O texto publicado por alguém que é defensor de modelos de gestão intermédia como os CRIs, referindo-se especificamente ao Centro de Cirurgia Cardiotorácico do CHUC (CRI) de que estamos habituados a ouvir repetidas alusões à sua grande eficácia, transformando o seu Director numa vedeta Nacional, questionou de forma singela, a bondade de tanta eficácia. link
De facto, quando a esmola é grande o pobre desconfia e é legítimo questionar-se.
A eficácia é de tal modo avassaladora que tem dado direito a distribuição de incentivos pelos funcionários do referido Centro, facto absolutamente normal.
Como será certamente consensual, em cuidados médicos a eficácia é absolutamente e cada vez mais necessária, mas só faz sentido verificado que seja, o pressuposto da qualidade.
Parece também um dado adquirido e inquestionável que o Centro de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC é um Centro altamente diferenciado e oferece os melhores e mais modernos cuidados cirúrgicos aos seus doentes.
Os Relatórios Anuais de actividade não são elucidativos dessa qualidade e modernidade, sendo portanto legítimo levantar algumas questões:
- Não se ouve, com alguma frequência, relato de casos clínicos rejeitados por possuírem factores de risco, nomeadamente obesidade, que se viram obrigados a recorrer a outros Centros?
- Não há relatos de casos clínicos devolvidos aos Serviços para fazer tratamento médico quando o tratamento cirúrgico era o mais adequado?
- Não há relatos de doentes operados e devolvidos precocemente aos Serviços de origem quando ainda necessitavam de cuidados cirúrgicos?
- Foi cumprido o dever ético de informar os doentes da melhor opção para a sua situação clínica?
- Para além do sofrimento e prejuízo clínico dos doentes é possível calcular os danos colaterais e os custos acrescidos que estes doentes têm para o SNS?
- A existirem estes danos colaterais suportados por outros Serviços eles são imputados ao Centro de Cirurgia Cardiotorácica, ou uns arrecadam os lucros e outros pagam os prejuízos?
É um tema complexo sem dúvida e como diz o autor do texto “é preciso olhar para o espelho. Não vá o diabo tecê-las.”
Justino





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