.11.12

Resumindo: Gaspar está a ser burro.

SNS, défice agrava-se

O défice do SNS agravou-se em Outubro e atingiu os 332,9 milhões de euros. link
Os dados da DGO mostram que o défice se agravou cerca de 130 milhões de euros entre os meses de Agosto e Outubro.
Recorde-se que há um ano, na discussão do Orçamento do Estado para 2012, o ministro Paulo Macedo projectou um défice de 200 milhões para o SNS este ano. Mais tarde, em Abril, o Orçamento Rectificativo deu 200 milhões adicionais ao SNS exactamente para colmatar este défice.
Este valor ainda não foi transferido para os cofres do Ministério da Saúde, mas mesmo que venha a ser já não será suficiente para conseguir um saldo zero no final do ano.
DE 23.11.12
Este governo, quanto a cumprimento de objectivos estamos falados.

ANA MANSO, das cíclicas asneiras ao linchamento…

Ana Manso, além de figura ‘histórica’ do PSD e da política nacional – exerceu funções de deputada pelo círculo da Guarda de 1999 a 2009 – é, também, uma ‘velha conhecida’ dos Hospitais portugueses.
Desde a sua iniciação em 1980 nos Hospitais da Universidade de Coimbra como administradora, não parou de circular por Hospitais: Castelo Branco, Fundão, S. Francisco Xavier, Amadora/Sintra e Guarda. Para além deste movimentado ‘rodízio’ ainda exerceu funções em Administrações Regionais de Saúde (Castelo Branco) e o seu longo braço chegou até ao Oriente (consultora do Centro Hospitalar de Macau).
Sempre foi – ao longo de toda a sua já longa ‘carreira’ essencialmente política - uma figura envolta em polémicas. Provavelmente, este recente percalço, desccalçou-a, e encerrou - pela porta pequena - a sua vida pública.
Na sua gestão da ULS da Guarda avolumaram-se as ‘irregularidades’ que passam pela escandalosa nomeação (seguida de demissão) do marido como auditor interno da estrutura que presidia linkaté ao misterioso caso de suspeita de envolvimento num ‘desaparecimento de cadáver’
Hoje, apresenta-se como ‘vitima de um linchamento político’  num nebuloso processo que movimenta as estruturas partidárias regionais, como se adivinha nas declarações da comissão política distrital do PSD (Guarda) num programa de rádio. link. Facto que é revelador dos mecanismos ‘usuais’ do Ministério da Saúde inerentes às nomeações para cargos de direcção nas estruturas do SNS. Este problema não começou com as nomeações para as ACES…
Para além dos aspectos controversos da actuação de Ana Manso na ULS da Guarda (ao longo de 11 meses) o que parece estar, neste momento, a aflorar são os primeiros rebates de uma obscura (não discutida) reforma hospitalar e, ainda, questões de política de saúde regionais (integração de serviços e unidades), bem como o seu reflexo local (próximas eleições autárquicas)link
A recente criação da USL da Guarda não pode deixar de ser considerada como um primeiro passo na ‘política de integração de cuidados para melhorar o acesso’ (Relatório Mendes Ribeiro, págs. 113 a 126) link.Todavia, todo o processo 'integrador' foi colocado sobre a pressão de ‘economias de escala’ - mas não acaba aí. Tem condicionantes políticas que, de quando em vez, afloram.

A USL tendo promovido a integração do Hospital da Guarda, do Hospital de Seia e de 12 Centros de Saúde distritais, visou dar uma dimensão (escala) que se mostrasse capaz de salvaguardar autonomia funcional e, evidentemente, política (distrital).
Hoje, os problemas colocam-se numa concepção mais alargada e ultrapassando a dimensão distrital desembocam na regional (mesmo sem o País estar regionalizado).
E aí o Centro Hospitalar da Cova da Beira (H. da Covilhã e do Fundão) funcionará como um pólo agregador (e ameaçador) das unidades hospitalares que integram a USL da Guarda, manifestando uma evidente capacidade de colonização regional (Beira Interior).
Ana Manso, concomitantemente com uma administração da ULS verdadeiramente desastrosa, foi colocada (ou colocou-se) no centro de uma tempestade provocada por concepções 'integracionistas' ou de fusão que a ultrapassaram e anularam a capacidade de manobra do seu suporte político (Comissão Distrital do PSD).
O ‘linchamento político’, que até poderá ter existido, não foi uma execução paroquial. Tem a ver com ‘ajustamentos’ regionais (políticos e partidários).
A evolução da reforma hospitalar aportará – a breve trecho – mais e melhores dados. O perfil do futuro presidente da USL não deixa de ser significativo.
Finalmente, o caricato desta situação – os dramas têm sempre um aspecto caricatural – é ter sido o inefável Ministro Relvas a ‘promover’ o afastamento de Ana Manso por considerar ‘insustentável’ a sua situação como presidente do conselho de administração da ULS da Guarda linkDefinitivamente este Ministro não deve viver acima das suas possibilidades. E estamos em crer que o inefável Relvas não tem espelho em casa…

E-Pá!

