Pau mandado
Labels: Paulo Macedo
«Os representantes dos médicos falam em conspiração para destruir a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa. link
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) questionam, num comunicado conjunto divulgado esta terça-feira, a pressa em fechar a maior maternidade do país - apesar de não haver ainda um prazo oficial, é apontado o mês de Março para o encerramento.
“Há situações que são inexplicáveis. O que é surge de repente tão premente que obrigue a encerrar, em cima do joelho, uma instituição como esta com 80 anos e que tem dado provas de um bom funcionamento”, questiona Pilar Vicente, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, da FNAM.
“Qual é o interesse que está por trás disto e o que é que obriga, que pistola é que se tem apontada para haver esta voracidade, esta vertigem de encerramento tão rápido. As pessoas estão sempre com muita pressa para fazer coisas, normalmente mal, sem estudos e nada planeado. Isto de facto parece uma conspiração. Qual é a ideia? São contra as pessoas que lá trabalham, são contra a instituição, há interesses económicos por trás, há negócios, há o quê? Isto não tem pés nem cabeça”, diz Pilar Vicente.
Os sindicatos dos médicos exigem que os profissionais da MAC sejam envolvidos em todo o processo e isso não tem acontecido, sublinha a dirigente Pilar Vicente.
O comunicado do SIM e da FNAM critica a anunciada intenção de instalar a unidade de neonatologia da Maternidade Alfredo da Costa no Hospital D. Estefânia, porque vai implicar o gasto de verbas avultadas.
Os sindicatos falam também no desmembramento e deslocação de equipas, mas sublinham que nada está ainda a ser feito.»
rr 08.01.13
Tudo feito em cima do joelho para troika ver. Paulo Macedo não engana. Tal como Passos, mais um pau mandado da troika.
A Reforma dos CSP
Labels: CSPSegundo Paulo Macedo, uma das prioridades de 2013 é a revisão da lista de utentes do SNS, para que "mais portugueses" tenham acesso a médico de família.link
Os CSP realizaram em 2012 (jan-out) menos 1.316.351 consultas médicas presenciais (-6,9%) em relação ao período homólogo de 2011. Menos 911.368 do total de consultas médicas realizado neste período (presenciais, não presenciais e domiciliárias. E menos 493.370 atendimentos nos Serviços de Urgência do SNS. link.
Antevê, certamente, o ministro da saúde que os novos utentes que irão aceder às vagas resultantes do expurgo das listas terão melhores condições para pagar as elevadas taxas moderadoras (apesar do congelamento de 2013) e os transportes para se deslocarem às consultas e tratamentos.
Suspeitamos que apesar das medidas anunciadas (revisão das listas de utentes, contratação de médicos e alargamento da carteira de utentes por médico mgf), o marasmo da reforma dos CSP manter-se-à em 2013. Paulo Macedo já compreendeu que mais produção dos CSP implicará maior e melhor capacidade da rede hospitalar, exangue aos golpes de financiamento impostos pela troika. Ou não andará isto tudo interligado ?!...
Nota: Face aos resultados dos CSP (2012) como parecem mais distantes as projecções do PNS 2012-2016 (quadro acima).
Tx moderadoras 2013
Labels: taxas moderadorasQuadro: tx moderadoras actualizadas de acordo com a tx inflação Eurostat (2,20%)
As taxas moderadoras da saúde são actualizadas automaticamente no início de cada novo ano (2013) de acordo com a taxa de inflação registada no ano anterior (2012).
Taxa de inflação (2012) da Zona Euro segundo a Eurostat: 2,2% .link
O OE/2013 prevê o "congelamento das taxas moderadoras das consultas de cuidados primários, para promover a melhoria do acesso". Suster a hecatombe, digo eu. Os CSP realizaram até outubro 2012 cerca de um milhão de consultas a menos.
Sustentabilidade da Saúde
Labels: Sustentabilidade SNSNa pág. 60 do relatório da OCDE "The status of health in the european union: towards a healthier europe", coordenado por Vittorio Silano coadjuvado por Luciano Vittozzi, relativamente ao subtema Demands on healthcare services, uma perspectiva interessante (porque diferente) da (previsível) sobrecarga da oferta, derivada do envelhecimento da população (como sabem, é apontada como razão para maior crescimento futuro das despesas em saúde face aos respectivos PIB e invocada por razões de sustentabilidade do sistema): as gerações recentes (mais novas) são, em média, mais bem formadas (do ponto de vista de hábitos de promoção de comportamentos de vida saudável e prevenção) do que as gerações mais velhas. Estas são também igualmente, em média, mais saudáveis do que as que as precederam.
Deste modo, a sobrecarga da oferta (maiores riscos de comorbilidades, limitações de actividade física, doenças crónicas e saúde mental) pode ser parcialmente compensada por menores custos de entrada de novos doentes no sistema. Doentes mais «bem educados», por isso menos pesados justificam um investimento continuado e persistente em políticas de promoção da saúde e prevenção da doença. Os destinatários destas políticas não têm sexo nem idade.
