Reforma hospitalar para quê?


Este ministério tem como única preocupação a redução da despesa à custa do SNS. É neste objetivo que se insere a concentração das urgências na área metropolitana de Lisboa. Entretanto vai pondo a salvo da inevitável degradação dos cuidados prestados, o sector privado, protegendo os subsistemas públicos, e as PPP, poupando-as à racionalização (melhor dito, racionamento) financeira.
Lá mais para a frente, quando os níveis de degradação das estruturas hospitalares do SNS se tornarem irreversíveis, haverá uma boa justificação para alterações de fundo ao atual modelo de SNS.
Tavisto

"Urgência  Metropolitana  de Lisboa" link

Tudo a piorar...

Hospitais fazem menos transplantes
Os hospitais portugueses fizeram menos 13 transplantes nos primeiros seis meses do ano, face a igual período do ano passado: reduzindo o número de intervenções de 131 para 118. 
O transplante pulmonar registou a redução mais evidente (menos 20%), passando de dez doentes transplantados para oito, todos no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.
Na lista das reduções, seguem-se as intervenções do foro renal (menos 15%), de 33 para 28 transplantes, sobretudo no Hospital Garcia de Orta; e na área hepática (redução de 15%), com 40 transplantes - menos sete do que no primeiro semestre de 2012.
Ao invés, aumentaram os transplantes de córnea, em 18%, com especial enfoque no Hospital Amadora-Sintra. A mesma tendência de crescimento foi verificada na transplantação de células hematopoiéticas, com um crescimento de 3%.

A par da quebra na estatística de transplantes, houve também uma redução na colheita de órgãos. Diminuíram de 85 no primeiro semestre de 2012 para 79 este ano, em especial no pulmão (menos 40%) e no pâncreas, com uma quebra de 33%.
expresso 23.08.13
Mas que raio de Ministro é este ?!... Temos, efectivamente, um ministro da finanças na Saúde!...

SNS e o iceberg…


Não bastam as ‘trapalhadas’ das urgências de Lisboa ‘feitas a martelo’, i. e., antes da rede hospitalar estar consolidada nomeadamente com a entrada no sistema do Hospital de Todos os Santos (que deve ser evocado no 1º. de Novembro – tradicional dia de Todos os Santos).
Os esforços para esconder o ‘rally-paper’ em que se vão transformar as urgências lisboetas, por detrás de engenhosas considerações organizativas para fugir às evidências 'economicistas' cujo nefasto desfecho é uma forte possibilidade merecia um Emmy. De facto, deixamos o domínio do sério para colocar-nos no terreno do divertimento.
Chegam agora os cortes de 4% (11% quando somados aos subsídios que o TC mandou pagar e não constam do orçamento primitivo e não foram objecto de correcção no ‘rectificativo’) que atingem os cuidados primários e o sector público administrativo link. Por enquanto persiste a ilusão que os HH EPE estão – por ora - de fora mas mais vale não acreditar no Pai Natal.
A situação é de tal modo grave que discutir assuntos sectoriais não passa de uma manobra de diversão. Um pouco ao estilo da orquestra do Titanic que após o fatídico embate com o iceberg prosseguia com os acordes do "Nearer My God to Thee".
Estamos longe dos dias em que se anunciava que “ a Saúde será uma das áreas protegidas na vaga de cortes nas funções sociais do Estado com o objectivo de poupar quatro mil milhões de euros”. link.
Nessa altura (de uma volúvel inocência) ainda ninguém tinha avistado o iceberg da ‘Reforma do Estado’, onde 2/3 do ‘volume’ permanece imerso. Dava para tudo como por exemplo cultivar a imagem de um ministro politicamente influente, rigoroso na gestão e socialmente empenhado. Hoje com o iceberg à vista lançaram-se alguns sobreviventes nos botes de cuidados básicos e os HH SPA metem água por todo o lado. O rescaldo é muito problemático. Provavelmente só se salvarão os que estão em terra firme (nas PPP) ou os que ancoraram em pias paragens (IPSS).
Os destroços (os 'salvados') do SNS vão ser metódica e sistematicamente repartidos (saqueados).

E-Pá!