Hospital de Braga

O grupo José de Mello Saúde está a trabalhar com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte) no sentido de encontrar uma solução para equilibrar a situação económico-financeira do hospital de Braga. A entidade gestora está ainda a ponderar fazer um pedido de reequilíbrio financeiro ao Estado. Mas o ministro da Saúde já disse que não está aberto a renegociações.
"Os resultados económico-financeiros verificados até à data têm sido extraordinariamente negativos e a situação de prejuízos não pode manter-se em nenhuma circunstância", disse ao Negócios fonte oficial do grupo Mello Saúde, explicando que "esses resultados têm sido fortemente influenciados por um conjunto de alterações aos pressupostos contratuais".
A mesma fonte acrescentou que, para que a parceria público-privada (PPP) continue a ser vantajosa para o Estado, "é imperioso encontrar soluções que conduzam ao seu equilíbrio económico-financeiro e permitam o seu desenvolvimento sustentado". E nesse sentido "o Hospital de Braga está a trabalhar com a ARS do Norte na procura dessas soluções". O grupo frisa ainda que este hospital "é um dos mais eficientes do SNS", custando ao Estado "menos 20% que os hospitais equivalentes".
De acordo com o estudo da Ernst & Young a 36 contratos de PPP, o Hospital de Braga fechou 2011 com prejuízos de 16,5 milhões e um EBITDA negativo de 12 milhões.
Estes números, bem como as declarações do grupo Mello, vêm confirmar aquilo que o ministro da Saúde tem vindo a dizer: que as PPP na saúde são diferentes de todas as outras, pois o Estado sai "claramente a ganhar". "Tenho os privados a quererem negociar as PPP e até a quererem dá-las", disse Paulo Macedo na última vez que foi ao Parlamento, acrescentando que os contratos são para cumprir até ao fim. Macedo frisou os resultados negativos destas unidades, destacando os hospitais de Braga e o Cascais.
Jornal de negócios (exclusivo assinantes) 23.11.12 link


Quem está no sector da saúde, o estuda e observa há muito que tinha interiorizado que, em matéria de gestão da saúde e dos hospitais não há milagres. Os “milagreiros” do powerpoint vêm teorizando com as suas pregações de pacotilha, quase sempre, ancoradas nuns “estudos” das consultoras do “costume” que andam pelo mundo inteiro a tentar inventar a roda. È verdade que, até hoje, o que mais que estas consultoras têm conseguido é amealhar umas centenas de milhares de euros na venda de ilusões sobre a forma de slides. Há muito que os ouvimos proclamar que fazem melhor que o Estado, que estão prisioneiros da falta de liberdade de escolha, entre outras pantominices repetidas até à exaustão.
É claro que para capturarem o financiamento público fizeram ofertas mirabolantes que só poderiam funcionar com restrição de meios e selecção adversa até que o PSD chegue (já chegou) e, finalmente, os contratos sejam (generosamente) renegociados.
A muitos destes MBA’s parece faltar tarimba, experiência e seriedade profissional.
Tiburcio  (01.07.2010) link

Nota: É oportuno lembrar que o grupo vencedor, a Escala Braga (que integra a JMS), apresentou a concurso uma proposta inicial de 1.019 milhões de euros, 14.1% abaixo do Custo Público Comparável (1.186 milhões de euros). Na 2.ª fase do concurso baixou para 794 milhões de euros, menos 225 milhões, ou seja, 22% abaixo do CPC. O que não impediu que o projecto fosse adjudicado.
Correia de Campos , reconheceu,  depois de ter saído do MS, em entrevista ao DE, que esta situação o trazia angustiado.

