Big Ideas 2014:

Creating a Culture of Health 
I realize “culture of health” may sound amorphous, but that’s good—almost every aspect of our environment and daily activities affects our health, so we need a big tent to address all the ways these factors interconnect. As the slide show below indicates, everyone has their own definition of a culture of health.* To me, it means a society in which each person has the opportunity to lead a healthy life, with adequate housing, educational opportunities, safety from violence, healthy food options, exercise, and of course, affordable, quality health care.link link

Portugal é dos que mais paga



O nosso país ocupa o quarto lugar, entre os 34 que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde a despesa out-of-pocket é maior. Esta é uma das conclusões do relatório link  «Health at a Glance», da OCDE, que na edição deste ano analisa o período entre o início da crise financeira (em 2008) e 2011. De acordo com o documento, a média de despesa com a saúde out-of-pocket da OCDE situou-se nos 2,9 %. Portugal, apenas atrás do Chile, México e Coreia, gastou, em 2011, 4,3%, um valor muito acima da média. Os dados portugueses contrastam com uma participação dos consumos das famílias alocados para gastos médicos de apenas 1,5%, em países como a Holanda, Turquia, Estados Unidos da América e França...
Tempo de Medicina

SNS, estrangulamento financeiro


A partir de 2011, a situação da saúde em Portugal agravou-se ainda mais devido aos cortes brutais feitos na despesa pública com a saúde e devido também à quebra significativa do rendimento da maioria da população portuguesa (baixa dos salários dos trabalhadores do setor privado; cortes nas remunerações dos trabalhadores da Função Pública e nas pensões, aumento brutal dos impostos que incidem sobre estas classes da população, desemprego em massa, etc.) o que impossibilita a maioria dos portugueses de suportar os custos crescentes que têm de pagar que se verificam com saúde. O quadro 1, com dados dos Relatórios do Orçamento do Estado mostra a quebra acentuada verificada na despesa pública com saúde, no período 2011-2014, com o governo PSD/CDS e “troika”.
A redução da despesa do Estado com a função social “Saúde” em Portugal, ou seja, com a saúde dos portugueses, no período 2011-2014, é significativa. Entre 2011 e 2014, em termos nominais a despesa pública diminuiu em 676 milhões €, mas em termos reais, ou seja, eliminando o efeito da subida de preços, a redução atinge 833,7 milhões €. A despesa pública por habitante, em termos reais, passou de 861 € para apenas 783 €. Um dos argumentos utilizados por aqueles que atacam o SNS é a elevada despesa pública em Portugal com a saúde quando medida em percentagem do PIB. E para isso referem que a despesa total com a saúde em Portugal atingiu, em 2011, 10,2% do PIB, quando a média nos países da OCDE correspondia a 9,3% do PIB. No entanto, esquecem-se, por ignorância ou intencionalmente, de dizer que aquele valor refere-se à soma da despesa pública mais a despesa privada, ou seja, inclui a parcela que é paga diretamente pelos portugueses que, no nosso país é muito superior à de outros países. Em Portugal a despesa privada representava, já em 2011, 35% da despesa total com saúde, quando a média nos países da OCDE correspondia apenas a 27,3%. Em suma, os dados do Orçamento do Estado constantes do quadro 1 mostram que a partir de 2011 verificou-se em Portugal, fruto da politica deste governo e da “troika”, um corte muito grande na despesa pública com a saúde pública. Em 2014, ela corresponderá apenas a 5,1% do PIB, um valor muito inferior ao utilizado pela direita nos seus ataques ao SNS, o que determinará ou que os portugueses tenham de pagar muito mais para aceder aos cuidados de saúde ou então que fiquem sem acesso a eles.