Em países com NHS, como o nosso, não estamos sós. Temos uma estrutura de estado social de apoio à debilidade e à doença, com a perspectiva de rápido retorno à vida activa. Os governos destes países não têm desculpa para não investir nesta área; não é coerente com a necessidade de assegurar sustentabilidade futura.
Francisco cabral, facebook
Importante, no entanto…
A entrada de novos doentes no sistema resulta directamente do estado de saúde dos cidadãos em função das determinantes da saúde prevalecentes na população dum determinado lugar (país) num determinado tempo.
Como sabemos, as determinantes da saúde são de diversa natureza como contexto demográfico e social (cultura, política, género, factores socioeconómicos e capacidade comunitária), ambiente físico (condições de vida e de trabalho), dimensões individuais (legado genético e comportamentos) e acesso a serviços de saúde (kirch, 2008).
Não pondo em causa os avanços culturais da nova fornada de cidadãos os riscos ligados aos comportamentos permanecem muito elevados (álcool/drogas/hiv/sida).
Uma coisa é certa, no nosso país não vai haver dinheiro nem vontade política para investir nestas políticas nos próximos tempos (prevenção). Devemos contar que a grande machadada que este governo está a dar no financiamento da Saúde e rendimento dos portugueses determinará alterações profundas do estado de saúde da população e prejuízo grave da sustentabilidade do SNS.
"The status of health in the european union: towards a healthier europe" link
Hospitais, a reforma silenciosa
Labels: HH, Paulo MacedoO plano de fechos e fusões de hospitais (que devia ter sido dado a conhecer até finais de novembro 2012) ainda não é conhecido, mas já se sabe que será em Lisboa e em Coimbra que mais alterações irão ocorrer. Aliás, alguns reajustamentos já estão a ser concretizados, como no Médio Tejo, no Oeste (Caldas e Torres Vedras), no Litoral Alentejano, em Coimbra (maternidades, serviços de psiquiatria e outros serviços) e em Lisboa.
No relatório do FMI relativo à quinta revisão lê-se que nesta reforma hospitalar será "ajustada a actividade de alguns hospitais" em áreas como a reabilitação, os cuidados continuados e paliativos e serão revistas as urgências e os centros de transplantação. A reforma passará, ainda, pela reorganização do trabalho nos hospitais e mudança no financiamento.
A reforma terá de ficar concretizada até 2014 e, no caso de Lisboa, terá em conta a construção do novo Hospital de Todos-os-Santos que irá integrar, em 2016, todos os hospitais de Lisboa Central (S. José, Capuchos, Estefânia, Santa Marta).
A reorganização da rede hospitalar não passa só por fechos e fusões. A organização do tempo de trabalho, bem como as alterações ao financiamento dos hospitais, são outros aspectos essenciais da reforma.
Em 2013, e para que consigam cumprir com o corte previsto nos custos operacionais (de pelo menos 8%), os hospitais terão de, entre outras coisas, reduzir o número de camas, de acordo com as orientações da tutela. Algo que já tem vindo a ser feito. No último ano, de acordo com a Comissão Europeia, foram eliminadas mil camas.
O Governo vai alterar a forma de financiamento de algumas patologias e os utentes poderão escolher o hospital em que pretendem ser atendidos.
JN 27.12.12 link
Sem plano conhecido, a reforma da rede hospitalar lá prossegue ao jeito dos cortes a eito do financiamento da Saúde.
Paulo Macedo, 2011-2013
Labels: Paulo Macedo, XIX govJá aqui fizemos referência aos inúmeros fracassos da governação de Paulo Macedo (promovido a melhor da cantareira 2012. Que mais nos reservará o semanário expresso em 2013):
- Indução de menor actividade nos hospitais através de cortes de financiamento (a eito);
- Encerramento de camas hospitalares à socapa quando podia (devia) ter utilizado a abertura do Hospital de Loures como oportunidade impar para o início da reestruturação da oferta de internamento da área da cidade de lisboa;
- «Através da inactividade impediu o desenvolvimento dos CSPe dos CCI (menos 1.316.351 consultas médicas presenciais) link. Com isso bloqueou camas hospitalares e impediu a substituição de atendimentos nos hospitais e nas urgências (menos 493.370 atendimentos em SU). Os doentes foram tratados mais tarde ou não o foram de todo. Por isso houve menos consultas mas também, menos educação e prevenção da doença.»
- Os desastres que promoveu em relação à transplantação e recolha voluntária de dádivas de sangue;
- A reforma da rede hospitalar que nunca mais avança, à espera, quiçá, de novos e salvadores estudos;
- A reforma dos CSP estagnada (quadro acima) link
-«Corte dos salários dos médicos, desmotivando-os para maior produção com mais qualidade»;
- Parcimónia em relação às recomendações da troika sobre os subsistemas públicos. E, aí temos a ADSE a continuar a sugar o financiamento do SNS.
- E como pouco ou nada tem feito na área da prevenção, o SEAS, Leal da Costa achou oportuno pedir em véspera de reiveillon mais sacrifícios, exortando os portugueses a moderarem nos copos, na comezaina e nas relações não protegidas.
Clara Gomes
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