O menino que Gaspar não conhece


Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos.
Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros.
Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica.
Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não.
O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem.
Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante. 
Nicolau Santos, Quarta feira, 21.11.12 

Tavisto

Médicos e polícias


«Paulo Macedo voltou a afirmar que "o SNS é essencial, sobretudo para os mais vulneráveis" e lembrou que é no serviço público "onde há o trabalho mais diferenciado, serviços de excelência e de investigação". Quanto a possíveis cortes, o ministro reforçou que o Governo acha "que a área da saúde será uma área protegida". "Não é na saúde que estamos acima da média europeia", salientou, referindo que o orçamento para o próximo ano "é relativamente estável, com uma redução de 3% devido ao encargo com o pagamento de mais um subsídio que não ocorreu em 2012".»
dn 22.11.12

Esta história da Saúde, área protegida, com direito a cortes de financiamento mais suaves, não passa de mais uma tirada de propaganda urdida pelos assessores de marketing do senhor  ministro, destinada a enganar  os portugueses.
Para já, estão previstos 485 milhões de euros de cortes para o próximo ano. Fora os extraordinários e estruturais.
A estratégia de não fazer ondas e discurso simpático,  enquanto vai mexendo os cordelinhos, visa atingir fundo.  Não já o corte de gorduras mas o cerrar de nacos do sistema .
As taxas moderadoras, ou antes, os co-pagamentos  dos cuidados hospitalares vão aumentar no próximo ano,  ceifando  mais alguns milhares de utentes do acesso . Os que ainda puderem pagar, dentro em breve, reclamarão a saída atraídos pela oferta privada mais barata. Victor Gaspar, não hesitará, então, em dar aos corajosos reclamantes o merecido prémio fiscal.
O discurso de falinhas mansas, em defesa do SNS,  é o instrumento escolhido pelo ministro da saúde para adormecer os portugueses. Sem oposição de monta, se nada acontecer que trave esta política, dentro em breve, a reviravolta estará consumada. Restar-nos-à um SNS assistencialista, espremido à expressão mais simples, destinado a tratar portugueses isentos de co-pagamentos, igualmente assistidos pelo banco alimentar da senhora jonet.
Não foi por acaso que Paulo Macedo decidiu assinar o acordo e pagar mais aos médicos. Tal como o seu colega de governo,  Miguel,  decidiu pagar mais aos policias .

Sancho Pança, o refundador

À prova de cortes (extraordinários)

Para o próximo ano estão previstos cortes de 485 milhões de euros na Saúde. Coloca-se a dúvida se haverá mais cortes adicionais. 
«De acordo com Marques Mendes, as alterações estruturais bem como os cortes de despesa podem passar por mais concessões a privados, nomeadamente nos centros de saúde e nos transportes públicos, pelo aprofundamento da mobilidade especial na função pública e por um aumento dos co-pagamentos dos cidadãos na Saúde e na Educação. Segundo Marques Mendes, dos 4.000 milhões de euros de corte na despesa – que já tinham sido comunicados pelo Ministério das Finanças –, 500 milhões seriam cortados na área da segurança e os restantes 3.500 milhões seriam repartidos pelos ministérios da Segurança Social, da Educação e da Saúde.»
«Porém, Paulo Macedo tem recusado novos cortes extraordinários no sector da saúde, lembrando no Parlamento que “a resposta que a saúde tem de dar tem de ser privilegiada em tempos de crise e emergência social”. link 
E, mais recentemente,  prometeu investimentos: "Não é na Saúde que haverá uma prioridade de redução [de despesa], bem pelo contrário. Temos várias áreas em que temos de fazer investimentos, quer em unidades de Saúde quer em contratações de profissionais". link 
Enquanto o seu colega de governo, Vítor Gaspar, em Berlim, junto dos patrões alemães, defende a reforma e transformação do Estado social. link

Vou emigrar.

Sancho pança, o refundador

Medicamento, HH setembro 2012


Os hospitais do SNS, no período Jan-Set 2012, reduziram a despesa com medicamentos (774,9 milhões euros) -1,3%, relativamente ao período homólogo. Hospitais que mais contribuíram para este decréscimo: Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. (‐8,9%), Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E., (‐4,2%), Hospital Garcia de Orta, E.P.E. (‐9%) e o Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E (‐2,4%). link

