Actividade assistencial, Maio 2013


Depois da espectacular recuperação registada no período jan-abr 2013, os CSP registaram menos 250.751 (mantiveram diferença:-1,9%) consultas em jan-Mai 2013, relativamente ao mesmo período de 2012.
"Um esforço assinalável que acabará por gerar certamente resultados positivos até ao final do ano." A encomenda de um qualquer estudo a um qualquer especialista de serviço ajudará a reforçar o êxito do exercício.
Monitorização mensal da atividade assistencial, maio 2013  link

Três palavras, uma depressão


Qual destas três palavras não entendeu? Não há dinheiro. Assim falava Vítor Gaspar e assim ainda falam os que pretendem tornar permanente a política de austeridade depressiva: não havia, não há e não haverá dinheiro. Não havia dinheiro e daí a troika e o seu memorando. Não há dinheiro e daí a proposta pós-democrática do Presidente da República. Não haverá dinheiro e daí o segundo resgate, qualquer que seja o seu nome, com a mesma austeridade, desta vez sem o FMI. Todas as fraudes - do "vivemos acima das nossas possibilidades" ao "todos temos de fazer sacrifícios" - e todas as políticas que estas inspiraram nos últimos dois anos - da mais predadora vaga de privatizações aos cortes nos salários directos e indirectos - são tributárias do poder de, com três palavras, enganar os portugueses com a verdade.
É verdade que não havia e não há dinheiro suficiente para pagar salários, pensões e todas as outras despesas públicas, sobretudo se se incluir, decisivamente, o fardo de uma dívida pública crescente, que tem de ir sendo amortizada, e cuja despesa anual, só com juros, aumentou mais de 50%, entre 2010 e 2013, sendo já bastante superior à totalidade das receitas previstas com as privatizações no memorando. É também verdade que, como sublinhou o ex-secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, mesmo quando se assinou o memorando havia dinheiro para pagar salários e pensões, já que, só no decisivo primeiro semestre de 2011, as receitas de IRS e IRC ultrapassavam as despesas com salários, e as contribuições para a Segurança Social chegavam e sobravam para pagar as pensões.
De qualquer forma, estando exclusivamente dependente dos agentes dos mercados financeiros ou, na falta de interesse destes, da "bondade de estranhos", um Estado sem a possibilidade de financiar monetariamente os seus défices não é bem um Estado e a sua dívida não é definitivamente soberana. Estes estranhos constituíram, em 2011, uma troika, nada bondosa, que nos emprestou dinheiro para garantir que os credores privados, sobretudo os bancos, não tivessem perdas com a dívida portuguesa num mundo ainda traumatizado com as consequências da falência do Lehman Brothers. Estas perdas adviriam de uma decisão, que hoje é mais difícil do que era em 2011, mas que é igualmente necessária: recusar o memorando e declarar uma moratória ao pagamento da dívida, isto é, uma suspensão dos pagamentos dos juros e das amortizações ao longo de um processo negocial que terá na agenda, entre outros temas, a reestruturação da tal dívida, reduzindo em profundidade o seu montante.
Esta decisão é hoje mais difícil, mas não impossível, porque mais de metade da dívida pública portuguesa está já nas mãos dos credores oficiais, da troika, enquanto que, em 2010, metade estava na mão de credores privados estrangeiros. É mais fácil a um Estado soberano negociar em posição de força com os últimos, impondo-lhes perdas numa dívida sob a lei nacional.
No seu mea culpa sobre a depressão grega, o FMI tirou uma conclusão que também se aplica a Portugal: a Grécia devia ter reestruturado a dívida em profundidade, logo em 2010. Isso só não se fez porque os países europeus mais poderosos e as instituições europeias não quiseram e porque conseguiram impor essa vontade a elites nacionais subservientes, apostando antes em salvar as suas grandes instituições financeiras com os tais resgates. Os bancos do Centro europeu tiveram assim tempo de ir transferindo uma dívida pública crescentemente impagável para a troika. Um processo replicado na dívida privada pelo congelamento do financiamento externo à banca nacional, prontamente substituído pelo BCE.
Esta socialização de perdas potenciais esteve, está e estará associada a uma condicionalidade "austeritária". De facto, não há outro nome para uma imposição externa da austeridade apoiada internamente pelas fracções dominantes do capital, em especial do financeiro, ansioso por garantir o acesso ao dinheiro barato e potencialmente ilimitado do BCE que é necessário à sua sobrevivência. Estas políticas são a melhor forma de transferir custos sociais para baixo, enquanto os de baixo transferem recursos para cima e para fora. Por isso, o memorando foi apresentado por muitos como o melhor que tinha acontecido à economia portuguesa, uma oportunidade para fazer coisas impossíveis em circunstâncias democráticas normais. O Governo ainda em funções apresentou-o como uma bandeira, aplicando com denodo as suas várias versões.
Façamos então um balanço e comecemos por ser generosos: as sucessivas revisões do memorando eram inevitáveis, dado o ponto de partida analítico-político e dada a incerteza que sempre rodeia qualquer plano. O melhor que se pode dizer é que a confiança europeia na fraude conveniente da "austeridade expansionista" levou a uma subestimação dos impactos recessivos da austeridade. Isto afectou a trajectória do défice orçamental e da dívida pública, as tais variáveis que se sabe serem endógenas, ou seja, dependentes do andamento da economia.
