Incertezas e Incoerências na Saúde



A actual equipa ministerial não conseguiu iniciar uma dinâmica de modernização do sistema de saúde. A sua incapacidade de suster reformas anteriores, que haviam mostrado bons resultados, e a ausência de avaliação dos processos de mudança no SNS reflectiram-se nos retrocessos na reforma dos cuidados de saúde primários, na estagnação dos cuidados continuados e no caos dos hospitais. No líder da pasta deu-se a transfiguração de técnico discreto a demagogo discreto, mais preocupado com a sua imagem pessoal do que com a boa imagem do SNS. As quebras em todos os indicadores de qualidade e acesso já não conseguem esconder os efeitos nefastos da sua acção na população e nas profissões da saúde, incluindo o efeito de “impedimento” de livre utilização dos serviços de saúde que agora recai sobre os idosos e doentes crónicos e a emigração de profissionais promissores e qualificados. Ainda assim, sempre que a opinião pública começa a reconhecer o efeito negativo da actual acção ministerial, vemos de imediato uma série de artigos de opinião, ou reportagens, em defesa da sua boa imagem pessoal. Um processo bastante original na opinião pública nacional que deverá fazer-nos reflectir sobre a Verdade política versus manipulação de imagem pública.
Qualquer celebração da quebra da procura de serviços do SNS deve gerar vergonha entre os actuais responsáveis do SNS, uma vez que não se trata de alteração de fluxos de procura, mas apenas de uma acção concertada de obstrução pela introdução de pesadas taxas de utilização, vulgarmente referidas como “taxas moderadoras”. A contínua opacidade política manteve-se na incoerência de argumentos utilizados para o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa e a demagógica recente defesa das pequenas maternidades do interior. Ao recusar aplicar os critérios de segurança da Organização Mundial de Saúde (OMS) a maternidades do interior que, por muito que nos custe, recomendam encerramento parcial, e, por outro lado, ao mitigar com demagogia os critérios para o encerramento diligente de uma das maternidades mais qualificadas da Península Ibérica, estaremos perante um governo que ignora os critérios da OMS para umas situações e manipula-os para justificar outras? Infelizmente, nada de novo no horizonte da demagogia nacional.
Espantamo-nos, porém, com um recente debate de uma rádio pública em que, dos quatro palestrantes, dois representavam PPP hospitalares. Este alinhamento, revelando uma política editorial tendenciosa e manipuladora, deve ser veemente denunciado. Aliás, o programa Prós e Contras da RTP também assumiu a perigosa visão redutora de reduzir o debate sobre o futuro do SNS a um representante hospitalar. É urgente demonstrar aos editores destes espaços de debate que estes contributos são contraproducentes, manipuladores, mesmo que inadvertidamente, e que somente contribuem para legitimar a abordagem errada centrada nos hospitais. O Futuro do SNS, ao contrário dos interesses destes personagens, não pode ser “mais do mesmo”.
Entretanto, parece que continua sem médico de família o mesmo milhão de portugueses desde, pelo menos, 2002. Parece que o défice do SNS continua descontrolado e parece que os números sobre o SNS continuam pouco fiáveis. Em contraste, parece que o ministro mantém uma boa imagem pessoal inspirada na aspiração à narrativa Metamorfoses, a magnum opus de Ovídio, em que Vénus transforma César em Cometa.
Para 2013, espera-se a continuação da intervenção sem estratégia coerente ou transparente. Continuarão os ruídos à volta das intervenções desconexas sobre temas da saúde pública e prevenção. A substituição do apelo ao consumo de sopa portuguesa, protagonizado pela anterior ministra da Saúde, pelo apelo à alimentação saudável a baixo preço, ao bom estilo comercial de uma boa parte da indústria alimentar, parece ser a solução para o descalabro do novo plano nacional de Saúde. Continuarão as acções titubeantes de responsáveis intermédios sem rumo nem liderança e o marasmo na inovação organizacional? Triste.
Paulo Moreira, JP 30.01.13

Regresso aos mercados

Exactamente!
O 'passeio' [sindicado] aos mercados foi um prelúdio político-populista para impor a inconcebível 'Reforma do Estado'.
Tentou-se demonstrar que 'estamos no bom caminho' [*].
Ninguém dentro dessa clique governante [nem sequer o Sr.SE Moedas] se preocupou em explicar como e em que medida os portugueses beneficiarão desta folclórica 'excursão'. Mais, o que foi de imediato reafirmado diz respeito à continuação do 'ajustamento em curso'...
Falta perceber como será possível gerir [harmonizar] uma putativa 'confiança' dos mercados com o desespero e a descrença dos cidadãos.
A rábula não vai durar muito. Não pode.

[*] – Sobre os caminhos que trilhamos considero fundamental proceder à leitura de [reflexão sobre] um manifesto [Europa ou Caos] subscrito por escritores, filósofos, artistas e analistas europeus que, amanhã (dia 28 de Janeiro), será apresentado em Paris. link
E-Pá!

SNS, serviço de luxo a baixo custo

Constantino Sakellarides falava no primeiro de um ciclo de encontros locais que visam preparar o I Congresso do SNS, previsto para setembro, em que advertiu para a ideia errada que pode ser transmitida por algumas notícias, como a que foi publicada pelo jornal "Expresso".
O "Expresso" ouviu gestores e especialistas do sector e noticia que "SNS é bem essencial pago a preço de luxo", título que mereceu a discordância de Sakellarides.
"Se nós temos um PIB baixo e que cresceu muito menos do que o PIB de outros países com que nos comparamos, a percentagem do PIB eleva-se, não por gastarmos muito mas porque o PIB é baixo e por termos crescido pouco", justificou.
JN 28.01.13