O nosso SNS


I WOULD BE DEAD NOW.
SNS português e os nossos hospitais

JS, sexo masculino, raça caucasiana, de 66 anos de idade, cidadão britânico a viver em Portugal há cinco anos, nascido e anteriormente residente em Inglaterra, teve um acidente vascular cerebral. Foi atendido no local e transportado de imediato pelo INEM para o Serviço de Urgência do Hospital dos Covões, em Coimbra (agora do CHUC), hospital central de referência da sua área de residência. Deu entrada seguindo a Via Verde dos AVCs, foi observado, tratado, internado, evoluiu bem, teve alta. No estudo da circulação carótido-vertebral feito por ecodoppler foi detectada uma estenose significativa da carótida esquerda, que a angioTAC confirmou com indicação para intervenção, na sequência dum acidente vascular a que se atribuiu natureza isquémica. Por isso foi enviado à minha consulta.
Veio com a esposa, ambos simpáticos, cultos, educados, britânicamente contidos, falando em inglês entremeado ocasionalmente com algumas palavras, muito poucas, em português com um sotaque típico. Disse-lhe que precisava de ser operado, e perguntei-lhe se para isso não preferiria ir a Inglaterra. Respondeu-me, naturalmente em inglês: “Doutor, eu tive um AVC e ao fim de meia hora estava a ser tratado – tratado, veja bem – neste hospital. No meu país isso não seria possível! Por isso é aqui que quero continuar a ser tratado. É neste hospital que eu quero ser operado.”
E foi. Fez-se-lhe endarterectomia carotídea esquerda, sem intercorrências ou complicações, esteve internado quatro dias. Voltou passado um mês, em consulta de controlo pós-operatório. Sempre acompanhado pela esposa, sem sequelas evidentes de AVC, bem dispostos os dois. Exibe a cicatriz cervical, “You did a great job here” - afirma. Prescrevo o clopidogrel, conversamos, conversa rápida de consultório, o tempo (claro, ou não fosse ele inglês!), a política europeia, a crise, o euro. Levantamo-nos, depois de me despedir da esposa estendo-lhe a mão. Aperta-ma com a sua e diz, com alguma tremura no porte fleumaticamente britânico: “You know, if I lived in my country I would be dead now. Portugal saved my life. Obrigado.”
Podem crer que no momento fiquei emocionado. Disfarcei o melhor que pude, acompanhei-os à porta do gabinete. É destes momentos – pessoais, como este, ou apenas conhecidos através de outros - que se constrói o enorme prazer de ter a nossa profissão. Basta o sentimento íntimo de ter feito um bom trabalho, e que acabou bem, frequentemente reconhecido por colegas e, às vezes, se calhar não muitas, pelos doentes. Mas este caso teve um sabor muito especial, porque foi a opinião de um paciente estrangeiro esclarecido, que não fala por ouvir dizer, com possibilidade de estabelecer comparações e de escolher, e que deu fortemente preferência ao nosso Serviço Nacional de Saúde e aos nossos hospitais.
Um SNS sob ataque de há vários anos para cá, em processo de descaracterização, de restruturação que parece uma desestruturação, de redução, e eliminação. Um SNS que trabalhava bem. Aquele doente inglês, ao pôr frontalmente em causa o National Health Service, fala obviamente do NHS de agora, depois da governação da Mrs. Thatcher. Depois das reestruturações  descaracterizações, fusões e eliminações que sofreu, muito na senda do que tem vindo a ser feito por cá. Não do NHS que serviu de exemplo ao Mundo, e até deu o nome ao nosso. É claro que o nome manteve-se, o serviço também, mas não são nada do que eram, e os doentes sabem disso. Continua a haver grandes médicos e óptimas instituições médicas na Grã-Bretanha, mas já não são o NHS que costumava ser. E todo o esquema de assistência se ressentiu disso, agora que nos Serviços médicos dos hospitais públicos por lá há pessoal administrativo que toma parte em decisões que deveriam ser puramente clínicas. A minha emoção ao ouvir o desabafo do paciente inglês tratado em Portugal, deveu-se também à pena de termos entre nós algo de bom durante tanto tempo e os nossos doentes tantas vezes não o apreciarem devidamente, e estarmos se calhar a resvalar no sentido de a perder.
Mudar por mudar, não. Em equipa que ganha não se mexe, diz o povo e o bom senso. Em momentos de crise há frequentemente a fraqueza, por parte dos dirigentes menos esclarecidos, de mudar para ver o que é que dá, sem o discernimento de atender ao que está bem e assim o manter. É claro que mais tarde ou mais cedo virá a exigência de responsabilidades, e a exposição pública do mal que foi feito e de quem o fez, mas em geral tarde demais para o corrigir. E Portugal não pode dar-se ao luxo de deixar destruir o pouco que dentro de si funciona bem. A Saúde é um exemplo disso, e um exemplo para o estrangeiro, e matéria em que não se deve querer copiar o que vem de fora.