Chegaremos ao fim de 2013 com uma economia com menos capacidade para gerar riqueza, até porque terá quase menos 500 mil postos de trabalho. O "não há dinheiro" também é uma profecia que se autorrealiza. Só a diferença entre a taxa de desemprego prevista, em 2011, pela troika para 2013 e o último valor previsto agora - 13,3% e 18,2%, respectivamente - já é superior à taxa de desemprego total em 1999, ainda antes da adesão ao euro. A actual taxa de desemprego está próxima do dobro do máximo histórico antes da adesão a uma moeda que não nos serve, até porque não a controlamos politicamente e quem o faz tem interesses divergentes. O valor do investimento empresarial terá caído terá mais de 20%, só nos dois anos, 2012 e 2013, que já deviam ser de recuperação, segundo as previsões originais. O mesmo INE que regularmente inquere milhares de responsáveis empresariais sobre as razões para o investimento ou para a falta dele, obtém igual resposta há muito tempo: fracas expectativas de vendas em primeiríssimo lugar; não há procura que justifique manter a capacidade produtiva instalada, quanto mais expandi-la. Toda a narrativa oficial sobre transformação estrutural e modernização económica não passa assim de mais uma fraude.
Neste pano de fundo depressivo, há dois "sucessos", um que sempre foi alardeado e o outro que o começa a ser, a partir do momento em que a vergonha desaparece e a natureza de classe desta política é assumida. Falo da eliminação do défice da balança corrente e da queda dos salários - mais de 7,0% entre destruição de emprego e cortes nos salários, só em 2012 -, ao mesmo tempo que os rendimentos de propriedade cresciam sem parar. O primeiro "sucesso" foi conseguido sobretudo graças à compressão da procura interna e aos seus efeitos recessivos, o que reduz as importações, mas é de difícil compatibilização com a redução do défice orçamental, já que a recessão que gera consolidação externa reduz as necessárias receitas orçamentais. O segundo "sucesso" foi conseguido graças a um desemprego de massas, ao medo que este gera, à destruição em curso da contratação colectiva e dos direitos laborais e, finalmente, aos cortes impostos na função pública. Esta regressão laboral, parte essencial da chamada desvalorização interna, para além de aumentar o número de famílias insolventes, aumentará as desigualdades e a precariedade, desmotivará ainda mais os trabalhadores, desincentivará investimentos em formação, promoverá os empresários mais medíocres que vivem da mão-de-obra barata e fragilizará ainda mais o Estado-providência. O que existe de mais decente neste país - as suas escolas, os seus hospitais, as suas protecções sociais, os seus espaços públicos - está em risco a cada dia que passa.
De facto, sabemos que o Estado-providência é feito de serviços públicos e de transferências sociais, quanto mais universais melhor, porque mais eficazes e mais redistributivas, mas também de uma política económica que garanta empregos decentes e de uma contratação colectiva que atribui um papel aos sindicatos, um dos seus principais pilares políticos. Estes são os cada vez mais frágeis alvos a abater pela troika e pelos seus aliados internos. O desemprego é um instrumento. Por exemplo, os cortes de 4,7 mil milhões de euros de despesa almejados pela troika aumentarão brutalmente o desemprego. Se seguirmos as estimativas do próprio Banco de Portugal - por cada euro cortado a economia cai dois -, só esta escolha terá um efeito recessivo de mais de 5%. As mesmas políticas perversas gerarão sempre os mesmos efeitos perversos. E daqui não saímos com estas elites nacionais e com este enquadramento europeu.
Que interesse nacional é servido por estas políticas? O interesse da maioria dos que aqui vivem, que têm cada vez menos dinheiro e menores possibilidades de aqui viver, não é de certeza. Talvez seja o interesse da minoria de milionários nacionais, cujo número aumentou 3,4% só no ano passado, e dos credores internos e externos.
Vítima das suas elites económicas e políticas, Portugal foi metido num sistema cambial rígido, o euro, que mais parece o padrão-ouro de má memória dos anos trinta. Portugal abdicou neste processo de todos os instrumentos de política económica - cambial, monetária, orçamental, industrial, comercial, de controlo de capitais - de que um Estado necessita para se desenvolver. A democracia foi esvaziada de densidade material e a deliberação foi substituída por um moralismo atroz que serve para ofuscar o que está em causa. O resultado desta inserção dependente foi uma colossal dívida externa, privada na sua maioria, alguns dos piores anos da história económica do país em termos de crescimento e de emprego e a certeza de que, assim, para a maioria o pior ainda está para vir.
Que fazer então neste país? Temos de regressar à política da dívida com que começámos; esta é a nossa arma, a arma dos que sabem que têm de desobedecer às estruturas de dominação europeias, de preferência coordenados com outros na mesma situação por essas periferias afora. As elites nacionais e europeias farão a única coisa que agora lhes resta: tentarão meter-nos medo com a saída do euro. Precisamos de um Governo que prepare o país para uma eventualidade que terá certamente custos, mas também muitos benefícios: com controlo de capitais e um sistema financeiro socializado, com um banco central capaz de emitir moeda e
com política industrial autónoma ganharíamos margem de manobra; teríamos uma moeda que valeria menos, certamente, mas isso seria bom para devedores, para os que exportam, para os que produzem para o mercado interno, para os que estão desempregados e, logo, para os que estão empregados, que teriam menos medo. Só se não tivermos medo é que seremos capazes, enquanto país, de superar três palavras malditas e uma depressão.
Nota: este artigo beneficiou do livro de Emanuel dos Santos - Sem Crescimento não há Consolidação Orçamental, Lisboa, Sílabo, 2012 - e retoma temas de um livro colectivo de que sou co-autor e que será lançado em Setembro - Resgatar Portugal: a Troika, a Crise e as Alternativas Urgentes, Lisboa, Tinta da China, 2013.