Por sua vez, Laranja Pontes, presidente do IPO do Porto, num debate que decorreu na FNAC do NorteShopping, a 18 de Janeiro, promovido pela "Europacolon Portugal – Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino", sobre «Acessibilidade aos medicamentos na doença oncológica»  negou que os custos da Saúde tenham aumentado muito em Portugal, esclarecendo: «No princípio dos anos 80 gastávamos 4% do PIB em saúde, 20 anos depois (no ano 2000) gastávamos 6,6% do PIB. Ou seja, em duas décadas subimos 2%, o que representa mais ou menos 0,1% do PIB/ano». Laranja Pontes lembraria ainda que a incidência da mortalidade infantil em Portugal, que atingia quase de 30 por cada mil nados vivos, atingiu as cinco médias melhores do Mundo. «Temos uma mortalidade infantil das melhores do Mundo, uma sobrevida em cancro igual à média europeia», sublinhou, admitindo que «os custos da saúde em Portugal representam metade dos da Alemanha».
«Conseguimos os mesmos resultados em saúde que a Alemanha, por exemplo, por metade do preço.» 
TM 25.01.12 

Estado mínimo


«Por trás da “Reforma” do Estado não está nenhuma visão do conjunto, mas antes um preconceito ideológico contra o Estado Social e a favor do estado mínimo.»

Adivinhe quem é o autor desta frase que se transcreve. Estou certo que dificilmente indicaria o nome de Freitas do Amaral, mas é dele mesmo fazendo parte de um artigo sobre a Reforma do Estado publicado na edição da Visão desta semana.
O estado mínimo é mesmo a ambição maior deste governo, objectivo que é percepcionado por um leque cada vez mais alargado da sociedade, que se demarca e toma posição contrária.
O governo sabe disso e toma a atitude de “fuga para a frente”, comportamento habitual nestas situações. Foi isso mesmo que se passou com a dita ida aos mercados para venda de dívida nacional. Colocada a um juro superior ao que estamos a pagar pelo empréstimo de resgate, esta vitória de Pirro vem sendo utilizada para mostrar estarem no rumo certo e que rapidamente recuperaremos a soberania financeira perdida.
O problema é que nem os portugueses são estúpidos nem os mercados são ingénuos. Todos sabem que a política deste governo nos tem conduzido a um maior endividamento, com um deficit longe de estar controlado, uma economia destroçada, uma taxa de desemprego em crescimento e a uma nação de ânimo deprimido e esgotada em impostos. Se algo mudou na percepção do capital financeiro internacional relativamente ao País, deve-se tão só à garantia dada pelo “hipotecário”, o Presidente do Banco Central Europeu, de não deixar cair nenhum país da Zona Euro.
Está o governo convencido que com esta manobra propagandística irá conseguir, sem sobressaltos, impor o corte de 4 mil milhões de euros nas áreas sociais, conseguindo assim o almejado estado mínimo. Esquece-se porém que o peso da canga sobre o comum dos portugueses não pára de aumentar e que este suplício não só não é aliviado por manobras publicitárias como desperta consciências, mesmo em áreas politicas que lhe são próximas.
Tavisto

Portugal, paraíso fiscal


O FALSO DILEMA “MENOS SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA SOCIAL OU MAIS IMPOSTOS”link
O dilema de Vítor Gaspar, repetido por ele e por todo o governo, e papagueado nos media pelos seus defensores, de “Menos saúde, educação, e segurança social, ou mais impostos”, tem a mesmo credibilidade que as previsões do governo e da “troika” que sempre falham, ou seja,  não tem fundamento real nem credibilidade técnica. É mais uma mentira ideológica que tem como objectivo a manipulação da opinião pública para o governo e FMI poderem mais facilmente destruir os sistemas públicos de educação, saúde e segurança sociais fundamentais para os portugueses, pois a sustentabilidade financeira das funções sociais do Estado não depende apenas da sua dimensão como pretendem fazer crer, mas fundamentalmente de outros factores como vamos mostrar.
A “espiral recessiva”, de que falou Cavaco Silva, causada pela politica de austeridade fortemente recessiva tem determinado uma diminuição enorme das receitas fiscais do Estado e das contribuições para a Segurança Social agravando as  suas dificuldades financeiras, e pondo em causa a sustentabilidade financeira das funções sociais do Estado. Entre 2011 e 2012, segundo o Ministério das Finanças, as receitas fiscais do Estado e as contribuições para a Segurança Social diminuíram em 3.001 milhões €. Em relação ao OE-2012 inicial do governo a quebra é de 3.833,6 milhões €, um valor praticamente igual àquele que o FMI e governo pretendem agora cortar o que mostra, por um lado, que se existisse crescimento económico tais cortes não se colocavam e, por outro lado,  a ignorância deste governo em relação  à forma como funciona a economia e a sociedade portuguesa. Este enorme erro de previsão está associado a outros com consequências dramáticas para os portugueses. A divida pública não para de aumentar tendo atingido, em Dez.2012, 124% do PIB, e os juros dela 6.843 milhões € em 2012. Como consequência da política de destruição da economia, a despesa com o subsidio de desemprego aumentou para 2.593 milhões € em 2012. É esta situação, provocada por uma politica irresponsável e destruidora, que põe verdadeiramente em causa a sustentabilidade financeira das funções sociais do Estado.
No entanto, a criação de uma situação financeira insustentável para as funções sociais do Estado não é feita apenas desta forma. Ela também resulta  de perda de enormes receitas fiscais pelo Estado. Como consequências das múltiplas deduções no rendimento e de variadíssimos benefícios fiscais de que gozam nomeadamente as grandes empresas em Portugal, o lucro dado pela contabilidade (lucro contabilístico) declarado à Administração Tributária pelas empresas foi, em 2008, de 30.213 milhões €, mas o lucro sujeito a IRC foi apenas 17.594 milhões € (58,2% do total); em 2009, o lucro contabilístico atingiu 30.232 milhões €, mas o lucro sujeito a IRC foi apenas de 16.893 milhões € (55,7% do total); e finalmente em  2010, último ano em que foram divulgados dados, o lucro total dado pela contabilidade atingiu 49.855 milhões €, mas o lucro sujeito a imposto foi apenas 15.150 milhões € (30,4% do total). Se calcularmos a percentagem que o IRC cobrado em cada um daqueles anos representa do lucro obtido pela contabilidade obtém-se as seguintes taxas efectivas de IRC: 2008: 19,6%; 2009: 15%; 2010: 8,6%. O Estado arrecadou nos três anos(2008/2010) 14.764 milhões € de IRC, mas se tivesse aplicado a taxa legal de IRC (25%) sobre o lucro contabilístico teria obtido 27.598 milhões €  de receita, ou seja, mais 86,9%. A agravar esta situação de perda de receita, há ainda a acrescentar os rendimentos transferidos para o estrangeiro que não pagam impostos em Portugal, causando elevados défices na balança de rendimentos de Portugal que não têm diminuído desde a tomada de posse deste governo e a intervenção da “troika”.
No período 2000/Novembro 2012, o saldo negativo acumulado da balança de rendimentos atingiu 71.178 milhões € (o governo gaba-se da redução do défice da balança comercial, mas ignora e esconde este que é mais grave). Este gigantesco défice resulta de transferências maciças de rendimentos (riqueza criada em Portugal) para o estrangeiro. Só neste período (2000/Novembro 2012) foram transferidos para o exterior 175.398 milhões € de rendimentos que tiveram como origem investimentos directos em empresas, aplicações em acções e outras de natureza financeira (lucros, juros, mais-valias, etc.) que não pagaram qualquer imposto em Portugal, o que agravou a situação financeira do Estado e das suas funções sociais. E  isto acontece porque a lei fiscal portuguesa continua a isentar esses rendimentos do pagamento de impostos no nosso país, apesar de serem gerados no nosso país, como se prova através de normas do Código do IRC e do Estatuto dos Benefícios Fiscais que se analisam à frente. Qualquer português paga 28% de imposto em tais rendimentos mas aqueles “senhores” não pagam nada. E o governo e o FMI pretendem baixar o IRC. A eliminação destas injustiças, aumentaria a justiça fiscal, e contribuiria para garantir as funções sociais.
Um dado para reflexão. Segundo o Eurostat, a divida  pública portuguesa atingiu, em Setembro-2012, o gigantesco valor de 201.003 milhões €. Se Portugal tivesse de pagar por ela uma taxa de juro de 4,891%, os encargos só com juros atingiriam 9.831 milhões € por ano, o que seria insustentável para o país (seria muito superior ao que o Estado gasta com o SNS ou com a educação). Mas o governo e os seus defensores nos media, procurando manipular a opinião pública, dizem que foi um êxito a emissão de mais 2.500 milhões € de divida com tal taxa. Para os grupos financeiros uma taxa de 5% é um negócio altamente lucrativo (daí a procura exceder a oferta) quando a taxa paga pela Alemanha é entre 0% e 1%.
Eugénio Rosa