Carlos Manuel Costa Almeida

Troika, 6.ª avaliação

"O afundanço" do país é "uma boa notícia" para a 'troika' e para o Governo. "A 'troika' veio avaliar-se a si própria e à sua política. Naturalmente, a avaliação é positiva: mais desemprego, mais recessão, mais miséria no país. Este afundanço em que o país vive é uma boa noticia para a 'troika' e para o ministro das Finanças". A novidade no discurso de Vítor Gaspar diz respeito ao corte de quatro mil milhões de euros na saúde, na educação e nas pensões dos portugueses", onde anunciou que "este corte é apenas o primeiro". O primeiro momento do grande desbaste, da grande destruição dos serviços públicos em Portugal". link 

Outra novidade da 6.ª avaliação foi o chumbo do reforço de 432 milhões de euros para o pagamento de dívidas da saúde. Pondo em causa a estratégia de Paulo Macedo em acabar com as dívidas vencidas.

Uma vez mais, a montanha pariu um rato

«Ano e meio após a sua criação, "a actividade dos SPMS tem-se baseado na continuidade dos procedimentos encetados pela Administração Central do Sistema de Saúde, não havendo evidência de que tenha desenvolvido outros trabalhos relevantes".
O Governo estimava poupar 15 milhões de euros com a entrada em funcionamento dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), em 2011. Mas, de acordo com a informação desta central, as poupanças ficaram-se pelos 5,4 milhões de euros.
Este valor não é passível de ser considerado uma poupança real, nas condições em que foi apresentado pela Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE, não sendo, por isso, passível de entrar em qualquer cômputo de poupanças, pois, além de não ser auditável, não pode ser utilizado para efeitos do apuramento do seu impacto no défice do Serviço Nacional de Saúde. 

Em síntese, a reestruturação da centralização de compras em Portugal, entre 2008 e 2011,ainda não produziu soluções estáveis e duradouras, salientando-se o facto de a  Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE, ter sido instituída no ano de 2010,  não tendo atingido suficiente maturidade e, até ao final de 2011 ter coexistido com a Administração Central do Sistema de Saúde, IP, além de a situação do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais e dos seus Agrupamentos Complementares de Empresas, Somos Compras, Somos  Contas e Somos Pessoas ainda da não se encontrar definitivamente resolvida.
Em sede de contraditório o Ministro da Saúde, informou que “… não se perspectiva a criação de novas centrais de compras públicas, sendo antes de salientar, conforme já comunicado em anterior informação prestada ao processo, que, ainda relativamente a 2012, se prevê que as compras  centralizadas pela SPMS possam originar poupanças efectivas na ordem dos 60 milhões de euros.”»

A história repete-se.  Perspectivam-se poupanças de milhões para poupar, ao fim e ao cabo, escassos tostões. Esperemos pelos resultados de 2012 para ver se o optimismo do sr ministro se confirma.

Refundação da Saúde

«A sustentabilidade ou insustentabilidade do SNS, nesta fase, depende sobretudo do que suceder daqui para a frente ao nível do financiamento», alertou Ana Sofia Ferreira, sustentando: «Precisamos de saber quais vão ser os proveitos do SNS nos próximos anos, de ter a ideia da sua previsão e evolução para nos conseguirmos orientar.» Tudo porque, contrapôs, o caminho da «contenção adicional de custos não parece sustentável a médio prazo» — no pressuposto que a «compreensividade» e «universalidade» do Serviço Nacional de Saúde se vão manter. «A outra hipótese será cortar partes do sistema, continuar a cortar nas receitas e exigir um corte adicional nos custos. Mas a sustentabilidade do sistema, tal como ele existe, só é possível com alguma estabilidade do ponto de vista do financiamento. Coisa que não se tem verificado nos anos mais recentes», rematoulink 
Ana Sofia Ferreira , TM 20.11.12

O caminho da sustentabilidade do SNS parece traçado. Entre cortes a eito da despesa e o alijar de serviços e unidades de saúde do sector público para o sector privado (refundação para o sr ministro): «O Governo irá claramente lançar, analisar, estudar e debater as vantagens de prosseguir o caminho da separação entre o público e o privado. Isso é refundação, isso são alterações estruturais do SNS, o qual tem de ser mantido no âmbito do Estado social» ( AR 31.10.12). Paulo Macedo parece determinado em apostar quase tudo na abertura do Hospital de Lisboa Oriental, na reorganização da oferta hospitalar e encerramento dos obsoletos hospitais de Lisboa. 
Quanto ao resto do país (é paisagem), o ministro da saúde pretende levar a cabo a reforma da rede hospitalar prevista no "memorandum da troika" «com algumas mudanças “a ocorrer de forma gradual, por iniciativa dos centros hospitalares — como já aconteceu em Coimbra, ou no Médio Tejo — ou das ARS”.» Tudo com muita cautela, pois, segundo o ministro da saúde este tipo de reorganização “é algo que demora duas legislaturas a fazer”. link 
Como se sairá o ministro da saúde, no seu jeito de bem encanar a perna à râ, deste imbróglio – entalado entre o diletante grupo de fanáticos liberais de pacotilha (passos, gaspar e portas) e os compromissos da troika: a) Final feliz, à "forest gump", com Paulo Macedo como novo herói salvador do SNS; b) Troca de ministro por incumprimento das metas da troika; c) Saída determinada pela contestação popular à politica de refundação da saúde: d) Saída determinada pela necessidade de substituição do ministro das finanças; e) Queda do XIX Governo Constitucional.
Sancho pança, o refundador

