Grandoladas


A propósito da criação da nova regulamentação da referenciação das consultas e de Gestão do Acesso à Primeira Consulta de Especialidade Hospitalar, link o ministro da Saúde garantiu que o Governo está mais preocupado em diminuir a ausência dos utentes do que em cobrar taxas moderadoras aos faltosos. link
Paulo Macedo não manifestou a mesma preocupação com os dados publicados recentemente pelo ACSS  link que  deixam claro o duro golpe que o acesso aos cuidados de saúde sofreu  em 2012: menos 1,871 milhões entre urgências, consultas e sessões de HD, já incluindo aumento de 104 mil CE hospitalares, essencialmente devido ao aumento das taxas moderadoras.
E, assim, declaração aqui declaração acolá, a propósito disto e daquilo, se vai encanando a perna à rã. A merecer valentes grandoladas.
Nota: Criado mais um Grupo de Trabalho (GT), desta feita, para proceder à revisão da Carta de Equipamentos Pesados da Saúde. link

Portugal a afundar



Euro area GDP, fourth quarter of 2012
Among Member States for which data are available for the fourth quarter of 2012, Latvia (+1.3%), Estonia (+0.9%) and Lithuania (+0.7%) recorded the highest growth compared with the previous quarter, and Portugal (-1.8%), Cyprus and Slovenia (both -1.0%) the largest decreases. link

Carta aberta ao ministro da saúde


Assunto: Construção do “Centro Materno-Infantil” e do “Centro de Reabilitação do Norte” versus “Falta de planeamento” e “Total descoordenação” link
Senhor Ministro da Saúde
Vossa Excelência, no passado dia 20 de Fevereiro, em sessão pública nas instalações conjuntas da Faculdade de Medicina do Porto/Hospital S. João, declarou que a construção do “Centro Materno Infantil do Norte”, integrado no Centro Hospitalar do Porto, e do “Centro de Reabilitação do Norte” denotam “falta de planeamento” e uma “total descoordenação”, como foi sobejamente divulgado nos media.
Com esta afirmação pública, Vossa Excelência pode ter conseguido um sonoro “soundbyte” tão útil na trica politiqueira, mas demonstrou desconhecer por completo todo o processo que foi percorrido até ser aprovada a proposta de construção dos dois equipamentos, a isenção técnica (e até politico partidária) colocada no estudo e caracterização das necessidades em saúde da população da Região Norte, no brio metodológico utilizado para especificar e quantificar as razões técnicas, financeiras e de ganhos em saúde que justificaram tais projetos e respetivos investimentos.
Com aquelas afirmações conseguiu Vossa Excelência, também e de forma algo gratuita (embora estamos convictos que sem essa intenção), pôr em causa o bom nome de dezenas de profissionais de saúde, quer na perspetiva cívica, de cidadania desinteressada, da prática de valores como a “causa pública” em como se empenharam na análise e estudo dos temas e na produção e aprovação dos seus relatórios (sem qualquer retribuição pecuniária), quer ainda na sua competência técnico científica específica, que, na maior parte dos casos, resulta de um longo percurso profissional reconhecido como de excelência pelo seus pares e pelos seus doentes.
Conscientes de que possuímos um profundo conhecimento dos dois equipamentos de saúde, decorrente dos vários anos em que assumimos responsabilidades públicas pelos serviços de saúde da região Norte, de que conhecemos os detalhes do processo, do percurso até à sua aprovação e início de construção, de que conhecemos as pessoas e instituições que foram ouvidas e que emitiram opinião ou pareceres, vimos informar Vossa Excelência que, naturalmente, estamos ao seu dispor para lhe facultar todas as informações, contribuindo, assim, para que se evitem afirmações como aquelas que Vossa Excelência proferiu no Porto, que, por nada terem a ver com a verdade dos factos, não são úteis a rigorosas e necessárias “Políticas de Saúde”, a uma sadia, custo-eficiente e custo-efectiva “Administração Pública” e à promoção do indispensável envolvimento dos profissionais de saúde e dos cidadãos na vida e no desenvolvimento sustentado do SNS e da sociedade.
...
(Carta pública assinada por todos os ex-elementos dos CA/CD da ARSN de 2005 a 2011)

