Estamos a afundar

«A Administração Central do Sistema de Saúde, I. P (ACSS), divulga mensalmente, no seu sítio da Internet, até ao dia 8 do mês n+2, os principais dados de actividade, desempenho assistencial e económico-financeiro das entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS)e outros serviços autónomo». (despacho n.º 11374/2011) link
Os últimos dados publicados pela ACSS remontam a Julho 2012 (quase três meses de atraso). link O TM adianta que a queda das consultas dos CSP no Alentejo e Centro  chega aos 7%. link link
Os portugueses deixaram de ter dinheiro para comer, link andar de transportes, ir ao médico. link O Observatório Português dos Sistemas de Saúde já havia alertado para o perigo de as taxas moderadoras passarem a ser consideradas como "fonte de financiamento" do sistema de saúde. link

história sem moral


Certo dia um senhor adquiriu uma casa, em fase adiantada de construção, numa praia algarvia, por troca com uma sua vivenda, também no Algarve, a uma empresa de construção que tinha como sócio um seu amigo de infância e que, mais tarde, se tornou administrador de empresas do BPN.
Inicialmente não pagou sisa (actual IMT)já que, curiosamente, as duas partes atribuíram às propriedades o mesmo valor (135.000 €).
Em cumprimento do Código da Sisa, as Finanças, após uma segunda avaliação, atribuíram à nova casa um valor de 216.330 € que obrigou o senhor a pagar 8.133€.
Mas a 2ª avaliação teve como pressuposto que na propriedade de 1891 metros quadrados estava construída uma moradia de 318 m2 quando, afinal, estava lá outra com uma área bruta de 620m2.
Um jornalista mais “curioso” quis tirar o caso a limpo e pediu a consulta do processo de avaliação às Finanças que recusaram, invocando sigilo Fiscal.
O jornalista intentou depois uma acção judicial para tentar consultar os documentos. Um Tribunal Fiscal defendeu que os dados eram confidenciais, um Tribunal Administrativo entendeu que deveria prevalecer a intimidade privada de sua Excelência e o STA não encontrou “qualquer erro grosseiro ou decisão descabida” que impusesse a revisão da aplicação do direito.
Moral da história? Nenhuma. É uma história sem Moral.

Meneses Correia, 05.12.12

A greve prossegue


"La sanidad madrileña mantiene su pulso al Gobierno en el tercer día de huelga" link
Entre nós, Paulo Macedo, verdadeiro abono de família do XIX governo constitucional,  ao conseguir o acordo dos sindicatos médicos assegurou a sobrevivência deste governo por mais uns meses.

Honestidade e ética


Segundo um inquérito desenvolvido pela Gallup, os cidadãos dos EUA classificam os profissionais enfermeiros, farmacêuticos e médicos em primeiro lugar quando se trata de apreciar a honestidade e ética dos vários grupos de profissionais da sociedade americana. link
Um resultado idêntico, na minha opinião,  seria obtido entre nós a um inquérito semelhante. 
Em quarto lugar eu classificaria os jornalistas. Em último os banqueiros, políticos e autarcas.

Mercado SNS, outubro 2012


O mercado do SNS, regista no período Jan-Out 2012 (987,1 milhões de euros), uma diminuição de 10,1% face ao período homólogo de 2011. link

Separar as águas

Em entrevista ao Jornal de Notícias, link Correia de Campos aborda a governação em geral e a Saúde em particular. Pela primeira vez e de forma clara, assume haver uma reforma estrutural a fazer: concentrar os médicos e separar claramente as águas da prática pública da privada. Sem equívocos diz: Quem quiser trabalhar no público tem de estar em exclusividade. A formação, a direcção e as chefias devem ser reservadas a profissionais sem conflitos de interesses.
Eureka! Digo eu. Foi preciso chegar-se a uma rotura do sistema para advogar o que Correia de Campos diz já ter sido feito há muito noutros países. Vem agora lançar o desafio de uma medida que há muito se exigia e que, contra a evidência, não aplicou ao negociar a reforma dos Cuidados de Saúde Primários.
Bem! Mais vai vale reconhecê-lo tarde que nunca. Pena é que uma medida estrutural que diz ser política e tecnicamente difícil, venha a ser proposta num momento em que o País está de pernas para o ar com o governo mais fora que dentro.
Ficará, mais uma vez, para o próximo governo?

Tavisto

Espanha, reforma da Saúde

Governo PP da Comunidade de Madrid pretende levar a cabo um ambicioso 'programa de reformas da Saúde.
Na região de Madrid, além dos hospitais mais antigos de gestão pública (como os nossos SPA), existem outros  hospitais da rede pública de gestão privada:  Hospitais PFI (sete) com gestão privada dos serviços não clínicos e gestão clínica pública. Hospitais PPP (três)  de gestão inteiramente privada (clínica e não clínica)- Neste, o estado limita-se a fiscalizar e pagar o serviço. Tal como nos nossos hospitais PPP (Cascais, Braga, Loures).
Pretende-se com esta reforma privatizar inteiramente seis hospitais públicos (cerca de 1.250 camas) envolvendo cerca de 5.500 profissionais de saúde. Externalizar os serviços não clínicos de todos os hospitais públicos (serviços que não pertencem ao “core business” hospitalar) como lavandarias, restauração, serviços de higiene e limpeza, assistência técnica, envolvendo a extinção de cerca de 1.500 postos de trabalho públicos. Encerrar/reconverter antigos hospitais públicos: Instituto de Cardiologia (despromovido, à última da hora, a unidade de apoio sem população de referência), Hospital de La Princesa (hospital escolar) transformado em asilo,  Hospital Carlos III, reduzido a hospital de retaguarda.
Privatização de  40 centro de saúde dos 400 existentes na região.
A reacção dos profissionais de saúde a este programa de reformas tem sido muito forte.

Li, hoje, a entrevista do "consejero de Sanidad madrileño", Javier Fernández-Lasquetty link no “El País” (duro defensor da gestão privada), onde defende a  externalização (rejeita admitir a privatização num jogo semântico)  de  serviços de saúde a entidades capazes de gerar eficiência (os privados na sua opinião) e, assim, reduzir os encargos do estado. Quanto à existência de estudos independentes a justificar esta opção política e a intenção de negociar com os profissionais o desenvolvimento da reforma em curso: nickles.  
Noutra intervenção, Javier Fernández-Lasquetty  defende que o custo  per capita dos novos centros hospitalares é em média de 437 euros por habitante, frente aos 734 euros dos centros hospitalares mais antigos de gestão pública. O cálculo de Lasquetty, contrapõe a crítica, resulta simplesmente da divisão do custo global pelo número de habitantes, não tendo em consideração  a diferença de  complexidade entre hospitais que realizam por exemplo transplantes e outras cirurgias mais complexas.
O perfil do político habilidoso do costume.

O que acontece em Espanha, contrasta com a forma inteligente e sensata como tem sido conduzida a governação da Saúde no nosso país. Mérito que temos de dar aqui, finalmente, a Paulo Macedo (espero não me arrepender do que escrevo mais tarde). A excepção num governo de incompetentes, fanáticos e irresponsáveis.
 
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