Nota: foto DE

Médicos de família para todos

Artigo 2.º, n.º 4 — Consideram -se utentes inscritos no ACES sem contacto nos últimos três anos aqueles em relação aos quais se verifiquem cumulativamente as seguintes situações: a) Tenham decorrido três anos desde o último contacto registado com o ACES; b) Nos últimos 90 dias esteja registada uma tentativa de comunicação do ACES através dos elementos constantes dos sistemas de informação. 
 Artigo 3.º, n.º 3 — A alteração de classificação de utente com médico de família atribuído para utente inscrito no ACES sem contacto nos últimos três anos faz-se automaticamente através dos sistemas de informação e determina a abertura de vaga na lista de utentes do médico de família.

«Nos últimos 90 dias esteja registada uma tentativa de comunicação do ACES através dos elementos constantes dos sistemas de informação.» 
Todos conhecemos a qualidade desta informação. 
Quantos utentes com endereços desactualizados vão ser varridos das listas de MF dentro dos noventa dias da lei ? Certamente muitos milhares. 
Entendo que devia ser dada prioridade de acesso aos utentes excluídos por este processo caso reclamassem a sua reintegração nas listas de MF dentro de determinado prazo (um ano). Ficaria assim mais afastada a hipótese do ministro da saúde pretender cumprir a promessa de atribuição de médico de família para todos os portugueses através de manobras de secretaria.

Clara

Gastos sociais e crise


«The global economic crisis has had a major impact on the share of economic resources absorbed by the welfare state. New OECD social expenditure data show that, on average across the OECD, public social spending-to-GDP ratios increased from around 19% in 2007 to 22% of GDP in 2009/11 and estimates for 2012 (see note to Chart 1) suggest it has remained high since.
There have been wide differences between countries, with some much more affected by the crisis than others. For example, between 2007/08 and 2011/12, the decline in real social spending (and real GDP) was largest in Greece.
In Greece and Hungary, real public social spending in 2011/12 was 13% to 14% lower than in 2007/08. But even though still higher than in 2007/08 other countries have seen a decline in real spending since hitting a peak in 2009 in Iceland and Ireland, 2010 in Portugal, Spain and the United Kingdom, and 2011 in the Czech Republic and Slovenia.»
Em tempo de crise, os gastos sociais crescem na maioria dos países da OCDE. Contra a corrente, os PIGS, onde o impacto da crise é maior,  resistem a custo aos cortes drásticos (a eito) da despesa (saúde, segurança social).

Health at a Glance: Europe 2012

«Em 2010, o crescimento das despesas de saúde per capita abrandou ou registou uma quebra em termos reais em quase todos os países europeus, invertendo uma tendência de aumento contínuo. A despesa tinha já começado a descer em 2009 nos países mais duramente atingidos pela crise económica (p. ex. a Estónia e a Islândia), mas em 2010 seguiram‑se cortes mais severos em resposta a pressões orçamentais crescentes e ao aumento dos rácios dívida/PIB. Em média, as despesas de saúde per capita aumentaram 4,6 % por ano em termos reais entre 2000 e 2009 na UE, tendo descido 0,6 % em 2010 (figura acima).
A redução da despesa pública com a saúde foi conseguida através de uma série de medidas, incluindo a redução dos salários e/ou do nível de emprego, o aumento dos pagamentos directos de certos serviços e medicamentos pelas famílias e a imposição de restrições orçamentais rigorosas aos hospitais. Procurouse igualmente obter ganhos de eficiência graças a fusões de hospitais ou acelerando a transição do regime de internamento para os cuidados em ambulatório e as cirurgias ambulatórias.
A crise económica e as restrições orçamentais crescentes sujeitaram os sistemas de saúde de muitos países europeus a pressões adicionais. Vários países duramente atingidos pela crise adoptaram uma série de medidas para reduzir a despesa pública com a saúde. Será necessário acompanhar de perto o impacto a curto e longo prazo destas medidas no que diz respeito aos dois objectivos fundamentais dos sistemas de saúde dos países europeus: garantir o acesso adequado aos cuidados de saúde a assegurar a sua qualidade.» 
De notar a taxa de crescimento média anual negativa das despesas de saúde per capita dos PIGS: Irlanda, Grécia e Espanha (2009-2010). O 4.º PIG desacelera a fundo no último ano: 1,5%-0,5% (2009-2010).