João Rodrigues, Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas link

Consultores de serviço

Com efeito, existem sempre consultores de serviço que trabalham para qualquer governo, qualquer Ministro ou qualquer politica, seja dentro dos gabinetes, seja em regime de outsourcing.
É tudo uma questão de preço e conveniência.
Ainda acabarão por engendrar uma qualquer metodologia de investigação que demonstre que as doenças têm sempre "o seu quê" de fraudulento. Preparemo-nos para sermos confrontados com assíduas operações policiais com nomes de código sugestivos do tipo: "Doença fingida"...  ”Vai trabalhar ao malandro”…   Olinda

O Grupo de trabalho, a 'boa fé' e os ventos do Sul…


O Despacho n.º 9495/2013 do S.E. da Saúde linksobre o tal 'grupo técnico' de análise da oferta, apresentação de uma carteira de serviços por administrações regionais e propor 'ajustamentos é uma primorosa 'obra-prima' do 'engonhanço' mas, para além disso, um exemplo paradigmático da imagem do gato escondido com o rabo de fora.
Olhemos para o artigo 7.º do citado despacho onde se escreve: "O grupo técnico deve concluir e apresentar -me o relatório com as propostas referidas no n.º 2 do presente despacho até 15 de setembro de 2015, sem prejuízo da apresentação quinzenal até essa data de relatórios intermédio de desenvolvimento de trabalhos".
Trata-se, portanto, de um diploma governamental elaborado em 19.07.2013, estava Cavaco a meditar na companhia das cagarras nas Desertas e na capital do ex-império negociava-se de 'boa fé' os 3 pilares da ‘salvação nacional'. Um deles, convém recordar, era antecipação das eleições legislativas para (a partir de...) Junho de 2014.
Manuel Teixeira, entretanto, antecipou-se à comunicação do PR ao País em 21.07.2013 e resolve anunciar o fim da legislatura em Setembro de 2015.
Bravo!
Ou foi um palpite de imbuído de uma extraordinária dose de 'boa fé negocial’, ou foi uma ‘bichanice’ trazida pelos ventos do Sul (oriundos por exemplo das Desertas) …

E-pá!

CSP (ARLVT), Consultas de «especialidades» descem 65,8%


De acordo com o  «Boletim Estatístico 1º Trimestre 2013 - Cuidados de Saúde Primários (CSP)» da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) linkno 1.º trimestre de 2013, verificou-se «um decréscimo de 7% do total de consultas por programa de saúde face ao período homólogo», com as consultas de «Especialidades» a registar a «maior variação negativa»: quebra de 65,8% (23.986 consultas) face ao período homólogo de 2012. Recorde-se que o último relatório para a reforma dos hospitais recomendava precisamente o aumento das consultas de especialidade nos CSP e mesmo a transferência dos profissionais para essas consultas.
TM 16.07.13

Pretexto para o MS encomendar mais um daqueles estudos do PPB a demonstrar que esta redução nada tem a ver com o aumento das taxas moderadoras nem é influenciada pelas ‘condições meteorológicas registadas nos primeiros três meses do ano’.

Paulo Macedo (super star) em jeito de balanço

...O que destaca nestes dois anos?
Saliento que foi possível manter em funcionamento um sistema de saúde que estava em ruptura  reforçámos a trajectória de reequilíbrio financeiro, condição necessária à sua sustentabilidade, mantendo uma resposta de qualidade às solicitações dos cidadãos que procuraram o SNS. Este é um ponto essencial. Face às dívidas acumuladas, às ameaças de cortes de fornecedores e ao aumento da procura dos serviços do SNS – devido à diminuição do rendimento disponível e das demais consequências negativas da crise –, conseguimos lançar um conjunto de reformas estruturais nas áreas do medicamento hospitalar, das carreiras médicas, da transparência, das tecnologias de informação, a par de medidas sem precedentes na acreditação de instituições de saúde e de combate à fraude e ao desperdício. Eu acredito no SNS e estes são aspectos cruciais para que este seja mais sustentável.
O que gostaria de fazer até ao fim da legislatura?
Até ao fim da legislatura vamo-nos concentrar na redução da carga da doença, apostando fortemente na saúde pública, aproximando os cuidados de saúde dos cidadãos e reforçando os cuidados primários e continuados.
Por outro lado, continuaremos a reforma hospitalar e a reforma da política do medicamento e investiremos na excelência do conhecimento e na inovação, procurando criar as condições de contexto que potenciem a capacidade e a consolidação do conhecimento existente, em três domínios prioritários: investigação e desenvolvimento, excelência de cuidados e excelência na gestão da informação.
A nível da gestão, caminharemos para a separação do financiamento da prestação de cuidados. Tudo isto concorre para o grande objectivo de aumentar a eficiência na prestação de cuidados de saúde, para criar condições estruturais de forma a que as unidades de saúde sejam sustentáveis no médio e longo prazo.
Entrevista de Paulo Moita de Macedo, Ministro da Saúde, à revista Frontline - julho 2013 link
Segundo o próprio, não fora a sua gestão providencial, o SNS já teria colapsado, kaputt, finito. Lisonjeiro para quem, apesar de tudo, pouco tem feito em relação ao que é necessário fazer para levar a cabo a reforma da Saúde. Mas, salve-se, até ao final da legislatura, "prossegue" a reforma pingo doce da rede hospitalar. 

