O SNS, o ‘terramoto orçamental’ e as exéquias…


Macedo admitiu que os «ajustamentos terão impacto», mas «não serão dessa magnitude»...link
Começou a marcha atrás. Ou melhor a preparação da cambalhota política para explicar a tal 'discriminação positiva' com que vem desde há algum tempo enchendo os ouvidos de alguns incautos e alimentando uma aura de ‘desalinhamento’ do desastroso caminho por onde este Governo enveredou.
Não é difícil imaginar a retórica que vai enfeitar as próximas declarações. Vamos ouvir falar de arrazoado de razões: ‘período excepcional’, de 'emergência', ‘sacrifícios necessários’, de ‘rigor’. Tudo o que servir para justificar as maiores diatribes sobre o Estado Social. Faltava ao actual Ministro aparecer a terreiro justificar-se com o Tribunal Constitucional. Desta vez não conseguiu passar pelos pingos da chuva. Confessou: “se há uma decisão do Tribunal Constitucional que diz que as reduções, designadamente na área dos subsídios, não devem ser alteradas, então há que fazer ajustamentos nessa sequência”. link.Finalmente, ficamos cientes de que existe uma ‘sequência’. Uma trágica sequência cujo desenlace há muito foi denunciado: a destruição do SNS.
Vão aparecer enviesados estudos que atiram para a praça pública elevadas percentagens à volta de ineficiências de gestão e sobre fraudes (já usadas em Oslo) link.Percentagens que serão torturadas até encaixarem plenamente no ‘impacto’ dos cortes. De seguida a tradicional e habitual aleivosia: ‘os cortes não terão repercussões na qualidade do SNS’.
Mas sobre ‘magnitude’ cuidado. Estaremos a falar de abalos telúricos?
Depois do ‘terramoto orçamental’ de 2013, onde se ‘acomodaram’ cortes da ordem dos 500 milhões de euros, os novos ajustamentos serão apresentados como inevitáveis ‘réplicas’. Que, inocentemente, não foram previstas por Paulo Macedo aparentemente decidido a poupar a saúde de mais cortes. Faltam as ‘tréplicas’ que chegarão associadas à putativa ‘reforma do Estado’ [aquela dos 4.000 milhões]…
O senhor Ministro afirmou em Oslo no terminar da sua intervenção: ‘só habitamos a Terra uma vez’ link.Asserção que - por pouco que seja - a grande maioria dos portugueses estará de acordo.
Faltou dar uma oportunidade à dignidade e concluir:
‘Só se habita a João Crisóstomo o tempo necessário para não perder a face’. E ‘perder a face’ é ter entrado nesse habitáculo como gestor prestigiado e sair com o estatuto de coveiro.
E-Pá!

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