Perturbação bipolar?

O ministro da saúde, Paulo Macedo,  continua na sua. Ora garante que a Saúde é um sector protegido. link. Ora entende necessário anunciar o fim breve do SNS: «O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está garantido além de 2015». link Para adiantar que a garantia de sustentabilidade do SNS só é possível através da implementação de reformas. 
Declaração em declaração, enquanto o pau vai e vem folgam as costas, diz o povo, decorridos quase dois anos de governação (junho 2013), reformas viste-las. É a arte de bem encanar a perna à rã em todo o seu esplendor.

European health report 2012

The European health report 2012: charting the way to well-being link

Paulo Macedo, prá história


Já cumpri mais de duas décadas de hospitais. E muitos ministros da saúde: Leonor Beleza, Arlindo Cunha, Paulo Mendo, Arlindo Carvalho, Maria de Belém Roseira, Manuela Arcanjo, Correia de Campos, Luís Filipe Pereira, Correia de Campos outra vez, Ana Jorge e, por último, até ver, Paulo Macedo.
Acompanhei com entusiasmo o nascimento do Hospital de Vila da Feira.  O arranque dos hospitais SA. Hospitais EPE. E, mais recentemente, os Hospitais PPP. Todos com papel relevante na transformação da rede hospitalar do SNS.
Não faltaram episódios pitorescos como os administradores SA, arrebanhados por tudo que era sítio por LFP. Os "shows off" de CC frente aos meios de comunicação. A engonhice de Ana Jorge.
O melhor ministro da Saúde? Sem dúvida, Correia de Campos: Inteligente, preparado, empenhado servidor público.

Paulo Macedo, “um ministro contra a corrente”, como alguém já o definiu, à falta de melhor.
Uma trajectória política manchada por múltiplos e variados desaires: transplantação e dadores benévolos (inabilidade política), aumento abrupto das taxas moderadoras (pressão da troika), gestão dos hospitais (sem jeito nem arte), cuidados saúde primários (prioridade esquecida), milhões de euros de cortes a eito (sem estratégia a reboque da troika), prejuízo do acesso aos cuidados de saúde (à custa da subida abrupta, insensata, das taxas moderadoras). O rol é extenso.
Enquanto lança aos quatro ventos que a Saúde vai ser poupada (à sanha liberal dos seus colegas de governo, entenda-se), PM, o salvador do SNS, como a propaganda o quer fazer passar, parece entregue à sua sorte. Reforma dos hospitais? Falta de plano, tempo curto (vontade pouca) não auguram nada de bom (oportunidade desperdiçada). Extinção da ADSE ? A inginheira da luz não deixa (em defesa do negócio). Médico de família para todos os portugueses? O processo de expurgo parece embrulhado (acontece a quem não conhece e não sabe lidar com o terreno). Construção do Hospital de Todos os Santos ? Foi nomeado grupo de trabalho para estudar o tema (legislatura curta para a redenção). Reforma do medicamento? Indústria e farmácias arrasadas (mais cortes a eito).
Paulo Macedo, ministro da saúde, prá história ? Talvez, na decepção e arte de bem encanar a perna à râ