Reforma hospitalar, segue dentro de momentos

O ministério da saúde acaba de nomear mais dois grupos de trabalhos. 
Um dos grupos com a missão de avaliar o planeamento estratégico e operacional da rede hospitalar. link Nomeadamente, a adequação da oferta nacional, regional e local de cuidados hospitalares às necessidades em saúde das populações servidas e a carteira de serviços hospitalares por região de saúde. Identificação dos ajustamentos e alterações operacionais necessários nos planos estratégicos de cada entidade, designadamente, rever e propor ajustamentos às áreas de influência directas e indirectas de cada unidade hospitalar, identificar os ajustamentos a introduzir face às metas nacionais definidas pela Equipa da Reforma Hospitalar. Definir o modelo de acompanhamento, monitorização e avaliação da aplicação e resultados dos planos estratégicos. 
Ao outro grupo de trabalho cabe definir quais os cuidados hospitalares a transferir para os CSP link 
Entretanto, a equipa da Reforma Hospitalar para o período 2013-2015, liderada pelo especialista Mendes Ribeiro, aguardará pacientemente pela conclusão destes trabalhos e respectivos relatórios para por em marcha, finalmente, a mãe de todas as reformas- A que há-de ditar a sina da nossa rede hospitalar a privatizar.
drfeelgood

Mariana Diniz de Sousa

Poucas vezes uma gestora pública terá a possibilidade de ver reconhecido em vida o seu imenso e inteligente esforço a bem da saúde dos Portugueses. Mariana Diniz de Sousa foi enfermeira, professora, administradora de recursos humanos e de serviços, consultora de ministros, directora-geral, bastonária dos seus pares. Teve direito aos mais elevados galardões públicos. Mariana foi sobretudo uma mulher exigente consigo, com a profissão e com o ensino que organizou em moldes modernos e responsáveis. Esteve em todas as batalhas do seu tempo: graduada por uma escola de elite, criou escolas de elite, onde a qualidade era atributo indispensável. Semeou conhecimento, experiência, inteligência e bom senso. Desenvolveu condições que geraram discípulos, seguidores e seguidoras. Puxou sempre para cima, tornando os enfermeiros portugueses dos melhores da Europa, como infelizmente a actual emigração de profissionais bem demonstra. E tudo isto com afectos, com inteligência emocional, fruto de uma dedicação total à profissão e aos serviços e de um temperamento extravasando simpatia. Mariana Diniz de Sousa deixou uma sementeira de profissionais ávidos de conhecimento, capacitados para as tarefas mais difíceis e plenos de sentido de dever. Uma Mulher exemplar.

Correia de Campos JP 22.07.13 

Acesso aos cuidados, relatório anual


«Através do estudo dos dados de utilização de cuidados de saúde, a ERS corrobora que, de 2011 para 2012, ocorreu uma redução na utilização global de consultas médicas presenciais nos CSP, variação esta mais acentuada no conjunto de consultas de utentes isentos de taxa moderadora, i.é., nos utentes que não enfrentam a barreira financeira das taxas. Mais refere que tal impacto poderá decorrer de um efeito de redução global do consumo de bens e serviços, face às actuais dificuldades económicas em Portugal, e não por alterações ao novo modelo de taxas moderadoras, dado que os utentes isentos por condição de insuficiência económica têm agora um maior peso relativo no total de utentes isentos.»

Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados de Saúde no SNS 2012 link

Os utentes dos CSP, além do aumento das taxas, perderam, muitos deles, transporte gratuito a par da redução das pensões de reforma. Bem pode o ministro da saúde esforçar-se por nos convencer, através da tentativa de melhoria do registo de dados, estudos encomendados a "experts" solícitos e doses maciças de propaganda, que o SNS mantém o nível de acesso aos cuidados de saúde verificado em anos anteriores...  

Temos de procurar escrutinar, criticar melhor os dados que o MS publica regularmente.
Os CSP registaram em março do corrente ano um aumento de 103.348 utentes e um saldo negativo de  -552.340 consultas relativamente ao período homólogo (jan-mar) 2012 link. Em Abril, o número de utentes  aumentou para 227.739 (mais do dobro) e o saldo negativo de consultas (-552.340) do período anterior (jan-mar), reduziu para -194.724 (jan-abr) relativamente ao mesmo período de 2012 link Certamente haverá uma boa explicação para este salto abrupto da produção dos CSP…

clara

MAC, Tribunal trava fecho

...

Sentença obriga Ministério da Saúde a manter maternidade aberta e a repor serviços entretanto transferidos para a Estefânia. link link

A vaquinha da ADSE


começa a emagrecer...
Depois de andar a pagar aos privados com o calote sistemático aos hospitais públicos, de fechar os olhos à aldrabice das consultas em saldo compensadas com generosas margens noutras prestações vem agora a triste notícia da harmonização dos preços com o SNS. E ainda a procissão vai no adro. Se o Ministro decidir fazer a agulha da luta contra a fraude nesta área vai ter surpresas muito interessantes e uns bons milhões a mais de folga...

