Misericórdia do Porto ofereceu-se para gerir Centro de Reabilitação do Norte e está à espera da resposta do Governo.
Oito ex-responsáveis da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte estranham a coincidência temporal entre as críticas há dias feitas pelo ministro da Saúde ao processo de construção do Centro Materno-Infantil (CMIN) e o Centro de Reabilitação da Norte (CRN) e a “grave crise” que se adivinha “no sector da saúde privada no Porto”, onde “muitos blocos de parto e áreas de atendimento infantil” recentemente abertos estão “encerrados”. A construção destes dois equipamentos denota “falta de planeamento” e “uma total descoordenação”, declarou o ministro Paulo Macedo, no dia 20. linkNuma carta pública, os oito elementos directivos da ARS-Norte entre 2005 e 2011 disponibilizam-se para fornecer ao governante todas as informações sobre os centros, que, notam, são “objecto de inúmeros interesses”. A “falta de avaliação dos processos e a ausência de decisões na reforma hospitalar, por parte do actual Ministério da Saúde, parecem ceder aos interesses privados e do sector social nesta área, com nítido prejuízo dos doentes”, lamentam. Sobre o CMIN, lembram que faz parte de “uma vasta estratégia da reforma hospitalar na região norte, levada a cabo nos últimos anos”, e que implicou já o fecho do Hospital Maria Pia. Quanto ao CRN, recordam que este estava previsto na rede de referenciação hospitalar elaborada em 2002 — que estabelecia a necessidade de quatro centros (Norte, Centro, Lisboa e Algarve), faltando abrir apenas o primeiro, que servirá “37% da população” do país. “Será que um doente tetraplégico ou com uma doença neurodegenerativa de Lisboa deve ter um centro de reabilitação para efectuar uma recuperação adequada, e no Norte o mesmo tipo de doente tem de ir para sua casa?”, perguntam. Esperam ainda que esta tomada de posição nada tenha que ver com “os falados propósitos de ser cedida a gestão do CRN a uma Misericórdia”. Anteontem, o provedor da Misericórdia do Porto disse que a instituição “já fez sentir” ao Governo a sua disponibilidade para assumir a gestão do CRN. O ministro mostrou abertura para “avaliar a proposta”, adiantou António Tavares. O PÚBLICO tentou obter um comentário junto do gabinete do ministro, que não respondeu, até ao fecho desta edição.
JP 28.02.13 link





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