Mais trapalhadas


Mais de 1,6 milhões de pessoas que não vão há três anos aos centros de saúde estão a ser contactadas para dizerem se querem ou não revalidar a inscrição. Fazer chegar a resposta não é fácil.
A primeira fase da mega-operação de "limpeza" das listas de utentes dos centros de saúde está concluída. Já foram enviadas 1,6 milhões de cartas aos cidadãos que há mais de três anos não vão aos centros de saúde, metade das quais na região de Lisboa e Vale do Tejo. Todos os que não revalidarem a sua inscrição no prazo de 90 dias passam para uma lista de não frequentadores e ficam sem médico de família para darem lugar aos milhares que não têm clínico assistente.
Se todos concordam com a necessidade da actualização de ficheiros dos utentes dos centros de saúde, há quem conteste a forma como a operação está a ser conduzida no terreno. Desde logo porque nas cartas enviadas pelas administrações regionais de saúde do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo as pessoas são convidadas a contactar, pelo telefone ou presencialmente, os respectivos centros de saúde e algumas queixam-se da dificuldade de conseguir que alguém atenda o telefone do lado de lá, apesar da insistência, o que as obriga a deslocar-se às unidades. "É verdade. Nós próprios [os médicos] às vezes temos que ligar para os telemóveis uns dos outros porque não conseguimos telefonar para as unidades. Os administrativos não podem estar a atender doentes e a atender chamadas ao mesmo tempo", constata Rui Nogueira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG).
Além disso, e devido à "complexidade" das cartas enviadas nalgumas regiões de saúde, há quem não entenda bem o que está em causa. "Algumas pessoas estão a marcar consulta só para dizerem que existem", lamenta João Rodrigues, da Federação Nacional dos Médicos (Fnam). "Gerou-se alguma confusão. Há quem pense que é necessário ir a uma consulta, o que não tem sentido nenhum", corrobora Rui Nogueira, apesar de concordar plenamente com a operação. João Rodrigues não entende também por que motivo é que não está prevista a resposta por correio ou por correio electrónico. "Na era da informática, não se podem actualizar dados por email?", questiona, perplexo.
Na Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, a possibilidade de resposta por correio ou por email está prevista, garante o médico, para quem a forma ideal de resolver de uma vez por todas este problema, que se arrasta há anos, era fazer "uma lei que estipulasse o dever do cidadão de actualizar os seus dados de três em três anos".
O Bloco de Esquerda enviou, no final de Fevereiro, um requerimento ao Ministério da Saúde, perguntando justamente por que é que neste processo se eliminaram "formas de comprovação da inscrição que seriam expectáveis e mais simples (como a carta, o fax ou o correio electrónico)". Até porque, nota, a "confirmação telefónica não permite que os utentes fiquem com um comprovativo do contacto".
Listas desactualizadas
A operação tem ainda sido alvo de críticas por parte de movimentos de utentes. O porta-voz do Movimento dos Utentes dos Serviços de Saúde, Manuel Vilas Boas, considera que se trata de "mais um acto de publicidade do Ministério da Saúde" que não vai resolver o problema de fundo - a falta de médicos de família - e defende que os centros de saúde é que deviam ter a responsabilidade de fazer este "rastreio".
Sublinhando que os profissionais de saúde sempre foram a favor da "limpeza" dos utentes-fantasma, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, discorda destas críticas, pois não acha que uma deslocação ao centro de saúde seja pedir de mais aos cidadãos. "É um acto cívico", argumenta. "Esta operação faz todo o sentido. De outra forma estamos a incentivar os doutores preguiçosos", considera, aludindo aos casos de médicos, "poucos", que têm listas inflacionadas com utentes que foram para o estrangeiro ou morreram, entretanto.
Estimando que a lista de utentes se desactualize a um ritmo de 1% a 2% ao ano, o grupo de especialistas nomeado por este Governo para estudar a reforma dos cuidados de saúde primários propôs uma actualização permanente das inscrições. Se não houver actualização de listas, avisavam, ao fim de alguns anos o número de inscritos vai continuar a ultrapassar largamente o número de residentes no país, como acontece agora - em Dezembro de 2012 estavam inscritos mais de 11,4 milhões de utentes (quando os residentes no continente são 10,1 milhões). Mas também eles sugeriam que a "relação do utente com o SNS deve ser feita através de procedimentos simples", designadamente "por ocasião de qualquer contacto com os serviços onde se encontre inscrito, por Internet e por outros meios que se revelem adequados".
Alexandra Campos,JP 11.03.13

Paulo Macedo apostou nesta operação como forma de resolver o problema dos portugueses sem médico de família. Uma espécie de milagre administrativo de multiplicação dos MGF. O resultado está à vista.Tudo leva a crer que, mais uma vez, a montanha pariu um rato.

Clara Gomes

O acesso a piorar a olhos vistos

Assistentes sociais e especialistas de saúde mental avisam que há cada vez mais doentes a faltar às consultas e a abandonar a medicação. O fenómeno não está quantificado, mas é preocupante.link 
As dificuldades económicas estão a fazer com que muitos doentes não consigam suportar os custos das deslocações e faltem às consultas de saúde mental. Há também cada vez mais doentes a admitir que não tem dinheiro para a medicação prescrita. As assistentes sociais alertam para um aumento anormal e preocupante do número de queixas de doentes que se dizem impossibilitados de prosseguir com o tratamento e o coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde avisa que, privados de tratamento, estes doentes correm sérios riscos.
Temos cada vez mais informações sobre doentes que avisam que não vão comparecer às consultas por falta de dinheiro para o transporte", avisa Álvaro Carvalho, coordenador do Plano Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral de Saúde. Fernanda Rodrigues, presidente da direcção nacional da Associação dos Profissionais de Serviço Social, confirma esta realidade, acrescenta que estes doentes estão também a abandonar a medicação pelos mesmos motivos e sublinha que, apesar de não existirem dados sobre o número de pessoas afectadas, o fenómeno "é preocupante".
"Estamos a registar uma falta de comparência às consultas que não é habitual. As assistentes sociais que trabalham na área da saúde mental referem que o principal motivo apresentado por estes doentes é o facto de não conseguirem pagar as deslocações e senhas de transporte. Por outro lado, o mesmo se passa na aquisição de medicamentos, com muitas pessoas a admitir que interromperam a terapêutica ou a comprar só parte da medicação prescrita, com escolhas que são ditadas por razões financeiras", alerta Fernanda Rodrigues. As consequências, refere, "já estão a sentir-se com o agravamento dos problemas de saúde destas pessoas". "Muitas vezes conseguir apenas que estas pessoas aceitem ser tratadas já não é fácil", lamenta.
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JP 10.03.13
As condições de acesso dos portugueses aos cuidados de saúde estão a deteriorar-se rapidamente. Só o ministro da saúde não vê ou não quer ver.
clara gomes