..."Ministério da Saúde poupou 33,6 milhões de euros em despesas da ADSE desde agosto
Menos 29 por cento do que se fossem aplicadas as tabelas não uniformizadas da ADSE.
O plano de uniformização de preços de despesas médicas entre a ADSE e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) permitiu a poupança de 33,6 milhões de euros, até 30 de junho, em patologia clínica, radiologia e medicina nuclear.
Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na quarta-feira, a ADSE - Direção-Geral de Proteção Social dos Trabalhadores em Funções Públicas pagou, aos prestadores privados, 82.507.694 milhões de euros (ME) em despesas naquelas três áreas, desde agosto de 2012.Este montante - que representa menos 29 por cento do que se fossem aplicadas as tabelas não uniformizadas da ADSE -, refere-se a pagamentos de despesas desde 01 de agosto de 2012, no caso de patologia clínica, desde outubro do mesmo ano, na radiologia, e desde 01 de março deste ano, na medicina nuclear (inclui radioterapia.
Na patologia clínica, as despesas pagas consoante as tabelas do SNS permitiram uma poupança de 20,4 por cento, em relação aos valores anteriores de referência da ADSE.
A variação foi mais acentuada em radiologia, uma vez que a harmonização de preços entre a tabela ADSE e o SNS foi de menos 38,9 por cento, ou seja, uma poupança de 25.489.313 ME.Na medicina nuclear, registou-se uma variação positiva de 128,9 por cento, justificada pela inclusão dos radiofármacos nas técnicas imagiológicas, utilizadas nas prestações de serviços. Anteriormente, os radiofármacos, com pequenas quantidades de isótopos radioativos, eram pagos além do preço estipulado em tabela a preço de custo, e a ADSE ressarcia o custo direto de acordo com cada prestador de serviço.Os novos preços dos radiofármacos foram fixados de acordo com informação de auditoria da Inspeção Geral de Atividades em Saúde, junto dos prestadores públicos e privados.Nas três áreas, a despesa bruta, caso fosse aplicada a tabela anterior da ADSE seria de 116.150.9560 ME, mas a harmonização permitiu pagar apenas 82.507.694 ME, de acordo com os números do Ministério da Saúde, divulgados na quarta-feira.Ainda não são conhecidos os números relativos a cirurgia e outras áreas médicas"...  link

Olinda

CSP, recuperam consultas médicas ...

No período Jan-Mar 2013, os CSP realizaram menos  552.340 consultas médicas em relação a igual período do ano anterior.  link 
No período Jan-Abr 2013, os CSP realizaram menos 194.724 consultas médicas em relação ao período homólogo de 2012. Ou seja, a não haver engano, os CSP recuperaram no último mês 357.616 consultas. Um verdadeiro milagre da multiplicação dos pães . link
A confirmar-se este feito, estamos perante a prova que faltava para ilibar o aumento das taxas moderadoras de todos os males. Isto, depois do notável esforço do Pedro Pita Barros.link
Clara

Acima das nossas possibilidades

O 'filme' que nos querem impingir até ao fim...
É fácil - para não dizer fastidioso - prever a 'reacção' dos responsáveis pela Saúde em Portugal.
Não andará longe 'disto':
- Não tardará a aparecer um qualquer pândego acoitado na João Crisóstomo a perorar que estávamos (tal como a Espanha) a colher e a transplantar 'acima das nossas possibilidades'.
- Depois, o MS não deixará passar esta oportunidade para encarar estes dados pelo lado da sustentabilidade do 'modelo social'. E de imediato 'elogiar' (contabilizar) os efeitos destas 'novas' situações sobre a CGA e a CNP e a sua 'viabilidade financeira'.
- Todavia, dentro daquela máxima de que só existe uma 'real' alternativa que oscilará entre brutais e cegas regressões (cortes) e fecho puro e simples do SNS, Paulo Macedo, concluirá ufano que o seu 'ajustamento' está a dar resultados e deverá, portanto, prosseguir (ou ser intensificado).
- De resto, concluirão estes insanos 'resgatadores' que os 5 anos de retrocesso detectados estão em absoluta convergência com o período de recessão económica... o que demonstra a 'harmonia' do processo em curso.
Resumindo e concluindo:

Por quanto tempo mais vamos contemporizar com uma insuportável 'lógica económica' apostada em derrubar impiedosamente o País, as pessoas, as instituições e os serviços?

E Pá!

As pessoas perderam a esperança

Crise é gatilho que faz disparar homicídios
O número de homicídios está a crescer e com um cada vez maior desprezo pela vida humana. Para Carlos Poiares, psicólogo forense, a culpa é da crise. "As pessoas perderam a esperança", diz.
Os sinais de alarme quanto aos números começaram em 2012, mas a tendência manteve-se no primeiro trimestre deste ano, com uma subida de 20%. E os dados recolhidos pelo JN dão conta de que a aritmética da morte já vai, este ano, em 71 homicídios, até ontem, mais oito do que o registado no ano passado, até ao final deste mês. O último caso aconteceu ontem, em Loures.
JN 16-07-2013

É este o reverso da medalha. Portugal é mesmo um país em sofrimento e, tudo o indica, em elevado risco de desagregação.

Tavisto

Crise leva n.º de transplantes a regredir 5 anos


Extracto de artigo hoje publicado no DN (pp. 14-15): ‘As dificuldades financeiras na Europa levaram à redução de transplantes, denunciam especialistas internacionais. Portugal e a Grécia são apresentados como exemplos dos efeitos da crise, só que os gregos realizavam poucas destas cirurgias, já os portugueses estavam entre os cinco países com mais doações por habitante. A Comissão Europeia considera a situação preocupante e pediu estudos aos países. O Governo tem um primeiro diagnóstico: o número insuficiente de profissionais, a instabilidade das equipas, a diminuição do preço das horas extraordinárias e a redução de camas são algumas das causas apontadas pelos serviços. (…) 
 O decréscimo de colheitas em cadáveres é um problema europeu, mas a diminuição é particularmente visível nos países intervencionados. Portugal atingiu o pico de colheitas em em 2009, quando a proporção era de 31 doações para um milhão de habitantes, mas em 2011 regressou aos valores de 2007, com uma taxa de 23,9. As recolhas e os transplantes diminuíram 19% de 2011 para 2012 e, nos primeiros cinco meses deste ano, voltaram a baixar, menos 8% de transplantes e 6% de órgãos.’ 
Apesar da propaganda, é melhor começar a olhar para o que Paulo Macedo anda a fazer na Saúde. 
Miguel Abrantes, Câmara Corporativa 

