A missão de Paulo Macedo

“O ministro da Saúde, Paulo Macedo - tenho que lhe fazer justiça - está a fazer um grande esforço para conseguir o orçamento necessário e até é de saudar o acordo que fez recentemente com os sindicatos médicos que permite, além do mais, defender as carreiras profissionais. Simplesmente, o ministro das Finanças é uma pessoa absolutamente fria, sem nenhuma sensibilidade social, e o primeiro-ministro igualmente”, disse, em declarações à agência Lusa à margem da sessão. link 
António Arnaut. JP 27.10.12 
«o Ministro Paulo Macedo conseguiu defender o sector: tomando em linha de conta o valor para amortizar a dívida acumulada da saúde, os recursos financeiros previstos para a saúde no OE 2013 são relativamente generosos. » link 
Manuel Carrilho Dias, Renascença 18.10.12 
Começa a ganhar adeptos a ideia que Paulo Macedo é um ministro defensor do SNS e que a sua politica tem por objectivo fazer os ajustamentos possíveis / necessários para melhorar a sua eficiência, sem prejuízo do que é essencial: A preserveração do serviço público.
Não nos devemos deixar enganar. 
Paulo Macedo não foi colocado à toa no Ministério da Saúde. Conhecendo, como conhecemos melhor agora, o Governo dos estarolas Passos Coelho, Miguel Relvas, Victor Gaspar e Álvaro Santos Pereira. O ministro da saúde foi escolhido para levar a cabo a reforma liberal do nosso sistema de saúde: Privatização de unidades da rede hospitalar e CSP de forma a afastar o Estado da prestação directa de cuidados (ficando com funções de regulador e financiador do sistema). Aliviar o compromisso do Estado em financiar a Saúde: co-pagamentos (disfarçados de gordas taxas moderadoras, actualizadas anualmente pela inflação); implementação do "opting out"  para promover o desenvolvimento do mercado de seguros; redimensionamento da rede hospitalar (reestruturação e fecho de serviços, centralização e encerramento de unidades hospitalares); criação de restrições às novas tecnologias (medicamento, dispositivos médicos); Redução/extinção de programas de saúde: Transplantação, saúde oral, etc. 
Tudo, evidentemente, em nome da sustentabilidade do sistema e prejuízo do acesso e qualidade dos cuidados. 
Mas pede-se mais ao ministro da saúde.
Que tudo seja feito de forma a dar condições e tempo às multinacionais que operam na área da Saúde para que possam adaptar/reconverter práticas às novas regras do negócio (mercado).
O cumprimento de um programa rigoroso de pagamento de dividas aos laboratórios (como defende a troika) com a indispensável ajuda do ministro das finanças, Victor Gaspar, integra-se nesta estratégia. Isto enquanto assistimos à falência das farmácias oficina propriedade de pequenos investidores nacionais. 
O ciclo de acumulação/pagamento de dividas através de OER não interessa ao negócio das grandes empresas. Por isso, é necessário assegurar a disciplina (lei dos compromissos link) e sustentabilidade do negócio, procurando manter, apesar de tudo, o Estado como principal financiador do sistema (isto quando o débil poder de compra da classe média se afunda vitima das politicas anti-crise do governo de estarolas). 
Paulo Macedo, é o artífice escolhido para esta quadratura do circulo: procurar salvar o negócio das grandes empresas multinacionais que operam no sector da Saúde em tempo de profunda crise. O SNS sobreviverá conforme as conveniências do negócio assim o determinarem.
drfeelgood

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