O CORTE BRUTAL NA DESPESA E NO FINANCIAMENTO DO SNS EM 2011-2014


Como mostra o gráfico do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2014, ou seja, com o governo PSD/CDS e “troika”, foi imposto ao SNS um corte na despesa que atinge 1.667 milhões €, pois passa de 9.710 milhões para apenas 8.043 milhões €. E isto em termos nominais, porque se o cálculo for feito em termos reais (anulando o efeito do aumento de preços), a redução atinge 2.398 milhões € (em 2014, é de apenas 7.312 milhões € a preços constantes).
No período 2010-2014, o financiamento do SNS pelo O.E. também sofreu uma forte redução. Entre 2010 e 2014, passa de 8.849 milhões € para 8.043 milhões €, no entanto o subfinanciamento crónico determinou que o Estado fosse obrigado, só para pagar dividas atrasadas a privados, a disponibilizar 1.500 milhões € em 2012, e 412 milhões € em 2013, portanto valores que não foram utilizados para pagar despesas desses anos. Em 2014, no total de 8.043 milhões € estão 451 milhões € para reforçar o capital dos Hospitais EPE e que, por isso, não devem ser utilizados em despesas correntes com a prestação de cuidados de saúde. Se o retirarmos ficarão apenas 7.592 milhões € o que representa, em relação à 2010, menos 1.257 milhões € em valores nominais, e menos 1.947 milhões € em termos reais.
O subfinanciamento crónico do SNS tem sido “resolvido” pelos sucessivos governos obrigando os Hospitais EPE a acumularem elevados prejuízos. E o método utilizado tem sido o seguinte: transferem para esses hospitais verbas insuficientes obrigando estes, para poderem prestar serviços de saúde à população, a se endividarem (no 4º Trim.2013, a divida total do SNS era já de 1.500 milhões €). Em 2011, os prejuízos dos Hospitais EPE atingiram 446 milhões € e, em 2012, 287.000 milhões €. Entre 2013 e 2014, segundo o Ministério da Saúde, as transferências do OE para os Hospitais EPE diminuirão de 4.284 milhões € para 4.086 milhões €, enquanto os pagamentos aos grupos económicos privados de saúde (BES saúde, Mello saúde, etc.) com PPP aumentarão de 388,5 milhões € para 395 milhões €. Se se tiver presente que no setor público está em vigor a chamada “Lei dos compromissos” que criminaliza o endividamento dos hospitais (a divida não poderá ser superior a ¼ do valor que recebem anualmente do O.E. sob pena dos respetivos gestores e responsáveis financeiros serem acusado de crime), rapidamente se conclui que o que se pretende é destruir o SNS para abrir assim o caminho ao negócio privado da saúde financiado pelo O.E. Paulo Macedo, um homem de um grupo económico (BCP), com o seu ar tecnocrata, está a concretizar de uma forma silenciosa esse objetivo. 2014 será um ano de profunda degradação dos serviços públicos de saúde, com fechos de serviços, com redução de numero de profissionais de saúde, e com dificuldades crescentes para os portugueses em acederem a cuidados de saúde, o que contribuirá para agravar ainda mais as desigualdades em Portugal pois quem não tem dinheiro terá menos saúde. Exigir que o direito à saúde consagrado na Constituição da República seja respeitado, torna-se um imperativo nacional e de todos os portugueses.