"Colheita e Transplantação de Órgãos Resumo da actividade Janeiro a Maio de 2013"  link 
"Relatório sobre as causas da diminuição das colheitas e transplantação de órgãos"  link

Encerramento da MAC

Um insano desperdício 
Tem-se tornado habitual a concretização de medidas polémicas, que suscitam forte reacção social, durante o tempo de férias, garantindo assim quase nula intervenção de quem é atingido pelas suas consequências. Refiro explicitamente a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e a notícia vinda a público de que a transferência dos serviços de urgência e de cuidados intensivos neonatais far-se-ia no final de Julho link, e relembro que o trabalho desenvolvido neste último serviço é considerado de excelência, o que eu própria, como mãe de gémeos que aí se encontram, posso vivamente testemunhar, juntamente com o meu marido e tantos outros casais que aí acompanham os seus filhos. É lamentável que a obsessão com o fecho da MAC descure o cuidado que é imperioso ter numa transferência de serviços, tratando-se sobretudo de neonatologia. Não ignora a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) que Julho e Agosto são meses de férias e que muito pessoal se encontra ausente, situação que desaconselha vivamente uma transferência que exige uma imensa segurança e vigilância no trabalho a realizar. Estes senhores nunca passaram pela neonatologia da MAC e por isso desconhecem a luta que ali se trava pela Vida. Muito menos têm em conta, e lamenta-se a sua insensibilidade, as muitas histórias contadas por pais, médicos, enfermeiros e auxiliares sobre a força que estes bebés, tão pequeninos, nos transmitem ao longo de semanas, em que cada dia é uma vitória para o seu crescimento. Imperioso é que refira a dedicação e o empenho com que todos sem excepção trabalham neste serviço, revelando a grandeza que guarda o verbo “servir”. Nós, pais, de olhar e de ouvido sempre atentos, quantas vezes em sobressalto perante os inúmeros avisos das máquinas, testemunhamos a paciência dos enfermeiros em explicar-nos o significado de tudo o que rodeia os nossos filhos para que não nos atormentemos desnecessariamente com este ou com aquele ruído súbito ou contínuo.
Revoltante é observar que um serviço avaliado como excelente, entre os melhores da Europa, e, obviamente, fruto de um aturado estudo e trabalho de anos, na formação de equipas coesas, em que o mínimo pormenor de actuação não é descurado, e em que o profundo respeito pelos casais se evidencia ao longo dos dias que aí passam, se desmembre, perdendo-se irremediavelmente. Com efeito, o objectivo parece ser o de querer destruir todo este excelente trabalho de equipa que beneficia e se dirige a todos sem excepção. A este propósito dei comigo a pensar que, talvez por isso mesmo, o anunciado fecho da MAC (no qual não queremos acreditar) queira significar que não nos podemos habituar a serviços públicos de excelência.
É impossível esquecer o papel precursor da MAC, a nível nacional, em neonatologia, bem como a visão holística que caracteriza a actividade que desenvolve, em que todos os casos têm um acompanhamento pluridisciplinar envolvendo os diversos serviços de uma forma integrada (ginecologia/obstetrícia, pediatria/ neonatologia, não sendo descurado o acompanhamento psicológico).
Como se explica também a avultada quantia gasta na remodelação do Serviço de Neonatologia há cerca de seis anos, e o seu insano desperdício com o anúncio do encerramento da MAC ? Tem igualmente seis anos o Banco de Leite Humano da MAC, do qual, em caso de necessidade, usufruem todos os bebés internados. Paradoxalmente, este serviço imprescindível não existe nos serviços de neonatologia dos hospitais de Santa Maria e de S. Francisco Xavier conforme soube, tendo recebido a informação que “infelizmente ele só existia na MAC”.
Qualquer que seja a decisão da Justiça em relação à providência cautelar, será que ainda podemos contar com um acto de lucidez por parte do senhor ministro da Saúde?
Maria Vieira Raposo, geógrafa
JP 14.07.13

Casos de tuberculose têm aumentado em Lisboa

«Os dados ainda são provisórios, mas indicam uma tendência de crescimento dos casos de tuberculose na cidade de Lisboa, constatou o director do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Tavares, na apresentação de "Retrato da Saúde em Lisboa", um estudo que ontem foi apresentado no edifício dos Paços do Concelho. A subida do número de casos desta doença pode ser um sintoma da crise, disse. 
Desde 2002 que a taxa de incidência de tuberculose tem vindo a descer, quer em toda a região de Lisboa e Vale do Tejo (que inclui 52 concelhos), quer apenas no concelho de Lisboa. No ano passado confirmou-se a descida. Mas “em 2013 está a registar-se uma inversão desta tendência”, refere o documento, que ontem foi tornado público e que foi encomendado pela câmara para servir de base à construção do Perfil e do Plano de Saúde Municipal. 
Os dados citados por António Tavares, que é também delegado de saúde regional de Lisboa e Vale do Tejo, dizem respeito ao primeiro semestre deste ano e são ainda provisórios, mas apontam para uma taxa de incidência de tuberculose de 21,6 casos por 100 mil habitantes em Portugal continental, de 30 por 100 mil na região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e de 41 por 100 mil habitantes no concelho de Lisboa. Para António Tavares, este aumento de “pequenos surtos de tuberculose na cidade terá muito a ver com a crise”, notando que a pobreza leva ao aumento do risco de doenças infecciosas. A este factor podem somar-se “algumas ineficiências dos próprios serviços de saúde”, admite. 
Cerca de 25% dos novos casos de tuberculose ocorrem associados a doentes com sida, e cerca de 30% referem-se a estrangeiros. Em Lisboa, como no resto do país, a maioria dos casos notificados dizem respeito a homens entre os 35 e os 44 anos.» ...
JP 13.07.13