Nem Correia de Campos

«Ajustar equitativamente a despesa da Saúde. De facto não temos sobrecarregado os utentes- Não julgamos que seja o financiamento que se deva deslocar para a área das taxas moderadoras, co-pagamentos, ou qualquer outro aspecto destes.  Achamos que o financiamento da Saúde deve continuar a ser feito , essencialmente, por impostos , por impostos dos portugueses, de uma forma progressiva e solidária.» link
Antena 1, debate  "Estado Social: que futuro?"

Só faltou dizer que é contra os cortes de financiamento da Saúde. Encerramento de maternidades e hospitais. Racionamento de medicamentos. Pacote de cuidados mínimos. A livre escolha e o "opting out".

SNS News


1.Confirmação: O Ministério da Saúde (MS) revelou o pedido de parecer solicitado ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) . link link

2.DGS, cumpre: "Estudo comparativo do número de óbitos e causas de morte da mortalidade infantil e suas componentes (2009-2011)". Em 2010 registaram-se 2,5 óbitos por mil nascimentos vivos (256 óbitos em 101.381 nados-vivos). Em 2011 registaram-se 3,1 óbitos (302 crianças em 96.856 nados-vivos). link

Carta aberta

Aos dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europalink
... Uma das mais notáveis consequências de não se antecipar o impacto esperado na saúde de muitas das decisões financeiras tomadas é a falta de sistemas de verificação apropriados desses efeitos  negativos da crise socioeconómica e de uma resposta efectiva atempada, aos níveis internacional, nacional e local, a estes efeitos adversos.
Isto é lamentável.
Os signatários desta carta aberta apelam às autoridades de saúde e políticas, nacionais e internacionais, para que:
- Confirmem os princípios a que estão comprometidos, defendendo a protecção e a promoção da saúde na governação nacional e europeia;
- Se assegurem que, conscientes do impacto na saúde das decisões económicas e financeiras adoptadas no passado recente, resultem numa rápida revisão de tais decisões de modo a urgentemente evitar mais deterioração da saúde e dos serviços de saúde nas nossas comunidades;
- Actuem imediatamente de modo a minimizar os  já identificados efeitos da crise na saúde.
- Mobilizem e orientem para o bem comum o extraordinário potencial da inteligência, conhecimento e inovação das sociedades dos nossos dias,  em vez de enfraquecer as possibilidades dos sistemas de saúde evoluírem, transformarem-se, desempenharem melhor as suas funções, tornarem-se mais centrados nos cidadãos e responderem aos desafios actuais e futuros.
Pesidentes das associações médicas Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal mais 7-8 outras personalidades relevantes das comunidades académicas e médicas Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha.

