Sustentabilidade da Saúde

Na pág. 60 do relatório da OCDE "The status of health in the european union: towards a healthier europe", coordenado por Vittorio Silano coadjuvado por Luciano Vittozzi, relativamente ao subtema Demands on healthcare services, uma perspectiva interessante (porque diferente) da (previsível) sobrecarga da oferta, derivada do envelhecimento da população (como sabem, é apontada como razão para maior crescimento futuro das despesas em saúde face aos respectivos PIB e invocada por razões de sustentabilidade do sistema): as gerações recentes (mais novas) são, em média, mais bem formadas (do ponto de vista de hábitos de promoção de comportamentos de vida saudável e prevenção) do que as gerações mais velhas. Estas são também igualmente, em média, mais saudáveis do que as que as precederam.
Deste modo, a sobrecarga da oferta (maiores riscos de comorbilidades, limitações de actividade física, doenças crónicas e saúde mental) pode ser parcialmente compensada por menores custos de entrada de novos doentes no sistema. Doentes mais «bem educados», por isso menos pesados justificam um investimento continuado e persistente em políticas de promoção da saúde e prevenção da doença. Os destinatários destas políticas não têm sexo nem idade.
Em países com NHS, como o nosso, não estamos sós. Temos uma estrutura de estado social de apoio à debilidade e à doença, com a perspectiva de rápido retorno à vida activa. Os governos destes países não têm desculpa para não investir nesta área; não é coerente com a necessidade de assegurar sustentabilidade futura.
Francisco cabral, facebook

Importante, no entanto…
A entrada de novos doentes no sistema resulta directamente do estado de saúde dos cidadãos em função das determinantes da saúde prevalecentes na população dum determinado lugar (país) num determinado tempo.
Como sabemos, as determinantes da saúde são de diversa natureza como contexto  demográfico e social (cultura, política, género, factores socioeconómicos e capacidade comunitária), ambiente físico (condições de vida e de trabalho), dimensões individuais (legado genético e comportamentos) e acesso a serviços de saúde (kirch, 2008).
Não pondo em causa os avanços culturais da nova fornada de cidadãos os riscos ligados aos comportamentos permanecem muito elevados (álcool/drogas/hiv/sida).
Uma coisa é certa, no nosso país não vai haver dinheiro nem vontade política para investir nestas políticas nos próximos tempos (prevenção). Devemos contar que a grande machadada que este governo está a dar no financiamento da Saúde e rendimento dos portugueses determinará alterações profundas do estado de saúde da população e prejuízo grave da sustentabilidade do SNS.
"The status of health in the european union: towards a healthier europe" link

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