"Retrato da Saúde em Lisboa" link 
«Em Portugal, a taxa de Incidência de tuberculose foi de 21,6/100 000 habitantes e no território da ARSLVT de cerca de 30/ 100 000 habitantes, e no Concelho de Lisboa 41/100 000 habitantes (SVIG-TB; Dados provisórios, consulta a 3-6-2013; Denominador – estimativas da população residente 2011). Desde 2002 que esta taxa tem apresentado uma tendência decrescente quer na ARSLVT quer no Concelho de Lisboa. Contudo, em 2013 está a registar-se uma inversão desta tendência.» 
Apesar dos estudos publicados falta conhecer a verdadeira dimensão da catástrofe provocada na Saúde pela crise e pela política de cortes a eito.

O PR não tem margem prá nada

Estamos todos de parabéns

"O problema que se põe é se é adequado que o Presidente da República aceite ministros troca-tintas, que não têm palavra, que têm pouca vergonha na cara" link 
«Para manter o Governo de coligação, Passos Coelho foi obrigado a partilhar poder com o novo vice-primeiro-ministro. Mas ao atribuir-lhe tão decisivas responsabilidades numa coligação que esteve por várias vezes em risco de ruptura por incompatibilidades políticas e pessoais, a situação é, no mínimo, arriscada. Há 30 anos que Portugal não tem experiência de um governo com um vice-primeiro-ministro, pelo que não é fácil tirar lições do passado.» link 
«É claro que se depender de quem comanda, a partir de fora e de dentro, mas sobretudo com a força de fora, a economia política nacional, este governo dura para lá de tudo o que seria previsível, para lá de toda a surpresa. Portas já levou uma lição sobre a autonomia relativa do político: os interesses capitalistas dominantes, a sua base, para os quais a incerteza política é insuportável neste contexto, obrigam-no a recuar, “a ser humilde”, como o aconselhou ainda ontem o seu próspero camarada Nobre Guedes. O efeito paradoxal destes poderes, que aspiram a não ter contra-poderes, é o de prolongar a morbidez por tempo indeterminado, provavelmente até o segundo resgate, com esse ou com outro nome, que será a continuação da mesma lógica, estar definido, até Seguro se ter comprometido com um documento, chame-se-lhe memorando ou não, que o torne apto a “governar”.» link 
«A continuidade deste governo, depois da carta ‘irrevogável' de Portas, precisava de um novo líder no CDS. A recauchutagem de ontem é como certos pneus remendados: o carro ainda pode circular. Mas suspeito que não vai longe.» link 
«Havia uma linha vermelha. Paulo Portas foi muito além dessa linha e, no fim de contas, ganhou tudo o que pretendia ganhar. O Governo evolui de PSD/CDS para CDS/PSD. Maria Luís Alburqueque será uma figura menor ao lado de Portas. Pires de Lima é promovido da Super Bock para o Governo. Pedro Passos Coelho, o triste traste, cede porque sabe que se as eleições fossem daqui a dois meses o PSD cairia para níveis inferiores ao PSD de Santana Lopes e a seguir nem conseguiria arranjar emprego nas empresas do antigo padrinho Ângelo Correia. O país, esse, vai continuar a sofrer com o pior conjunto de crápulas da história da democracia. Estamos todos de parabéns.»   link 
«Eu não tenho medo e (acho que) quero um segundo resgate, com outro nome e sem troika. Como conseguir isso? Com eleições. Vamos por partes. Manuela Ferreira Leite levantou a lebre que mostra a saída de Gaspar associada à necessidade de um segundo resgate. Segundo ela, Gaspar pode ter saído para não ser tido como responsável pelo novo resgate, causando ainda a dúvida de que este seria consequência da sua saída. E Portas seguiu-o rapidamente, pelas mesmas razões, disse também. Faz sentido, essa coisa do segundo resgate: a economia e as finanças estão piores do que há dois anos, quando veio o primeiro que, recordemos, foi menor do que o necessário. E as eleições? As eleições são para mostrar que há força política para negociar, aproveitando a onda anti-troika nas instâncias europeias. Fácil? Claro que não. Nada é fácil. Mas é possível. O pior de tudo é ter medo e ceder às pressões do medo.»  link

Abril, estudos/trabalhos mil

1.º Relatório de Primavera 2013 - duas faces da saúde link 
2.º Infecção VIH/SIDA:a situação em Portugal a 31 de dezembro de 2012 link 
3.º Execução Financeira Avançada Março 2013 link 
4.º Monitorização mensal da actividade assistencial | março 2013 link 
5.º Relatório da Actividade em Cirurgia Programada 2012 link 
6.º Novo regime jurídico das taxas moderadoras link 
7.º Acesso, concorrência e qualidade do sector convencionado com o SNS – Análises clínicas, diálise, medicina física e de reabilitação e radiologia link 
8.º Relatório de Benchmarking | hospitais EPE e PPP dados a 31 de dezembro de 2012 link 
Relatório de Benchmarking – documento enquadrador link 
9.º Guia das boas práticas para o sector da saúde link 
10.º Relatório sobre as causas da diminuição das colheitas e transplantação de órgãos link 
11.º Impacto das taxas moderadoras na utilização de serviços de saúde link