Um país em sofrimento









Em dia de greve geral, mais que justificada face aos números de desemprego conhecidos e à falta de perspectivas para lhe pôr termo, Cavaco Silva veio, no seu jeito dissimulado, dizer-nos que a greve era um direito mas que ele tinha passado o dia a trabalhar. Como se o direito à greve estivesse constitucionalmente previsto para a Presidência da República. link
Os números de desemprego são avassaladores, o sofrimento humano que traduzem indescritível. Apesar disso, os noticiários de hoje irão certamente focar-se não nesta violência diária mas nos tumultos do fim de tarde de ontem junto à Assembleia da República.


Tudo isto me traz à memória uma frase de Bertolt Brecht “Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem” 

Tavisto

Taxa de desemprego de 15,8%

«A taxa de desemprego estimada para o 3º trimestre de 2012 foi de 15,8%. Este valor é superior em 3,4 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2011 e em 0,8 pontos percentuais ao do trimestre anterior.
 A população desempregada foi de 870,9 mil pessoas, o que representa um aumento homólogo de 26,3% e trimestral de 5,3% (mais 181,3 mil e 44,0 mil pessoas, respectivamente). 
A população empregada foi de 4 656,3 mil pessoas, o que representa uma diminuição homóloga de 4,1% e trimestral de 0,7% (menos 197,4 mil e 31,9 mil pessoas, respectivamente).»link 

«O primeiro-ministro considera até que é um “pouco doentio” assistir a algum debate que se vem fazendo na comunicação social que põe “todo o enfoque do lado dos riscos negativos”.» link

Greve Geral


Heraus Merkle


Alemanha "quer ajudar"

Sobre a visita a Portugal, disse ser "uma contribuição" para mostrar que a Alemanha "quer ajudar" e "para ver o que se pode melhorar na cooperação entre empresas para gerar mais empregos, para que baixe o desemprego juvenil e haja força económica em Portugal".
Merkel rejeitou ainda a saída do euro de alguns países: "De forma alguma. Devemos fazer tudo para que os investidores de fora da Europa não fiquem assustados. Precisamos de uma zona euro estável", sublinhou, afirmando que a Europa tem de produzir "de forma competitiva, a nível internacional" para criar emprego.
"Formamos um forte mercado interno europeu do qual todos beneficiamos. A Alemanha também. Penso que podemos fortalecer a zona euro e é precisamente isso que estamos a fazer", afirmou, descartando um plano de ajuda para os países do Sul.
"Com as medidas que disponibilizamos em termos de fundos estruturais e com os apoios dos programas europeus existem excelentes oportunidades para lançar o crescimento", afirmou.
"Houve erros que cometemos no passado, todos juntos, como o investimento dos recursos em estradas, em infraestruturas de um modo geral, não tendo apoiado as pequenas empresas, para as tornar mais competitivas. Devemos aprender com o passado. Pela nossa parte, nós, alemães, vamos continuar a apoiar Portugal, Espanha e outros países. Fazemos isso porque também é bom para nós termos uma Europa comum", reforçou, dizendo não haver motivos para preocupação "com o domínio alemão".
Expresso “on line”

Uma zona euro estável! Uma Europa comum! Cometemos erros todos juntos! Diz a senhora. 
A verdade é que não somos tratados todos por igual, apenas os países do Sul e a Irlanda estão a pagar a crise.
Não há motivos para preocupação com o domínio alemão! Diz a senhora. Porém, só a necessidade de o afirmar é já motivo para nos sobressaltarmos. Além disso, olha-se para a Europa política e financeira e só vemos Merkel e Wolfgang Schäuble.
Tenho pena de não poder estar em Lisboa para gritar: Heraus Merkle 