O enviesamento dos debates …

Ontem, no programa da RTP1  Prós e Contras link   os telespectadores tiveram a oportunidade de assistir, no âmbito da discussão sobre uma pretendida reforma do Estado, a uma prestação sobre o SNS verdadeiramente aviltante e recheada de aleivosias.
Não é possível, nem sequer sensato, ‘reduzir’ o SNS ao serviço de Cirurgia Cardio Torácica dos CHUC. Entrar nessa via é o ignorar que o Rossio não cabe na Betesga.
E já agora para além da prosápia sobre eficiência de produção dessa Unidade Funcional, quando é que falamos nos custos operacionais desse (ímpar) CRI [*] e, mais concretamente, que tipo de contratos foram (no tempo das vacas gordas) estabelecidos com a gestão hospitalar e ao que parece (a avaliar pelo custo unitário da intervenção cirúrgica revelado no programa) incólume aos cortes que têm atingido não só a vertente hospitalar, mas todo o SNS.
É que comparar entidades completamente distintas não é uma atitude sã. Fiquemos pela sanidade já que estamos a restringir-nos ao âmbito da saúde.
Na verdade, quando se afirma aos 4 ventos que temos ‘vivido acima das nossas possibilidades’ é preciso olhar ao espelho. Não vá o diabo tecê-las.
Finalmente, foi possível entender qual foi o verdadeiro alcance do parecer do CNECV sobre 'racionamentos' terapêuticos no SNS. Entre os múltiplos fins que, a pouco e pouco, se vão libertando, a surpresa foi a sensação de ‘conforto’ do Prof. Manuel Antunes (como o próprio revelou ontem)…
Adenda: Começa a ser um difícil exercício imaginativo tentar destrinçar os convidados que são Prós dos Contra. Mas isso é uma área do ‘Dr.’ Relvas e portanto é estultícia tentar compreender esses obscuros meandros.
[*] - Sempre defendi os CRI como modelo estratégico de descentralização da gestão hospitalar e um bom exemplo de estrutura intermédia de governação clínica a desenvolver. Só não compreendo como se pretende comparar uma solução única e excepcional (é esse o real ‘estatuto’ do SCC-T dos CHUC) com a generalidade da organização hospitalar, onde a centralização tudo absorve e esmaga…

e-pá!

Afinal, andamos a discutir o quê?!

“Não vale a pena irem buscar as estatísticas que convêm para justificar uma ideologia e os pontos de vista neoliberais”, afirmou, criticando o Fundo Monetário Internacional.
 O antigo ministro intervinha, no sábado à noite, num fórum sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), promovido em Paços de Ferreira pela Federação Distrital do Porto do PS.
 Para o orador, “cada dia se vai descobrindo que [o documento] funcionou apenas como encomenda de um mandante, o Governo português”. link
 Falando perante cerca de 150 militantes e simpatizantes socialistas, Correia de Campos disse ser “falso” que a estimativa de crescimento das despesas na área da saúde, para o período de 2020 a 2030, seja de 4,5 %, frisando ser “uma afirmação [do FMI] apenas para meter medo”.
 O antigo ministro lembrou que há vários indicadores que rebatem os argumentos do relatório, nomeadamente o que diz que os países europeus da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) conseguiram controlar as despesas de saúde na última década.
“Portugal tem um registo admirável, com 1,5 % de crescimento anual durante os últimos 10 anos”, insistiu.
 Correia de Campos defendeu que “o SNS não deve ser destruído, mas pode ser reformado”.
“O SNS é reformável e modificável. Pode ser tornado mais eficiente, podem ser identificados os seus desperdícios, mas não pode ser desfigurado”, considerou.
 Para o ex-governante, o Serviço Nacional de Saúde “é uma das jóias da nossa democracia e, como tal, devemos saber preservá-lo”.
 Por isso, acrescentou, um “pacote mínimo de cuidados, num país que tem um SNS, é passar de cavalo para burro” e “viola o princípio da universalidade”.
Para Correia de Campos, “o setor privado [na área da saúde] tem todo o direito de existir, mas não tem o direito, nem a Constituição o permite, que prevaleça sobre o setor público”.
JN 19.01.12 link

Os doentes que se lixem


Acesso aos cuidados de saúde mais difícil em 2013.
Tomemos por exemplo o substancial arredondamento da taxa das consultas hospitalares (0,04 cêntimos) que vale para o Estado uma  receita suplementar  de 187.461 euros (atendendo a que cerca de 50% dos utentes estão isentos), além do valor de actualização legal da taxa (2,8%), (cálculo 10 meses de actividade ano 2012 : 0,04 * n.º de consultas 9.373.091). link.Trata-se de um aumento de 3,3% desta taxa.
O aumento médio das taxas moderadores em 2013 é efectivamente de 3,07% (e não 2,8%). link
No final de 2013 teremos contabilizado,  à semelhança do que aconteceu em 2012, largos milhares de consultas e atendimentos urgentes hospitalares a menos. Quando a necessidade de  acesso aos cuidados de saúde  em tempo de profunda crise mais se faz sentir.

Packages Alert...


A entrevista link   para além dar uma visão da total degradação dos serviços públicos de saúde na Grécia, coloca quando o entrevistado questiona "…penso que precisamos de trabalhar num pacote de serviços mínimos para garantir que os mais pobres têm acesso ao essencial…" uma recomendação que foi pasmada no relatório 'Rethinking the State' encomendado pelo Governo português ao FMI.
No referido relatório link (pág. 74) recomenda-se:
“…Options for further reform could include, for example, defining more clearly the scope and priorities of publicly funded health benefit packages (i.e., setting clear supply constraints that take into account fiscal affordability); and broadening the role of the private sector, including in health care provision and insurance (including for meeting demands that go beyond the health care benefits provided by the public sector)…”.
Ora, estes ‘pacotes básicos de cuidados’ (travestidos ou não de preocupações com ‘justiça’ fiscal) têm estado fora das discussões públicas sobre o futuro ou a pretendida reforma do SNS. Aliás existe uma ‘algaraviada’ à volta do seu financiamento que vão das taxas ‘moderadoras’, aos co-pagamentos, políticas de ‘cut-off’ orçamentais e pretensões em realizar progressivas e sistemáticas transferências para o sector privado (PSD) e, na versão light (CDS), para o sector social.
A entrevista em destaque vem mostrar a premência de centralizar a discussão nos reais problemas de sustentabilidade fugindo da obsessiva tendência deste Governo para o ‘empobrecimento’ (das pessoas e do Estado), que poderá passar pela criação de criativos (evolutivos, progressivos, etc.) ‘pacotes básicos de cuidados’, assim do tipo do ‘bodo aos pobres’, que – como é apanágio do actual Executivo - deverá ser apresentado aos portugueses como ‘sem alternativas’!.
Convinha, portanto, começar a trabalhar (re-orientar a discussão)para alternativas reais e para preservar um SNS inclusivo, i. e., prestador equitativo de cuidados ao universo social (deixando de fora todo o tipo de empacotamentos ou de 'empalamentos').
e-pá!