Fica sempre a dúvida porque o ministro da saúde não esteve presente na cerimónia de apresentação do RP 2013

Comentário à análise da ERS

 “Novo regime jurídico das taxas moderadoras”
1.Em minha opinião este trabalho foi muito bem desenhado e melhor executado.
Gostei muito: Metodologia usada, sínteses do enquadramento e da teoria sobre “cost-sharing”; Rigor e exaustividade da análise, incluindo verificação dos procedimentos instituídos e dos problemas e reclamações que suscitaram; Objectividade e isenção da análise e das conclusões. 

2. Algumas sugestões
2.1.As alterações às taxas moderadoras ( TM) vieram melhorar a sua eficácia, considerando como critério os 3 motivos para as ter - reduzir o consumo desnecessário/inapropriado, contribuir para o financiamento e para a sustentação do sistema, aumentar a equidade?
a) Melhorou a apropriação do SU (% urgentes) e com isso caminhamos para reduzir a aberração dos”bancos” mas qual o efeito nos CSP e atendimentos programados? Há sinais de insuficiência global de oferta? Houve alguma reafectação de profissionais de saúde para reajustar a oferta? Porque não houve um aumento significativo de CE presenciais nos CSP?
b) O efeito % das TM nas finanças do SNS é pequeno, mas quando conjugado com a redução de custos em serviços a sustentabilidade melhora e muito;
c)Como a cobrança efectiva aumentou bastante pode concluir-se que há agora maior equidade fiscal, entre consumidores e contribuintes (quando os consumidores não pagavam a conta ficava para os contribuintes). Equidade territorial- nas grandes cidades houve redução no sobreconsumo de SU e consultas (CE) hospitalares? Qual o efeito das TM na substituição de actos no SNS por consumo em privados, via ADSE e subsistemas?
2.2. Deveria ter-se trabalhado melhor a explicitação das questões e conclusões bem como da sua ligação à comunicação pública.
2.3. O erro principal do MS foi não promover o aumento de actos em CSP. Primeiro havia que expandir a oferta para substituir o recurso excessivo aos hospitais. Depois as TM em CSP devem ser ZERO na CE de enfermagem e muito pequenas na médica. Só assim se garante acesso apropriado a prevenção e promoção, se promove a substituição de cuidados hospitalares e se evita aí a inapropriação. As CE não presenciais são muito importantes, nomeadamente as telefónicas, para acesso imediato e evitar idas ao SU - TM deve ser simbólica.
Ter aumentos de 122% e 163% nas TM de CSP não é aceitável.

3. Questões para discussão
3.1. As TM visam essencialmente o utente mas também o prescritor.
Em muito actos o doente não decide em exclusivo mas influencia o prescritor para decisão de prescrever, ex MCDT, ou para omissão, ex. não dar alta. Depois muitos MCDT são difíceis de controlar pelo SNS – quantos prescrever, qual foi feito, qualidade – e aí as TM podem ajudar.
3.2. Houve aumento de CE não presenciais que substituíram as presenciais/? Duvido. Provavelmente o que aumentou foi o registo daquelas, devido á maior atenção que o rigor dos procedimentos das TM trouxeram.
3.3. Houve redução da procura do SNS que foi induzida pelas TM? A relação não é fácil de estabelecer pois há vários fatores que confundem: crise económica e redução do rendimento das famílias, incluindo maior nº de desempregados sem subsídio; maior dificuldade de transportes (restrições na gratuitidade em saúde, aumento de tarifas nos transportes públicos); risco de perder o emprego leva a recusar e adiar CE; maior recurso a privados via ADSE; maior rigor na identificação (quanto a TM) e no registo de actos – ex. hospitais registam agora mais CE por passagem de atestado e receituário.

Arreganha a Taxa

O Novo Regime das Taxas Moderadoras link

Plenipotenciário

Paulo Macedo representa Governo em debate sobre dívida pública e austeridade
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, vai representar o Governo PSD/CDS-PP na interpelação parlamentar do BE de quinta-feira sobre “a insustentabilidade da dívida pública e a política de austeridade”. link 
JP 03.07.13
Paulo Macedo um senhor ministro num governo liderado por putos
drfeelgood

Medicamento Maio 2013

«Encargos do SNS:
• desde abril que integram as comparticipações dos medicamentos adquiridos por beneficiários da ADSE e dos sistemas de assistência na doença da GNR e PSP;
• mesmo com esta inclusão, continuam a registar uma diminuição de 8% face ao período jan-mai 2012.» link

Paulo Macedo, super candidato

«Mal se soube que Vítor Gaspar pedira a demissão do actual Governo, o nome de Paulo Macedo foi logo apontado como o homem que se segue na pasta das Finanças.» linklink 
Pouco tempo depois, os meios de comunicação davam conta pesarosos que, afinal: «Não se concretiza assim a informação adiantada anteriormente que dava conta que seria Paulo Macedo, actual ministro da Saúde, a tomar conta da pasta das Finanças» link 
Definitivamente, Paulo Macedo em alta. Pau para toda a obra. Digo, para qualquer qualquer função ou cargo político deste governo. 
Entende-se agora melhor que PM tenha trocado um cargo altamente remunerado pela missão na Saúde. A ambição de carreira política estava na calha.
dr feelgood
 
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