Eugénio Rosalink

A gestão pública não é para CHICCOS

Chicos espertos na gestão do IPO do Porto
Em 2008 os gestores do IPO decidiram começar a fazer contabilidade criativa, inventando sessões de quimioterapia que nunca existiram, violando a legislação e as normas de registo e facturação da actividade.
A desculpa que apresentaram, de que havia que cobrir custos sem financiamento, não passa disso mesmo:
  • O contrato remunera algumas actividades do IPO muito bem, como a radioterapia e o lar, e outras menos bem, mas o orçamento global não era insuficiente pois em 2007 o défice foi apenas de 1,4% da receita, um pouco mais de atenção e controlo bastavam para o eliminar.
  • Se fosse encargo com medicamentos completamente novo, que não era, o IPO podia solicitar financiamento para projecto específico e recebia o custo dos medicamentos. Mas com esta habilidade vieram a receber mais de 30 milhões de euros acima daquele custo.
  • Os dois restantes IPO tinham o mesmo "não-problema" e nem por isso usaram daquele chico espertismo.
Segundo o Tribunal de Contas o hospital facturou 56 milhões a mais nos quatro anos. Teve por isso lucros muito superiores aos restantes IPO o que lhe trouxe várias vantagens:
  •  O hospital iniciou um programa megalómano de investimentos, especialmente na área lucrativa da radioterapia, e continuou com algum despesismo e com contratos com clínicas privadas.
  •  Os outros hospitais deixaram de ter 56 milhões para melhorar e expandir o acesso dos doentes e os seus gestores ainda ficram com o rótulo de pouco competentes.
  •  Os espertos gestores começaram a aparecer em jornadas e congressos, ufanos da sua muita competência e capacidade, aptos para verem os mandatos renovados no IPO ou noutros hospitais.
Chicos Molezas no financiamento e controlo
A ARS e a ACCS, que deviam ter monitorizado a actividade e o financiamento, nada fizeram durante anos. Foi preciso vir o tribunal de contas para detectar esta ilegalidade continuada e mandá-la corrigir.
Mesmo com uma ordem para corrigir, o IPO limitou-se a parar com a contabilidade criativa e a pedir instruções à ACCS, a qual só passados cinco trimestres vai corrigir e porque o Tribunal voltou à carga.
Entretanto os espertos gestores do IPO foram recompensados e ninguém na tutela foi responsabilizado. Eu quero aplaudir!
Vem o ministério alegar que está previsto o sancionamento de gestores que não cumpram a lei e que pode ser com a demissão. Mas, na verdade, o que fez até agora? Renovar mandatos e nomear os chicos espertos para outros hospitais, e especialistas do mel e do granito para ASES.
Está mesmo em curso a renovação de mandatos de dois desses chicos espertos para grandes hospitais do norte.
Esperemos que com tanta hesitação não tenha de ser o tribunal de Contas, ou o Minsitério público para quem seguiu o relatório, a reporem um pouco de justiça e normalidade na gestão do SNS.
Chico Faria

Tribunal de Contas

IPO do Porto tem de devolver 56,2 milhões de euros ao SNS 
O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto vai ter de devolver ao Serviço Nacional de Saúde 56,2 milhões de euros que facturou indevidamente com medicamentos para o cancro (quimioterapia oral), entre 2008 e 2011, determina o Tribunal de Contas (TC) numa auditoria divulgada nesta quarta-feira. 
O TC defende também que os gestores do IPO Porto responsáveis pela facturação e codificação indevida devem ser alvo de sanções individuais e até recomenda a suspensão de pagamentos enquanto a situação não for regularizada. 
JP 04.12.13 link 
Relatório de Auditoria n.º 24/2013–2ª Secção, processo n.º 23/2013 link

E por cá !...

Um número crescente de gregos tem-se injectado com o vírus do HIV para poder reivindicar cerca de 700 euros em benefícios de saúde mensais, de acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo dados do Centro Helénico para a Prevenção e Controlo de Doenças, conhecido como Keelpno, a taxa de infecção por VIH quase triplicou nos últimos 10 anos, passando de 3,9 casos em cada 100 mil pessoas, em 2003, para 10,9 em 2012.
O relatório constatou casos de infecção auto-infligidos pelo HIV na Grécia, onde a taxa de suicídio também disparou, e o acesso à saúde diminuiu, enquanto a população continua a lidar com uma economia profundamente perturbada.
«Estas tendências adversas na Grécia representam uma advertência para outros países a sofrer austeridade fiscal significativa, incluindo a Espanha, Irlanda e Itália», lê-se no relatório.
«Sugere também que precisam de ser encontrados caminhos para os governos consolidaram as finanças sem prejudicar os muito necessários investimentos em saúde», acrescenta a OMS.
Com as severas medidas de austeridade, que têm causado grandes protestos na Grécia, a economia do país encolheu e o desemprego subiu para 27%.
As taxas de homicídio e roubo proporcionalmente duplicaram, revela o relatório da OMS, acrescentando que a prostituição também aumentou, «provavelmente como resposta a dificuldades económicas».
diário digital link

E por cá! Como estarão as coisas?
Quem está no terreno afirma serem cada vez mais os doentes a abandonar consultas e tratamentos por falta de dinheiro para deslocação. Paulo Macedo nega, contrapondo que com o que gasta em medicamentos não faz sentido que o doente deixe de ir à consulta.
Ora, pelo que diz a OMS sobre a Grécia, fonte que seguramente o Ministro considerará insuspeita, a degradação económico-social pode conduzir facilmente um cidadão à indiferença ou mesmo à amoralidade, levando um País à desgraça.
Tavisto

VIH/SIDA


Relatório “Portugal - Infeção VIH/SIDA em números” 2013  link
 
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