Tavisto

SNS, a história da dívida

«A história da dívida e do prazo médio de pagamento é, como se costuma dizer, gato escondido com rabo de fora».
Está em causa informação coligida pela ACSS junto dos hospitais do SNS. Desde 2007, lembrou a ex-vogal, aludindo ao Programa Pagar a Tempo e Horas.
Para que se perceba o que se passa com a dívida, Ana Sofia Ferreira aconselhou a olhar, mais uma vez, para a influência da ADSE, SAD e ADM no problema.
«Para além do SNS ter internalizado os custos com os utentes dos três subsistemas a partir de 2011 -- isto porque ainda recebeu uma verba adicional em 2010 --, herdou também uma dívida de cerca de 450 milhões desses subsistemas, em particular da ADSE, que tem sido liquidada de forma muito lenta desde 2010».
Ou seja, instituições como os hospitais têm pagamentos em atraso aos seus fornecedores, mas, simultaneamente, têm dinheiro a haver, neste caso relacionado com a facturação antiga que efectuaram aos subsistemas de saúde.
«Para que se tenha uma ideia, dos 450 milhões em dívida apenas haviam sido liquidados, há um ano, 150 milhões de euros. Significa que as entidades do SNS não só enfrentam restrições de financiamento, como têm grandes devedores públicos pelos serviços prestados, cujo pagamento tem sido muito difícil».
Tal situação, no seu entendimento, «mostra e ajuda a explicar» porquê que a partir de 2010 a taxa de crescimento da dívida «disparou» e os prazos médios de pagamento «cresceram substancialmente». Sobretudo nas EPE, realçou, pois foi o sector que «mais sofreu com o efeito».

Sérgio Gouveia, Tempo Medicina, 2012-11-12 

Evolução recente da situação economico finançeira do SNS link

A senhora, o capataz e os ‘pobres’…

"...E o custo da mão de obra se degrada mês após mês"...
A 'senhora' que amanhã visita a sua 'quinta', de que se tornou feitora, não terá azo para conhecer o brutal 'empobrecimento' dos seus súbditos. Terá – isso sim – a oportunidade de, na actual sala de visitas de Lisboa (ex-libris do consulado cavaquista) perorar, para incautos caseiros e submissos pajens, sobre os custos do trabalho e a sua determinante influência na competitividade, passando ao lado dos fortes ventos da recessão que assobiarão, em frente, nas margens do Tejo.
Por outro lado, o 'capataz' (ainda) de serviço nesta submissa e ocidental leira, não saberá em que ambiente está a introduzir a sua ‘lídima protectora’.
Receberá a 'venerável credora', e ao que antecipadamente quis fazer crer uma ‘injustiçada benemérita’, com ‘honras prandiais’ na sala de armas de um velho forte quinhentista desactivado, longe do bulício da plebe. Por sinal, no mesmo local onde Gomes Freire de Andrade penou e acabou por ser executado, por revoltar-se contra ‘ocupação’ estrangeira (nessa época inglesa)…
Simbólico, não é?

E-Pá!
Portugal, um país em sofrimento, na véspera da visita senhora Merkel
População: 10.656 habitantes (2011) ; PIB (a preços de mercado) : 170.928 milhões euros; PIB per-capita: 16.089 euros; Taxa desemprego (% população activa): 15,5; Dívida externa: 200.000 milhões de euros (120% do PIB); Défice previsto para 2012: 7% do PIB.
O OE/2013 prevê a redução do défice para 4,5 do PIB, ou seja, a espoliação dos portugueses   em mais 5.338 milhões (3,2% do PIB),  através das armas do costume: aumento generalizado de impostos (4.312 milhões de euros) e cortes dos salários e despesas sociais (1.026 milhões euros).
Constatado o que já se sabia: na execução de politicas de austeridade especialmente severas os ganhos do défice não compensam as perdas da recessão, o governo veio propor, em cima do joelho,  a “refundação da trapalhada que tem feito”. Mais um plano severo de  cortes, desta vez, das despesas estruturais (ultrapassada a epopeia do combate às gorduras do Estado), a desenvolver até 2014, avaliado em cerca de 4.000 milhões de euros (2,5% do PIB).
Um bom pretexto para dar cabo de vez do nosso imberbe Estado Social. Assim se matariam dois coelhos com uma única cajadada, terá pensado o conde Andeiro, primeiro ministro, curiosamente de apelido lapin. Tudo em prol dos ganhos de competitividade da economia deste protectorado (à beira mar plantado) ao serviço da sr.ª Merkel. 

Indicadores EU/Estudo ER:
- Euro area hourly labour costs link ; - Structure of government debt in Europe in 2011 link ; - General government expenditure link ; - EU and Member States' balance of payments during the economic turmoil link ; FUNÇÕES SOCIAIS DO ESTADO (Eugénio Rosa): A dimensão da destruição já realizada e a em curso link

Nota: foto Câmara Corporativa
 
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