John Yfantopoulos, entrevista

Mas a informação que chega é que o acesso aos serviços de saúde está cada vez mais comprometido e que, à semelhança de Portugal, o aumento das taxas moderadoras estão a gerar grandes dificuldades.link
As admissões nos hospitais públicos cresceram cerca de 20%, porque houve uma grande redução no que é prestado no sector privado. Até agora a nossa despesa pública em saúde correspondia a cerca de 55% e a privada a 45%. As taxas moderadoras e os co-pagamentos estão certamente a gerar problemas e penso que precisamos de trabalhar num pacote de serviços mínimos para garantir que os mais pobres têm acesso ao essencial. É preciso garantir uma espécie de seguro mínimo. Isto porque há obstáculos que muitas vezes não são visíveis e que privam as pessoas dos serviços. Os doentes entram no sistema, mas a partir do momento em que entram têm de pagar quantias avultadas e a qualidade do serviço é questionável...
Está novamente a referir-se à corrupção? É preciso subornar para se ser atendido?
Sim. Os gestores hospitalares na Grécia são políticos falhados e membros de partidos políticos sem qualquer tipo de conhecimento de como devem gerir grandes hospitais. Precisamos de profissionais e não de políticos para combater a corrupção e a economia paralela. Os casos de corrupção acontecem mais em cirurgias. Se não pagarmos por baixo da mesa ou se não pusermos um envelope nas mãos do médico, vemos que a cirurgia não é propriamente recusada mas é sucessivamente adiada. E os mais velhos e os mais jovens são os que estão a pagar mais, pois são os que já não têm ou os que ainda não têm uma posição social confortável. Chamamos-lhe uma inversão da teoria do Robin Hood, em que não me pedem dinheiro a mim que sou professor universitário e que já tenho a minha posição social, mas pedem, por exemplo, a agricultores que não têm uma rede de conhecimentos.
JP 17.01.13

Medicamento, novembro 2012

No período jan-nov 2012, o mercado total de medicamentos, vendidos em farmácias comunitárias, diminuiu 11,7% em valor (2 398,7 milhões de euros) comparativamente a igual período de 2011 (2 718,1 milhões de euros). link
Por sua vez, o mercado do SNS, no mesmo período  - 1 080,7 milhões de euros – reduziu 10,5% face ao período homólogo de 2011 (1 207,9 milhões de euros).

Eu corto, tu adias, ele empurra


A impreparação que campeia nos diversos ministérios valorizou o da saúde como executor do programa da Troika e paladino-mor do corte de despesa e da cobrança de taxas moderadoras.

A obsessão pelos cortes pode cegar qualquer ajudante de ministro, se arvorada em política de saúde, impedindo-o de ver os efeitos de políticas de racionamento de medicamentos e da redução de transplantações. A despesa futura do MS e a saúde dos doentes ficarão a perder com a ausência de tratamento, o acesso tardio aos serviços e a perda dos benefícios dos medicamentos mais eficazes.

Aquela obsessão levou à defesa pública da prevenção para «evitar o recurso aos serviços», não para melhor saúde e menos sofrimento. A prevenção faz-se com campanhas de informação, pela promoção de estilos de vida saudáveis, pela vacinação e rastreios de doenças, tudo em articulação com educação para a saúde e esclarecimento por médicos e enfermeiros, o que exige o recurso a serviços de saúde, nomeadamente aos cuidados primários. Porém promoveu a diminuição de acesso através das taxas mas não o aumento do número de consultas e atendimentos que se impunha, e, com a declaração, ainda diabolizou o recurso àqueles serviços em vez de os promover.

Não admira que alguns colegas clínicos gerais o tenham rebatizado de EVITA AÍDA.

Toda a luz que tem sido projetada nos mediasobre os «sucessos» dos cortes já não consegue disfarçar o que se esconde:
- Adiamento do importante quando politicamente problemático;
- Promoção de medidas de cosmética na gestão e do jogo do empurra dos doentes.

Como alguém aqui sublinhou a reforma da saúde devia começar por duas medidas preconizadas no memorando: Reformulação da rede de urgências e hospitais e desenvolvimento dos cuidados primários e continuados; ADSE como seguro público complementar não sustentado pelo orçamento do Estado.

Nada se fez com medo das possíveis reacções e com dificuldade em conciliar posições dos interessados. Por isso vão-se empatando com mais uns estudos, uma comissão com as misericórdias e outras medidas semelhantes. Assim vemos a Saúde em situações caricatas: Ministro de um lado detendo estudos diversos de reformulação que não aplica, o que o força a cortar mais no pessoal e no acesso ao SNS; Um seu subordinado, chefe da todo-poderosa ACSS, bramando que «essa reforma tem de andar mais depressa». Que tal está a molenga, hem!

Quando se adia o importante e se abraçam dietas ineficazes é necessário tapar depois as «misérias», se há hospitais em falência e que não cumprem os compromissos, adiantam-se uns duodécimos. Mas isso não resolve o problema de fundo e até pode incentivar os gestores à passividade e à cosmética de números.
Não se aborda do modo certo o problema das novas tecnologias e dos medicamentos inovadores, então pede-se uma opinião sobre os medicamentos de maior impacto financeiro. O problema fica lá, mais vocalizado tanto pelos que lembram a falta de equidade, como por quem critica os hospitais que fazem a distribuição aos doentes crónicos a cada 15 dias e o jogo de empurrar os doentes entre hospitais.

A subida de taxas moderadoras até um terço do custo não serve de todo como solução, ainda que servida pelo FMI. Tratar-se-ia então de verdadeiro copagamento para o doente, estabelecendo uma barreira aos que não podem pagar que ficariam dependentes da caridadezinha. Pretende-se acabar com o SNS e criar um mercado para os que podem pagar, contra tudo o que a constituição determina.

