Espanha, reforma da Saúde

Governo PP da Comunidade de Madrid pretende levar a cabo um ambicioso 'programa de reformas da Saúde.
Na região de Madrid, além dos hospitais mais antigos de gestão pública (como os nossos SPA), existem outros  hospitais da rede pública de gestão privada:  Hospitais PFI (sete) com gestão privada dos serviços não clínicos e gestão clínica pública. Hospitais PPP (três)  de gestão inteiramente privada (clínica e não clínica)- Neste, o estado limita-se a fiscalizar e pagar o serviço. Tal como nos nossos hospitais PPP (Cascais, Braga, Loures).
Pretende-se com esta reforma privatizar inteiramente seis hospitais públicos (cerca de 1.250 camas) envolvendo cerca de 5.500 profissionais de saúde. Externalizar os serviços não clínicos de todos os hospitais públicos (serviços que não pertencem ao “core business” hospitalar) como lavandarias, restauração, serviços de higiene e limpeza, assistência técnica, envolvendo a extinção de cerca de 1.500 postos de trabalho públicos. Encerrar/reconverter antigos hospitais públicos: Instituto de Cardiologia (despromovido, à última da hora, a unidade de apoio sem população de referência), Hospital de La Princesa (hospital escolar) transformado em asilo,  Hospital Carlos III, reduzido a hospital de retaguarda.
Privatização de  40 centro de saúde dos 400 existentes na região.
A reacção dos profissionais de saúde a este programa de reformas tem sido muito forte.

Li, hoje, a entrevista do "consejero de Sanidad madrileño", Javier Fernández-Lasquetty link no “El País” (duro defensor da gestão privada), onde defende a  externalização (rejeita admitir a privatização num jogo semântico)  de  serviços de saúde a entidades capazes de gerar eficiência (os privados na sua opinião) e, assim, reduzir os encargos do estado. Quanto à existência de estudos independentes a justificar esta opção política e a intenção de negociar com os profissionais o desenvolvimento da reforma em curso: nickles.  
Noutra intervenção, Javier Fernández-Lasquetty  defende que o custo  per capita dos novos centros hospitalares é em média de 437 euros por habitante, frente aos 734 euros dos centros hospitalares mais antigos de gestão pública. O cálculo de Lasquetty, contrapõe a crítica, resulta simplesmente da divisão do custo global pelo número de habitantes, não tendo em consideração  a diferença de  complexidade entre hospitais que realizam por exemplo transplantes e outras cirurgias mais complexas.
O perfil do político habilidoso do costume.

O que acontece em Espanha, contrasta com a forma inteligente e sensata como tem sido conduzida a governação da Saúde no nosso país. Mérito que temos de dar aqui, finalmente, a Paulo Macedo (espero não me arrepender do que escrevo mais tarde). A excepção num governo de incompetentes, fanáticos e irresponsáveis.

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