Urgências de Lisboa, Trapalhadas do costume

Urgência hospitalar da Grande Lisboa

O absurdo e as reformas
Resolver o problema da Saúde pelo prisma da urgência é um erro. Ninguém cuidou em ouvir os responsáveis dos serviços e das estruturas profissionais e académicas que têm o dever de ter uma opinião informada”.
As reformas, do Estado e serviços, são indispensáveis. Poupar, claro, mas racionalizar, mobilizar vontade e inteligência para novos desafios e objetivos realistas. Não poderão ser só intenção, aparência para engano de outrem, cardápio de lugares comuns, ruído sem ideias. Têm de ir à substância das coisas com uma missão clara: servir melhor e com mais eficácia. É como o agricultor, cortar ramos secos, podar a árvore para crescer e dar melhores frutos. Na Educação e na Saúde, áreas da minha intervenção profissional, os sinais são encorajadores mas as preocupações enormes. A reorganização do sistema de ensino superior público teve um impulso notável com a fusão das duas universidades em Lisboa. Quebrou-se um mito que dominou o pensamento público: que a mudança só era possível a partir de impulso exterior. Bem sabemos que o passo dado é o princípio de um caminho mobilizador de vontades, das instituições, dos talentos, com novos projetos de cooperação e de abertura ao sistema produtivo, cujo impacto será positivo na sociedade portuguesa. Daqui resultará racionalização e economia. Raciocínio semelhante se poderá transpor para a Saúde. Precisamos de visão global para a reforma da Saúde, pois medidas parcelares sectoriais não chegam, porque esbarram a montante e a jusante com bloqueios insuspeitados. Está a capacidade instalada no sector da Saúde bem aproveitada? Concentrar unidades tem sido política seguida em toda a parte. O rationale é linear: potenciam-se recursos, concentram-se competências, com isso aumenta-se a provisão de serviços por profissionais com mais experiência e conseguem-se melhores resultados. Foi assim em Londres, onde na minha especialidade, a cirurgia vascular, se fundiram unidades, limitando a dispersão das competências e aumentando a eficácia e efetividade do serviço prestado. Dizem-me que foi uma boa iniciativa. Absurdo é fazer por partes, ignorando o todo, quebrando a estrutura, reorientando-a para outras finalidades, como o que se anuncia: compactação de serviços de urgência designada por urgência metropolitana de Lisboa. Resolver o problema da Saúde pelo prisma da urgência é um erro, outro, que seduz periodicamente os decisores. Obviamente, não posso ser contra o conceito subjacente: concentração de recursos e competências, isto é, de experiência, para se ganhar expertise e mais qualidade. O problema é que não são só guias de marcha, são doentes graves e, com a rotação mensal (?) anunciada, confusão para o sistema de transportes, hesitação para onde enviar, desprezo por hábitos de trabalho comum e de comunicação. Nas especialidades cujas urgências são pesadas, associadas a graves situações de trauma, com risco de vida tanto maior quanto menos pronta e adequada for a atuação terapêutica, não será um absurdo rodar de mês a mês o hospital de referência? Ainda por cima, quando é possível concentrar competências em dois polos hospitalares de Lisboa, com a sua rede de referenciação estabilizada e comunicação fácil entre as equipas? Não se percebe o risco de converter estes serviços em unidades de produção para a urgência, com impacto negativo na atividade programada, incremento nas listas de espera e depois, maior despesa na compra de serviços ao sector privado? Em Londres, o assunto mobilizou a sociedade científica e o Colégio de Cirurgia para uma proposta de restruturação global e não apenas a urgência. O absurdo em Portugal é que, como presidente do Colégio, pronunciei-me a pedido do bastonário, perante decisões tomadas e após clamor justificado dos sindicatos e da Ordem. Ninguém cuidou em ouvir os responsáveis, dos serviços e das estruturas profissionais e académicas, que têm o dever de ter opinião informada. Assim não há reforma séria que resista! E que pensar do facto de as instituições públicas em PPP estarem isentas de participar neste esforço coletivo? Outro absurdo!

Fernandes e Fernandes, Diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa, Expresso 24.08.13

