O grupo José de Mello Saúde está a trabalhar com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte) no sentido de encontrar uma solução para equilibrar a situação económico-financeira do hospital de Braga. A entidade gestora está ainda a ponderar fazer um pedido de reequilíbrio financeiro ao Estado. Mas o ministro da Saúde já disse que não está aberto a renegociações.
"Os resultados económico-financeiros verificados até à data têm sido extraordinariamente negativos e a situação de prejuízos não pode manter-se em nenhuma circunstância", disse ao Negócios fonte oficial do grupo Mello Saúde, explicando que "esses resultados têm sido fortemente influenciados por um conjunto de alterações aos pressupostos contratuais".
A mesma fonte acrescentou que, para que a parceria público-privada (PPP) continue a ser vantajosa para o Estado, "é imperioso encontrar soluções que conduzam ao seu equilíbrio económico-financeiro e permitam o seu desenvolvimento sustentado". E nesse sentido "o Hospital de Braga está a trabalhar com a ARS do Norte na procura dessas soluções". O grupo frisa ainda que este hospital "é um dos mais eficientes do SNS", custando ao Estado "menos 20% que os hospitais equivalentes".
De acordo com o estudo da Ernst & Young a 36 contratos de PPP, o Hospital de Braga fechou 2011 com prejuízos de 16,5 milhões e um EBITDA negativo de 12 milhões.
Estes números, bem como as declarações do grupo Mello, vêm confirmar aquilo que o ministro da Saúde tem vindo a dizer: que as PPP na saúde são diferentes de todas as outras, pois o Estado sai "claramente a ganhar". "Tenho os privados a quererem negociar as PPP e até a quererem dá-las", disse Paulo Macedo na última vez que foi ao Parlamento, acrescentando que os contratos são para cumprir até ao fim. Macedo frisou os resultados negativos destas unidades, destacando os hospitais de Braga e o Cascais.
Jornal de negócios (exclusivo assinantes) 23.11.12 link
Quem está no sector da saúde, o estuda e observa há muito que tinha interiorizado que, em matéria de gestão da saúde e dos hospitais não há milagres. Os “milagreiros” do powerpoint vêm teorizando com as suas pregações de pacotilha, quase sempre, ancoradas nuns “estudos” das consultoras do “costume” que andam pelo mundo inteiro a tentar inventar a roda. È verdade que, até hoje, o que mais que estas consultoras têm conseguido é amealhar umas centenas de milhares de euros na venda de ilusões sobre a forma de slides. Há muito que os ouvimos proclamar que fazem melhor que o Estado, que estão prisioneiros da falta de liberdade de escolha, entre outras pantominices repetidas até à exaustão.
É claro que para capturarem o financiamento público fizeram ofertas mirabolantes que só poderiam funcionar com restrição de meios e selecção adversa até que o PSD chegue (já chegou) e, finalmente, os contratos sejam (generosamente) renegociados.
A muitos destes MBA’s parece faltar tarimba, experiência e seriedade profissional.
Tiburcio (01.07.2010) link
Nota: É oportuno lembrar que o grupo vencedor, a Escala Braga (que integra a JMS), apresentou a concurso uma proposta inicial de 1.019 milhões de euros, 14.1% abaixo do Custo Público Comparável (1.186 milhões de euros). Na 2.ª fase do concurso baixou para 794 milhões de euros, menos 225 milhões, ou seja, 22% abaixo do CPC. O que não impediu que o projecto fosse adjudicado.
Correia de Campos , reconheceu, depois de ter saído do MS, em entrevista ao DE, que esta situação o trazia angustiado.





0 comments:
Post a Comment