É tempo de atacar os problemas e apostar em soluções técnicas, menos na comunicação, no marketing político e na conhecida prática burocrática: «Aprovado, arquive-se».

Jack Lavais 

A Zorrinho o que é de Zorrinho

"PS não é a favor da extinção da ADSE"
Carlos Zorrinho desmente coordenador do partido para a Saúde, que defendeu fim de subsistema para funcionários públicos. Socialistas debatem Estado Social em Viseu.

O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, negou hoje que o partido defenda o fim da ADSE, como afirmou o coordenador socialista para a Saúde, Álvaro Beleza, em entrevista ao Jornal de Notícias.
Em declarações aos jornalistas, em Viseu, logo depois da sessão de abertura das Jornadas Parlamentares do PS, Carlos Zorrinho veio "reafirmar que o Partido Socialista não é a favor da extinção da ADSE". Trata-se, de acordo com o líder da bancada rosa, da "opinião pessoal do coordenador".
Na referida entrevista, Álvaro Beleza, membro do secretariado nacional do PS, defende "claramente" o fim da ADSE. "É um sistema único na Europa e é injusto." Para o coordenador socialista, "os funcionários públicos têm acesso a cuidados de saúde privados e nem todos têm".
A entrevista, que faz manchete no Jornal de Notícias, acabou por provocar já a reação informal de deputados socialistas, em Viseu. Miguel Coelho, deputado, ex-líder da concelhia de Lisboa do PS, escreveu na sua página no Facebook: "Acordei com a notícia da posição do responsável do PS pela área da saúde, defendendo a extinção da ADSE. Mais um 'tiro no pé'..."
Também José Lello argumentou, no Facebook, contra o fim da ADSE recordando que "a maioria dos funcionários públicos são eleitores do PS"
DN 14/01/2013

Depois de Correia de Campos, é agora Álvaro Beleza a pôr em causa a ADSE. Não o faz porém de forma correcta uma vez que nada deve impedir um grupo profissional de ter um sistema próprio de saúde. Terá é que ser auto-sustentável, não dependendo do orçamento de estado para sobreviver financeiramente.
Brilhante é o argumento de Lello para que tudo continue na mesma nos subsistemas públicos de saúde. Não interessa se a medida é justa e racional, importa sim saber se faz ganhar ou perder votos. Do pior que há em política, o taticismo oportunista. 

Tavisto

Tudo tem limites…



Quando os políticos, os tecnocratas politizados e os gestores politiqueiros entram pelo despudor e pela hipocrisia o melhor mesmo é ignorar. Nesta triste farsa do racionamento sobressai o despudor de instrumentalização dos órgãos (supostamente) independentes que deviam zelar pela apreciação ética das coisas.
Encomendam-se pareceres à medida, dá-se força a “homens de mão” prontos a tudo para sobressair na galera do disparate empossados que estão em funções de gestão, administrativa e clínica, sem qualquer pingo de bom senso e de rigor. Quando tudo corre mal, assobia-se para o ar dando o dito por não dito.
Convenceram-se de que faziam um SNS lowcost sem consequências. Trataram de empurrar os doentes para fora do sistema público para depois, finalmente, naquilo que dói aos privados - os tratamentos inovadores - encontrar uns “artistas” que se dispõem a fazer uns “números de circo” sacrificando, se necessário, quem mais sofre e quem mais precisa.
Quando esta gente se for embora deixará o país mais pobre, o SNS em sofrimento, desvalorizado, sem autoestima, incapaz de responder a quem precisa, não tendo sequer, resolvido nenhum dos seus problemas de sustentabilidade.
Entretanto azar dos que adoecem a Norte. Enquanto ninguém tiver a ousadia de colocar esta esta matéria ao nível da flagrante violação dos direitos humanos vamos tendo uma ou outra voz “resistente” como a do Bastonário da OM. Esperemos que assim se mantenha livre e corajosa por muito tempo. 

Olinda

Distribuição de medicamentos


Como uma grandiloquente tirada à Churchil revela 'outras' intenções…
“É mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo”. Trata-se de um conhecido aforismo cuja aplicação ao momento que se vive em Portugal relativo ao ‘racionamento’ de fármacos, nos hospitais do SNS, assenta que nem uma luva.
As denúncias que surgem das associações de doentes link, dos médicos (e da respectiva Ordem) linke Secretário(s) de Estado link) quer de organismos dele dependente (Infarmed).
Acresce a este facto à partida gravíssimo o tipo de doentes que estão a ser afectados: os oncológicos, doenças infecciosas consumptivas (hepatite C) e os portadores de doenças degenerativas, altamente incapacitantes (AR) link.
As restrições, i. é., o ‘racionamento’, a fazer fé nas declarações do ex-presidente do colégio da especialidade de Oncologia atingem já medicamentos ‘de uso corrente no cancro’ link.Assim, a ínvia desculpa do INFARMED de que os problemas estariam circunscritos a novos fármacos, em fase de avaliação prévia (sendo necessária uma ‘autorização de utilização excepcional’), mais parece o caso da árvore próxima que esconde a floresta.
Esta vergonhosa e espúria realidade, serve, porém, para alimentar outras polémicas e atingir objectivos menos claros.
Na realidade, começa a emergir a suspeição se o CNECV, com o seu parecer link , não só serviu para ‘fundamentar’ cortes do MS (o designado ‘racionamento de custos’) que se traduzem em barreiras no acesso a medicamentos mais onerosos (caso das patologias que são expressas na encomenda) como, por outro lado, será uma arma de arremesso para debilitar a Ordem dos Médicos que tem questionado – embora com alguns erros – as restrições nesta área que estão sob implacável escrutínio profissional, mediático e, até, popular (uma realidade de que o MS não terá apercebido).
Os recentes problemas relativos ao Conselho de Ética da OM, a quem foi solicitado que se pronunciasse sobre o parecer do CNECV, bem como denúncias avulsas de conflitos de interesses, são a ponta do iceberg desta escalada que, dia a dia, mostra estar, acima de tudo, empenhada na remoção dos obstáculos que interponham à ‘saga do racionamento’ orçamental ‘custe o que custar’ link.
Aliás, significativo das intenções subjacentes é o facto de apesar da celeuma entre os conceitos de racionamento versus racionalização nunca o CNEVM se mostrou disposto a emendar (ou clarificar) o parecer tornando-o transparente para o solicitador [MS], claro e rigoroso para os profissionais e, finalmente, inteligível pelos cidadãos.
Igual ‘resiliência’ (um termo em voga) foi exibida em relação ao afloramento de um ‘eutanásico’ racionamento de medicamentos em função da idade dos doentes que o parecer do Conselho irresponsavelmente se intrometeu sem deixar clara e transparente qual a sua posição (ou oposição?).
No meio das confusões instaladas existe um outro lado, o das vítimas, isto é, dos utentes, que são o sujeito (passivo) destas ‘guerras’ e estão no fim da linha.
Quando recentemente o presidente do CNECV declarou que: ‘Nunca tão poucos fizeram tão mal em tão pouco tempo…’ link,pretendia referir-se aos dirigentes da OM, mas a adequada tirada poderia ser outra; ‘Nunca tão poucos fizeram tão mal em tão pouco tempo… a tantos (utentes)’.
Esta, aliás, deveria ser a ponderada constatação de todos os intervenientes.
E-Pá! 