Histórias antigas e exemplares


Vivemos tempos sombrios para a administração pública. O Governo despreza-a, considerando-a gastadora, redundante e dispensável. Poucos a defendem. As palavras do actual ministro da Saúde contra o processo de planeamento que integrou o Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) no Centro Hospitalar do Porto foram um pronunciamento errado e injusto contra a administração pública. link
Sou parte interessada no tema: nomeei os membros da equipa desse exercício de planeamento, delimitei-lhe as competências, apoiei-os em todas as ocasiões, e foram muitas, em que as ameaças externas ocupavam o espaço mediático e lutei por essa ideia central de dar corpo ordenado ao segundo pólo hospitalar do Porto. Ter acompanhado o assunto não me emociona, nem me tira o discernimento. Move-me à reposição da verdade e à reparação da injustiça.
Um pouco de história: na zona central do Porto, a sua notável Misericórdia tinha feito erguer um grande hospital geral central, construído de raiz, no final do século XIX. Por subscrição popular logo após a Primeira Guerra Mundial, foi construída uma maternidade, também de raiz, a que deram o nome emblemático de Júlio Diniz, professor de medicina e uma das glórias do Porto literário romântico. Por iniciativa patrocinada pela penúltima rainha, a piemontesa Maria Pia de Sabóia, em 1882 foi criada a Associação do Hospital de Crianças Maria Pia, instalada, em condições precárias, numa vivenda apalaçada na Rua da Boavista. Todos estes estabelecimentos tinham raízes urbanas autónomas e bem prestigiadas - figuras ilustres presidiam aos conselhos gerais: o engenheiro Francisco Almeida e Sousa durante anos presidiu ao Conselho Geral da Júlio Diniz; Agustina Bessa-Luís, presidiu ao do Maria Pia; Júlio Resende dispersou obra em favor deste último. A ambição lógica de reunir estes dois estabelecimentos no CMIN foi sendo construída, sabotada e sucessivamente adiada. A operação da concentração de salas de parto, retomada pelo primeiro Governo de Sócrates, facultou a janela de oportunidade que permitiu reprogramar o centro, nele integrando a maternidade e pediatria do Hospital Geral de Santo António (HGSA), onde se havia desenvolvido uma notável unidade de neonatalogia. Desta forma se constituiu o Centro Hospitalar do Norte, reunindo a Júlio Diniz, o Maria Pia e o HGSA. Por timidez minha, ficou então de fora o Hospital de Joaquim Urbano, dedicado a doenças infecto-contagiosas. Surgira em força a cirurgia de ambulatório e a hospitalização sem internamento, bem como a luta contra as doenças raras na patologia infantil diferenciada, abrindo-se espaço a uma integração que acolhesse também estes novos conceitos, num centro de dimensão controlada.
Não podia encontrar melhores executores para este projecto que os elencos da ARS do Norte chefiados, sucessivamente, por Alcindo Maciel Barbosa e Fernando Araújo. Reunindo sólida informação quantitativa, propiciando o debate com todos os envolvidos e afectados, lutando contra forças centrífugas e rivais de causa, apoiando-se politicamente no ímpeto reformador do Governo, foi-lhes possível programar, projectar e construir a nova unidade materno-infantil, dentro de um grande hospital geral, ombreando em qualidade com os serviços correspondentes do Hospital de São João, assim completando a malha de unidades de referência do Porto, da sua Área Metropolitana e da Região Norte. Fica a faltar, apenas, Vila Nova de Gaia.
Ver agora destruído um esforço bem pensado, contido em meios, exemplar nos processos e moderno no resultado, é algo que não posso deixar passar em silêncio. Como é por demais sabido, respeito Paulo Macedo. Mas não consigo compreender a ligeireza e a injustiça da sua crítica a este processo longo e de difícil gestação.
O segundo e simultâneo comentário atribuído ao ministro da Saúde consistiria na consideração como redundante do Centro de Reabilitação do Norte, face aos serviços de reabilitação de que cada hospital geral deve dispor. O centro foi criado em Francelos, Vila Nova de Gaia, em terrenos doados por um médico e lutador antifascista, o Dr. Joaquim Ferreira Alves. Foi necessário desalojar, por despejo judicial, uma organização sindical que neles se havia indevidamente instalado. Contei, então, com assinalável apoio do município respectivo. Aí, o erro ministerial é ainda mais grave: questionando-se a existência de uma unidade de referência de reabilitação para o Norte, depois de elas existirem e bem funcionarem em Lisboa e Vale do Tejo, no Centro e no Algarve, parece-me, mais do que uma grossa injustiça geográfica e populacional, uma prova de errada informação sobre a importância das unidades de referência. Encurtando razões, direi apenas que, sem unidades de referência com estatuto público, escasseia o progresso científico, tudo se resumindo à repetição das técnicas, sem adição do valor do novo conhecimento. O centro não substitui os serviços de medicina física dos hospitais da região. Apoia-os cientificamente, forma pessoal qualificado para eles e acolhe os casos mais graves e mais demorados para os quais os hospitais não têm meios nem vagas.
É necessário voltar à história da Saúde e lembrar o Dr. Santana Carlos, o primeiro director do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Alcoitão, unidade pública propriedade da Misericórdia de Lisboa. Treinado anos a fio nos EUA, longe de casa, mas portador de uma ideia de qualidade, contra ventos e marés foi ele a grande figura inovadora naquela especialidade médica, até aí pouco desenvolvida. Não fora a sua elevada competência e a resiliência do provedor Melo e Castro e nunca teríamos a qualidade que alcançámos nessa área. O Norte tem todo o direito a semelhante processo de avanço científico.
António Correia de Campos,  JP 04.03.13