Novas urgências


Médicos criticam falta de estudos sobre novas urgências e desafiam ministro para debate
Os médicos criticaram hoje a ausência de estudos que comprovem a falta de profissionais, a vantagem de concentrar especialidades e a poupança, na base da criação da urgência metropolitana nocturna de Lisboa, desafiando o ministro para um debate público.
Para a Ordem dos Médicos (OM), “todo o processo foi conduzido secretamente, com o único fito de esconder as suas fragilidades e os problemas potencialmente graves que vão recair sobre as vítimas urgentes e emergentes da Grande Lisboa". Por isso, desafia o ministro da Saúde a promover um debate público, considerando que a questão é “demasiado importante para ser sigilosamente decidida por quem não sabe o que é uma urgência hospitalar”.
Numa reacção a declarações feitas pelo presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) à comunicação social, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, considerou que foram “declarações públicas muito pouco acertadas”. Ao Diário de Notícias, o presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, explicou que a concentração de várias especialidades numa só urgência – rotativa entre Santa Maria e São José – visa “garantir às populações uma resposta melhor do que a que existia”. O responsável referia-se a “especialidades em que não existem recursos humanos suficientes – com poucos médicos com menos de 50 anos – com uma casuística baixa” e exemplifica com o caso da oftalmologia, que afirma receber diariamente, entre as 00h e as 8, onze atendimentos em toda a região de Lisboa. Luís Cunha Ribeiro refere ainda que a cirurgia vascular conta com três médicos com menos de 50 anos em Santa Maria, nenhum no Amadora-Sintra e a ausência dessa especialidade à noite, no Garcia de Orta e São Francisco Xavier.
A Ordem dos Médicos contrapõe que a ARSLVT nunca apresentou estatísticas das urgências, nem estatísticas que comprovem a falta de profissionais, para sustentar as afirmações que justificam a reorganização das urgências nocturnas. Quanto às declarações que Cunha Ribeiro fez ao Correio da Manhã, segundo as quais esta medida “é um ato de gestão de dinheiros públicos”, o bastonário sublinha o reconhecimento de que esta é uma medida de gestão de dinheiro, mas critica mais uma vez a falta de estudos que indiquem “se o grau de poupança” compensa “as disfuncionalidades do sistema, as confusões de referenciação, os custos dos transportes entre instituições e o prejuízo dos tempos de atendimento às vítimas, que são inevitáveis”.  Comentando a comparação que é feita pela ARSLVT com a Urgência Metropolitana do Porto, onde o Hospital de São João concentra, há quatro anos, as urgências nocturnas  José Manuel Silva afirma que essa urgência “tem problemas” e lembra que a população abrangida não é comparável em termos quantitativos. “A Urgência Metropolitana do Porto serve metade da população que será abrangida pela Urgência Metropolitana de Lisboa”, pelo que deveria haver duas urgências, e “tem problemas que nunca houve interesse em auditar”. Como exemplo, refere o facto de a urgência de otorrinolaringologia (ORL) e a urgência de Gastroenterologia estarem em hospitais separados, respectivamente São João e Santo António, “o que coloca problemas nos casos de corpos estranhos no esófago”. O bastonário assinala ainda que aquela urgência não concentra as especialidades de neurologia e cirurgia vascular, ao contrário do que vai ser feito em Lisboa, sem ser feito "qualquer estudo e contra o parecer dos colégios da especialidade”.
JP 23.08.13
Mais um expediente para reduzir a capacidade de oferta do SNS e encaminhamento de doentes para o sector privado.

Racionamento de medicamentos


Distribuidores “racionam” medicamentos como o Viagra
«O proprietário de uma farmácia de Cascais decidiu queixar-se do “racionamento” no abastecimento de alguns medicamentos e fê-lo de uma forma singular: divulgou no Facebook uma lista com 200 referências de produtos de um grande fornecedor que apenas o autoriza a encomendar 50, no próximo mês. Entre os medicamentos “rateados” consta uma insulina, vários antidepressivos e remédios para o colesterol muito vendidos em Portugal e até fármacos para a disfunção eréctil, como o Viagra e o Cialis. link
“Além de ter que encomendar com um mês de antecedência, para escolher uns tenho que desistir de outros. E mesmo assim não tenho a garantia de que me fornecerão todos”, lamenta ao PÚBLICO Eduardo Faustino, que é co-proprietário da Farmácia Alvide (Cascais).
“Este racionamento, próprio de um país em guerra, é inaceitável e intolerável, sobretudo quando não há razões objectivas de falta de matérias-primas no fabricante”, defende o farmacêutico na sua página no Facebook, notando que a sua farmácia até é cumpridora. “Por que está a acontecer esta desigualdade inaceitável entre as farmácias que conseguem algumas embalagens desta espécie de ‘mercado negro’ de medicamentos”, pergunta Faustino que na semana passada se queixou, também no Facebook, de dificuldades na obtenção de um remédio para a doença de Parkinson. “É o jogo do empurra: os laboratórios não abastecem as quantidades necessárias, os medicamentos aparecem a conta-gotas, nós vamos mendigando para conseguirmos umas embalagens”, sintetiza.
O problema da falta de medicamentos nas farmácias já é antigo. Mas foi- se agravando devido às sucessivas descidas de preços dos fármacos em Portugal, que tornaram cada vez mais lucrativa a exportação paralela para outros países (onde são mais caros) e devido à débil situação financeira de algumas farmácias, que se viram obrigadas a limitar os stocks disponíveis.
Em Junho passado, o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento ( Infarmed), Eurico Castro Alves, reconheceu no Parlamento a existência de falhas no abastecimento e anunciou várias medidas para combater o problema da exportação paralela ilegal (a exportação apenas é ilegal quando provoca problemas de abastecimento no mercado nacional).
A criação de uma lista com 150 medicamentos “essenciais” — para os quais vai passar a ser necessária a notificação prévia, pelos distribuidores, antes da exportação — é uma das medidas. Ainda não está em vigor porque foi necessário alterar o Estatuto do Medicamento, o que já foi aprovado em Conselho de Ministros e aguarda agora promulgação e publicação em Diário da República, explica o Infarmed. Os medicamentos com dificuldades de abastecimento identificados nas denúncias e nas 254 inspecções efectuadas desde 2011 (que já deram origem a 74 processos de contra-ordenação) são para doenças do sistema nervoso central, dos aparelhos respiratório, digestivo, cardiovascular e genitourinário e hormonas sexuais.» 
JP 22.08.13
Estes liberais de pacotilha estão a fazer deste triste país uma república das bananas.
 
andPOP-saudesa © 2010 | Designed by Chica Blogger | Back to top
ban nha mat pho ha noi bán nhà mặt phố hà nội