O Presidente do Norte

O presidente do conselho de administração (CA) do Hospital de S. João, no Porto, continua debaixo de fogo. Desta vez as críticas têm a assinatura do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), que acusou António Ferreira de ter proferido “declarações alarmistas” que “mancharam a imagem da instituição e do Serviço Nacional de Saúde [SNS] junto da opinião pública”. link
“Os médicos do Hospital de S. João esperavam certamente do doutor António Ferreira informações mais rigorosas e um maior reconhecimento do trabalho da maioria dos profissionais ao longo do seu mandato”, afirma o SMN em comunicado.
Esta semana no programa Olhos nos Olhos da TVI 24, o médico admitiu a “redução de 20% dos recursos humanos do hospital, se tivesse os restantes profissionais em dedicação exclusiva e se pudesse pagar intensivos”. O administrador considera que a unidade que dirige poderia prescindir de mais de mil profissionais com a mudança de algumas regras, como os restantes trabalhadores passarem a trabalhar em regime de exclusividade e com contratos de 40 horas semanais.
O SMN analisou atentamente as declarações e considerou que António Ferreira demonstrou “falta de objectividade” e “vaidade de ‘administrador bem sucedido’”, evidenciando “uma certa colagem ao poder (...)”. Segundo o comunicado, o presidente do CA do S. João “enredou-se em elucubrações sobre um possível sobredimensionamento dos recursos do hospital que, procurando ignorar a realidade concreta da política de saúde que tem sido implementada pelos diferentes governos, só veio adensar as legítimas preocupações de todos os grupos profissionais da instituição”.
No Hospital de S. João trabalham 5600 profissionais e destes apenas 188 têm dedicação exclusiva ao hospital, sendo todos médicos, segundo informação avançada ao PÚBLICO pelo gabinete de comunicação daquele estabelecimento hospitalar.
JP 11.01.12
O SMN não gostou e muito bem das palhaçadas do presidente do S. João.

Ao que isto chegou...




O estado a que chegámos em banda desenhada.
Tavisto

Dá para tudo...

E a suprema hipocrisia de ousar citar uma resolução do Tribunal Constitucional [a] para ‘justificar’ a 'enorme' subida das 'taxas moderadoras' quando o texto do relatório FMI, na sua globalidade, é um insultuoso atropelo aos mais elementares preceitos constitucionais?
[a]- ... While the taxas moderadoras have been increased sharply since 2010, they are expected to generate no more that €160 million in revenues in 2012.
80 A past Constitutional Court ruling established 1/3 as the maximum cost recovery threshold, a level much higher than the taxas moderadoras that are currently being charged. More cost-sharing would help to address concerns about overconsumption while observing the Constitutional constraints...(Pág. 73) link

Por encomenda


INTERNATIONAL MONETARY FUND

PORTUGAL, PREFACE
At the request of the Portuguese authorities In drafting this report, the team benefited greatly from discussions with Ministers and/orState Secretaries from all 11 ministries as well as their staffs, and with variousrepresentatives of other organizations. Specifically, the mission met with Ministers of StateVítor Gaspar (Finance) and Paulo Portas (Foreign Affairs); Ministers José Pedro Aguiar-Branco (National Defense), Miguel Macedo (Internal Administration), Paula Teixeira daCruz (Justice), Álvaro Santos Pereira (Economy and Employment), Assunção Cristas(Agriculture, Sea, Environment, and Spatial Planning), Paulo Macedo (Health), Nuno Crato(Education and Science), and Pedro Mota Soares (Solidarity and Social Security); and Secretaries of State Carlos Moedas (Prime Minister’s Office) and Paulo Simões Júlio (Minister Assistant of Parliamentary Affairs). The mission team greatly benefitted from theguidance provided by State Secretaries Luís Morais Sarmento and Helder Rosalino of theMinistry of Finance, and Miguel Morais Leitão of the Ministry of Foreign Affairs. The team would like to express its sincere appreciation for the excellent discussions and feedback provided by the government officials it met with. It would like to express its gratitude to the staff of ESAME for its outstanding coordination and logistical help during the team’s stay in Lisbon.
……………………………
O Governo pediu, o FMI aceitou, os membros do governo colaboraram, e o que ainda resta do Estado de Direito Social está à mercê desta camarilha de políticos medíocres e incompetentes.

E nós deixamos! 