CSP, Limpeza de listas de utentes


Ao longo do ano transacto o Bloco de Esquerda denunciou por diversas vezes que estava a decorrer um processo de limpeza das listas dos centros de saúde, que visava ludibriar os utentes, criando a ideia de que todas as pessoas iriam passar a ter médico de família quando, na realidade, não era isso que estava a suceder.
De facto, na região de Lisboa e Vale do Tejo foi colocado em marcha um processo administrativo que consistia em passar os utentes que há três anos não se dirigiam aos Centros de Saúde para uma segunda lista, sendo colocados no seu lugar utentes sem médicos de família. Este método estava a ser implementado sem qualquer aviso ou consulta aos utentes transferidos, sem dar oportunidade aos utentes a distribuir de escolherem o seu médico de família sendo a distribuição individual e não por agregado familiar.
Esta situação levou o Bloco de Esquerda a solicitar um pedido de audição do Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo na Comissão Parlamentar de Saúde, em fevereiro do ano passado.
No dia 24 de outubro de 2012, foi publicado o Despacho n.º 13795/2012 que visava estabelecer “os critérios e procedimentos de organização das listas de utentes nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES)”. Este Despacho prevê que os utentes sejam classificados em quatro categorias, sendo elas: a) utente com médico de família atribuído; b) utente a aguardar inclusão em lista de utentes de médico de família; c) utente sem médico de família por opção; d) utente inscrito no ACES sem contacto nos últimos três anos.
Consideram-se utentes da categoria d) todas as pessoas que há três anos não tenham contacto registado no ACES e que, cumulativamente, tenham sido alvo de “tentativa de comunicação do ACES através dos elementos constantes dos sistemas de informação”, nos últimos 90 dias.
No sentido de dar cumprimento a este Despacho, nas últimas semanas mais de um milhão de utentes estão a ser contactados por carta para atualizar o seu registo.

As cartas enviadas referem que os utentes podem confirmar a sua inscrição presencialmente ou por contacto telefónico, no prazo de 90 dias (ver anexo). No entanto, os processos de confirmação propostos estão desajustados da realidade.

Por um lado, a confirmação telefónica tem registado diversas dificuldades dado que, muitas vezes, o telefone disponibilizado não é atendido apesar da sistemática insistência. Sendo compreensível que esta situação cause um afluxo muito elevado de chamadas aos Centros de Saúde, dificultando ainda mais o trabalho certamente já muito assoberbado dos profissionais, é também certo que não é correto que os utentes se vejam impossibilitados de confirmar a sua inscrição.

Acresce que a confirmação telefónica não permite que os utentes fiquem com um comprovativo do contacto e, como tal, caso haja falhas, os utentes não têm como comprovar junto dos serviços que os contactaram.
Por outro lado, a outra via prevista para confirmar a inscrição é a ida presencialmente ao Centro de Saúde o que causa um constrangimento acrescido aos utentes que são obrigados a deslocar-se, sobrecarregando os serviços e podendo levar muitas pessoas a não conseguirem confirmar a sua inscrição.
A limpeza das listas não pode ludibriar os utentes (como ocorreu no ano transato) nem pode ser dificultada, eliminando formas de comprovação da inscrição que seriam expectáveis e mais simples (como a carta, o fax ou o correio eletrónico) em detrimento de meios de confirmação que não permitem aos utentes obter comprovativos do contacto efetuado, empurrando-os para a confirmação presencial.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
1. O Governo tem conhecimento da situação exposta?
2. Quantos utentes irão ser contactados para actualizar os registos nos ACES? Quantos utentes foram contactados (dados apresentados por ARS)?
3. O Governo considera adequado que a forma de confirmação indicada nas cartas preveja apenas o contacto telefónico e a confirmação presencial?
4. As cartas enviadas prevêem a possibilidade de confirmação ser efetuada por telefone. Nestes casos, caso se verifiquem problemas na confirmação, como podem os utentes comprovar que contactaram o Centro de Saúde?
5. O Governo está disposto a alargar os critérios até agora disponibilizados, introduzindo a possibilidade de confirmação também por carta, por fax e por correio eletrónico?
BE link

Facilitar a vida dos utentes



On the way towards the 2018 goal, the Health Secretary wants to see: link 
By March 2015 – everyone who wishes will be able to get online access to their own health records held by their GP.
Adoption of paperless referrals – instead of sending a letter to the hospital when referring a patient to hospital, the GP can send an email instead.
Clear plans in place to enable secure linking of these electronic health and care records wherever they are held, so there is as complete a record as possible of the care someone receives.
Clear plans in place for those records to be able to follow individuals, with their consent, to any part of the NHS or social care system.
By April 2018 – digital information to be fully available across NHS and social care services, barring any individual opt outs.

02 mar de gente contra a troika


O povo saiu à rua link
 
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