Paulo Macedo


Um trabalho razoável ?
A falta de confiança na liderança do SNS é incontestável, apesar das acções de propaganda
Nos momentos em que surge na opinião pública um conjunto de dúvidas em relação à qualidade da actuação do actual ministro da Saúde, a nação é intoxicada com uma série de peças jornalísticas sobre alegadas intervenções que hão-de ter enormes efeitos positivos… daqui a uns meses. Para confundir a opinião pública em relação à denunciada incompetência na gestão do SNS, a equipa ministerial da saúde anuncia, por exemplo, que vai tomar importantes decisões para apoiar os cuidados continuados e os cuidados de saúde primários… em 2016.
Quiçá influenciado por este processo contínuo de propaganda clássica, um comentador de uma rádio afirmou, recentemente, estar indignado com o facto de, a este ministro, ter sido cantada a notável obra da nossa cultura popular Grândola, Vila Morena, uma vez que o “ministro está a fazer um trabalho razoável”. Vindo de um ignorante das questões de gestão de sistemas de saúde, o comentário não pode ser levado a sério e acreditamos que ele próprio não leve a sério o que diz sobre o SNS na rádio em que comenta.
No entanto, o conceito de trabalho razoável é profundamente manipulador e subversivo. Sobretudo quando dirigido a um sector em que ainda imperam dirigentes politicamente nomeados sem qualificações específicas para as funções exercidas. Nesta interpretação, todo o trabalho de dirigentes medíocres poderia ser classificado como razoável, sobretudo quando não se conhecem as realidades em que operam e não se identificam imobilismos táctico-partidários como factores que promovem o descalabro do SNS. Não decidir por tacticismo, quando o sistema de saúde necessita de intervenção e liderança, é imoral. Decidir mal e procurar branquear os seus efeitos negativos, deve ser entendido como uma acção fraudulenta e um desrespeito pelas expectativas dos cidadãos e dos profissionais de saúde, com a cumplicidade de “analistas” que comentam qualquer sector de forma ignorante e irresponsável.
Interessa, porém, indagar se o tal comentador terá levado em linha de conta as trapalhadas com as três cartas encomendadas para a reforma hospitalar? O mistério do encerramento compulsivo da Maternidade Alfredo da Costa? O mistério do contrato atribuído ao hospital da Cruz Vermelha, e outros que se poderão estar a preparar? A falta de sensibilidade em relação aos dadores de sangue que resultou na crise de fornecimento aos hospitais? O aumento exponencial dos tempos de espera para a realização de exames e análises de diagnóstico? A enorme transferência de despesa para o bolso dos doentes e famílias? As polémicas nomeações para a direcção dos Agrupamentos de Centros de Saúde? As trapalhadas com a lei do tabaco e a lei do álcool? A falência técnica de unidades de cuidados continuados? O descalabro do Plano Nacional de Saúde como elemento central das políticas de saúde? A incapacidade de dinamizar o crescimento das Unidades de Saúde Familiar? O desrespeito pelas necessidades do foro materno-infantil do Norte? A incapacidade de produzir uma única ideia para a reforma do sistema de saúde? A total desorientação estratégica das funções de regulação da saúde? A recente lei kafkiana exigindo justificação plausível para faltar a consultas nos hospitais? Com aparente leveza de análise, alguns comentadores arriscam imitar Beppe Grillo como uma espécie de Governo-sombra à moda italiana.
A falta de confiança na liderança do SNS é incontestável, apesar das acções de propaganda. Os agentes do sistema, incluindo sindicatos, indústria farmacêutica e investidores privados, têm noção da desorientação estratégica e dos perigos que enfrentam na medida de decisões que promovem o colapso do SNS turvado com o discurso incoerente da sua defesa. O pior é a falta de transparência nas decisões e, sobretudo, nas intenções.
O vazio de direcção estratégica e a constante propaganda encomendada contrastam com os tempos de inovação de Luís Filipe Pereira e Correia de Campos e com a realidade europeia. Triste.
Paulo Moreira, JP 09.03.13

Alavancagem...

'estratégia do Norte' mostra-se envolvente e demolidora. 
Dentro em breve o SNS estará confrontado com uma dramática amputação.

Se não vejamos:
O Centro de Reabilitação do Norte com uma gestão 'misericordiosa'. O Centro Materno-Infantil alvo de santos apetites. O Hospital de Santo António devolvido à UMP. O Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, à pala do HSA, deverá ser endossado à Universidade Católica.
Fica tudo em família.
À volta deste quadro nem convém falar na hegemonia dos Cuidados Continuados. 
O que falta para o controlo da Saúde no Norte do País? A medicina Geral e Familiar. Bem, será a fase seguinte (para garantir a procura!).
É a isto que se pode com propriedade chamar uma grande 'alavancagem'... 
E-Pá!
 
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