Tavisto

Extermínio


É isto que o pessoal do FMI quer dinamitar. Uns tugas pobretanas com um serviço de saúde desta qualidade, aonde já se viu ? Com a ajuda dos vendidos Passos & compª, o futuro do SNS é cada vez mais preocupante. Temos de sair à rua. Queimar as bíblias liberais pacotilha. E correr com os vendilhões. Morte ao FMI. Pim!

Portugal, RETHINKING THE STATE—SELECTED EXPENDITURE REFORM OPTIONS  link  , Gerd Schwartz, Paulo Lopes, Carlos Mulas Granados, Emily Sinnott,  Mauricio Soto, and Platon Tinios
Segundo estes senhores , as taxas moderadoras em Portugal  são “relativamente reduzidas” sendo possível aumentar o seu valor até um terço do custo do serviço, sem infringir a lei constitucional. Na urgência de um hospital central, por exemplo,  as taxas poderiam duplicar, até 40 euros, dado o preço do atendimento estar avaliado em 121,81 euros. Na prática, o acesso aos hospitais privados passaria a ser mais barato. Sem dúvida um poderoso instrumento de dinamização do processo de privatização do SNS. link

A DGS continua a estudar...

Estaremos à beira de mais um 'nado-morto'?...
A taxa de mortalidade infantil (neonatal) aumentou durante 2011 link o que sendo uma não sendo uma ‘absoluta’ inversão de tendência (será uma ‘oscilação’?), representa um inequívoco 'sinal de alarme' em relação a um fantástico percurso trilhado na última dezena de anos.
A atitude defensiva adoptada pela DGS que prefere esperar por dados de 2012, para ‘confirmar’ a dinâmica destes dados não é prudência nem aquilo porque pretende fazer passar: desdramatização. Será antes a natural preocupação que uma mudança neste indicador possa representar a ruína daquilo que tem sido sistematicamente apregoado: “os cortes são racionais e a qualidade está garantida”!
Na verdade, cinco semanas após a divulgação desta notícia link, a DGS continua laboriosamente a ‘estudar’…
Provavelmente estará a aconselhar-se com o campeão de todas as prevenções link– o excelso secretário de Estado Fernando Leal da Costa – para conferir 'sustentabilidade' à já tardia explicação.
No tempo em que as raposas têm por incumbência guardar os galinheiros linknão seria avisado nomear (mais) uma comissão para estudar este problema?. Ou melhor, não seria politicamente correcto ‘implementar’ a natividade de mais uma comissão?
Já agora - e para acalmar as hostes – porque não um grupo de trabalho independente e idóneo integrando técnicos de saúde materno-infantil, epidemiologistas, especialistas em saúde pública e, fundamental, com total evicção de ‘carreiristas políticos’ (oriundos de todas e quaisquer 'jotas').
Enfim, um grupo capaz de diagnosticar os problemas e produzir uma análise retrospectiva sobre este importante ‘alerta’ e que - já que estamos no âmbito da saúde materno-infantil - não tenha qualquer semelhança com um lamentável e trágico nado-morto…
e-pá!

Palhaçadas

 Em directo:link

Pau mandado

«Os representantes dos médicos falam em conspiração para destruir a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa. link
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) questionam, num comunicado conjunto divulgado esta terça-feira, a pressa em fechar a maior maternidade do país - apesar de não haver ainda um prazo oficial, é apontado o mês de Março para o encerramento.
“Há situações que são inexplicáveis. O que é surge de repente tão premente que obrigue a encerrar, em cima do joelho, uma instituição como esta com 80 anos e que tem dado provas de um bom funcionamento”, questiona Pilar Vicente, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, da FNAM.
“Qual é o interesse que está por trás disto e o que é que obriga, que pistola é que se tem apontada para haver esta voracidade, esta vertigem de encerramento tão rápido. As pessoas estão sempre com muita pressa para fazer coisas, normalmente mal, sem estudos e nada planeado. Isto de facto parece uma conspiração. Qual é a ideia? São contra as pessoas que lá trabalham, são contra a instituição, há interesses económicos por trás, há negócios, há o quê? Isto não tem pés nem cabeça”, diz Pilar Vicente.
Os sindicatos dos médicos exigem que os profissionais da MAC sejam envolvidos em todo o processo e isso não tem acontecido, sublinha a dirigente Pilar Vicente.
O comunicado do SIM e da FNAM critica a anunciada intenção de instalar a unidade de neonatologia da Maternidade Alfredo da Costa no Hospital D. Estefânia, porque vai implicar o gasto de verbas avultadas.
Os sindicatos falam também no desmembramento e deslocação de equipas, mas sublinham que nada está ainda a ser feito.»
rr 08.01.13

Tudo feito em cima do joelho para troika ver. Paulo Macedo não engana. Tal como Passos, mais um pau mandado da troika.

A Reforma dos CSP


Segundo Paulo Macedo, uma das prioridades de 2013 é a revisão da lista de utentes do SNS, para que "mais portugueses" tenham acesso a médico de família.link
Os CSP realizaram em 2012 (jan-out) menos 1.316.351 consultas médicas presenciais (-6,9%) em relação ao período homólogo de 2011. Menos 911.368 do total de consultas médicas realizado neste período (presenciais, não presenciais e domiciliárias. E menos 493.370 atendimentos nos Serviços de Urgência do SNS. link.
Antevê, certamente, o ministro da saúde que os novos utentes que irão aceder às vagas resultantes do expurgo das listas  terão melhores condições para pagar as elevadas taxas moderadoras (apesar do congelamento de 2013) e os transportes para se deslocarem às consultas e tratamentos.
Suspeitamos que apesar das medidas anunciadas  (revisão das listas de utentes, contratação de médicos e alargamento da carteira de utentes por médico mgf), o marasmo da reforma dos CSP manter-se-à em 2013. Paulo Macedo já compreendeu que mais produção dos CSP implicará maior e melhor capacidade da rede hospitalar, exangue aos golpes de financiamento impostos pela troika. Ou não andará isto tudo interligado ?!...

Nota: Face aos resultados dos CSP (2012) como parecem mais distantes as projecções do PNS 2012-2016 (quadro acima). 
 
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